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Estado de Minas

Moradores do bairro Prado querem resgatar o sossego do bairro

Proposta que cria área de diretrizes especiais no Prado quer impedir a proliferação de confecções e lojas de roupa e garantir tranquilidade dos moradores mais antigos


postado em 01/06/2013 00:12 / atualizado em 01/06/2013 07:28

Do jardim de sua casa, o aposentado José Camargos e sua filha lembram com saudade das crianças que moravam na vizinhança(foto: Euler Júnior/EM/D.A Press)
Do jardim de sua casa, o aposentado José Camargos e sua filha lembram com saudade das crianças que moravam na vizinhança (foto: Euler Júnior/EM/D.A Press)

Se em Lourdes a preocupação é punir quem faz barulho depois das 23h, no Prado, tradicional bairro da Região Oeste, o que tira o sono dos moradores é a expansão comercial. É do jardim de casa, um espaço florido e enfeitado com estátuas de anõeszinhos e sapinhos, que o aposentado José Camargos, de 94 anos, e a filha, a biblioteconomista Lindiomar Beatriz Camargos, de 59, gostam de brincar com as crianças da viinhança. Por causa do tratamento que destinam aos pequenos, a casa onde moram ficou conhecida como a casa do “vovô do jardim”. Há alguns anos, porém, o número de crianças diminuiu sensivelmente com a mudança das famílias daquele bairro e a chegada de estabelecimentos comerciais. “De repente abriram várias fábricas de roupas na nossa rua (Cuiabá). As crianças se foram e apareceram muitos carros de clientes, estacionando na frente da nossa garagem e fazendo barulho o dia inteiro”, reclama Lidiomar.

A abertura de pelo menos 90 confecções e lojas de roupas no Prado e na vizinha Barroca levou a comunidade a protestar e um de seus representantes, o vereador Wagner Messias, o Preto (DEM), resolveu frear a situação propondo a criação de uma área de diretrizes especiais (ADE) na região. Pelo Projeto de Lei 132/2013, apresentado pelo parlamentar em 13 de março, fica proibido abrir estabelecimentos comerciais ou substituir imóveis residenciais por esse tipo de atividade dentro dos limites compreendidos pela Avenida Francisco Sá, Rua Platina, Avenida Silva Lobo, Rua Catete, Rua Pedra Bonita e Avenida Amazonas. “As confecções começaram a invadir e a descaracterizar os bairros. Fiz até denúncia no Ministério Público, porque não pode ter esse tipo de empreendimento em vias locais de áreas residenciais. Fizemos duas audiências públicas e a solução foi instituir uma ADE na região”, disse o vereador.

Os problemas trazidos pelo comércio são muitos, segundo Preto. “ As lojas mudam as fachadas, fazem showroom que descaracterizam a região, trazem mais gente para áreas sem estacionamentos, ocorrem bloqueios de garagens. Lojas que têm confecção tiram o sossego por causa do barulho do maquinário”, disse. O projeto tramita em primeiro turno e foi aprovado pela Comissão de Legislação e Justiça, mas aguarda ainda parecer do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município para tramitar por mais comissões antes de ser votado em plenário.

PRESA NA GARAGEM José Camargos se disse assustado com a ampliação do movimento de carros nas ruas do Prado. “Na minha época, há 53 anos, aqui tinha só um pouco de casas. Descia um córrego na Avenida Amazonas. Hoje está essa confusão”, reclama. A filha dele, Lindiomar, sente falta dos vizinhos que se foram e sofre para fazer tarefas simples como retirar o carro da garagem. “As ruas são estreitas e por isso, quando tem muitos veículos estacionados, a gente não consegue sair da garagem direito. Se ninguém ajudar, acabo ficando presa na garagem”, disse.

A gerente de uma das confecções instaladas há 2 anos no Prado, Viviane Cristina França, diz que é possível que as empresas coexistam em harmonia com os moradores, desde que haja respeito mútuo. “Não somos os culpados pelo movimento ter aumentado tanto. A cidade cresceu, a Avenida Amazonas passa aqui por perto e esse movimento chegou junto”, avalia. Ela acha que os moradores estão exagerando, uma vez que os incômodos ocorrem apenas em horário comercial. “A população aqui do Prado é composta por muitos idosos. Isso também aumenta a quantidade de críticas, já que gente mais velha se incomoda com mais facilidade”, argumenta.


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