(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Mudança do nome de avenida revolta moradores e lojistas em Nova Lima

Lojistas e moradores do Vale do Sereno, em Nova Lima, que exigem mais segurança, limpeza e obras de mobilidade urbana


postado em 01/06/2013 00:12 / atualizado em 01/06/2013 07:21

No percurso da avenida entre o Hospital Biocor e a Faculdade Milton campos, pedestres caminham com dificuldade em calçada com terra, pedras e entulhos(foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press)
No percurso da avenida entre o Hospital Biocor e a Faculdade Milton campos, pedestres caminham com dificuldade em calçada com terra, pedras e entulhos (foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press)

Em meio ao descontentamento de moradores e comerciantes com a mudança de nome por meio de lei municipal, a Alameda da Serra – agora , Oscar Niemeyer – pede socorro. O traçado estreito de quilômetro e meio da Avenida Seis Pistas, como é popularmente conhecida, no Vale do Sereno, em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte, é endereço de assaltos, asfalto ruim, caos no trânsito, má iluminação e falta de passeio para pedestres. “Essa mudança de nome vem de uma lei completamente inútil. O que a alameda precisa é de segurança, luz e recapeamento”, critica o empresário Ricardo Chalfun, de 32 anos.

O comerciante propõe ação pública para reverter a Lei Municipal 2.326, de 26 de abril de 2013, que faz homenagem ao arquiteto carioca. Segundo Ricardo, a alteração na denominação da via implica custos que não estavam no orçamento. “Uma alteração contratual custa pelo menos R$ 1 mil, fora todos os outros transtornos e despesas que essa decisão arbitrária provoca. Vou ter de refazer embalagens, cartões de visita e material de divulgação. Por que? Para que? Para homenagear uma pessoa que nada tem a ver com a região”, indigna-se.

O empresário lamenta as “preocupações de gabinete” e chama a atenção para as medidas emergenciais de que o traçado carece. “Temos, aqui, a maior contradição: uma região de alto poder aquisitivo, que atrai novos investidores, nessa situação. É muito absurdo. Os fiscais, por exemplo, cuidam do estacionamento rotativo, de olho nos parquímetros, mas não fazem nada contra o desrespeito às garagens”, diz.

Lúcio Oliveira, de 34, reforça as criticas de Ricardo. Para o engenheiro, já há muito tempo, a Alameda da Serra precisa de cuidados. “Temos dois hospitais importantes. É um desrespeito. Muita gente vem aqui e não encontra nem passeio para andar com segurança. Olhe só aquilo ali…”, diz, apontando para o buraco de terra em frente ao Biocor. O estabelecimento da família do engenheiro é vizinho ao hospital. Ele, também morador de Nova Lima, conta ter sido assaltado à noite, no ano passado, ter tido o carro arrombado e diz ter socorrido uma senhora, “acidentada em buraco que estava onde deveria ser passeio”.

Outro investidor que vê na mudança do nome da alameda um problema menor é Gustavo de Lima Andreotti Tasca, de 31. Empresário de grande casa de shows, com inauguração prevista para este mês, ele espera que, com o nome de Niemeyer, venha também bom gosto, segurança e mais cuidados com a alameda. “Esta região é a extensão da Zona Sul de Belo Horizonte. É atraente, especialmente por isso. A alameda precisa ficar bonita. Investimos muito por causa da localização. O que falta aqui é atenção ao espaço público”, ressalta.

 

Um caminho de barro e mato

No traçado,entre o Hospital Biocor e a Faculdade Milton Campos há um caminho de roça, de barro e mato. O estudante Emílio Gonçalves Ribeiro, de 22 anos, critica duramente a passagem. “Estou com uma tia doente e vou muito ao Biocor com a minha mãe. Isto aqui é um perigo.” Daquele lado da pista, naquele trecho, não há um só poste de luz. “Já soube de carro roubado e largado aqui. Nos horários em que posso visitar a minha madrinha, a gente tem muita dificuldade para estacionar, tenho de parar longe e correr o risco”, diz.

Jordana de Souza Araújo, de 24, moradora da Região do Barreiro, trabalha há mais de um ano no Vale do Sereno. Para a porteira, as pessoas do prédio de oito andares em que ela trabalha já começam a se conformar com o novo nome, “mas, pelo que ouço, acho que ninguém gostou da mudança”. Jordana destaca o transtorno das mudanças em documentos e cadastros. “É mais trabalho para os donos dos escritórios essa alteração no endereço”, explica. O lojista Alysson Matos dos Reis, de 38, diz nem querer tocar no assunto do nome. “Prefiro nem falar. Com tanta coisa para ser feita eles mudam o nome da rua.”

Do outro lado das portarias luxuosas, o asfalto é recorte da falta de cuidado. Na Rua do Campo, esquina com a alameda, um triângulo malcuidado de barro e sem meio fio delimita mão e contramão na rotatória. Um motorista profissional, em frente ao Hospital Vila da Serra, observa a reportagem. Parece querer falar. “O que o senhor acha desta alameda?” “Ruim demais. Parece Ribeirão das Neves”, diz. Pedro Henrique Assis, de 27, diz não entender uma via tão descuidada em área tão nobre.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)