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Estado de Minas

Defesa de mãe que torturou tetraplégico diz que sofrimento com vício do filho levou acusada ao limite da violência

A mãe lutou por mais de 10 anos contra o vício do filho em crack. Ele caiu de um telhando quando tentava furtar solvente para se entorpecer e ficou tetraplégico. Depois instalou câmera para gravar as agressões da mãe, que acabou presa e processada por tortura


postado em 16/05/2013 11:43 / atualizado em 16/05/2013 12:24

A defesa da Tilma das Graças Teles, de 53 anos, acusada de torturar o filho tetraplégico em Rio Acima, na Região Central de Minas Gerais, vai entrar nesta quinta-feira com um habeas corpus para tentar a liberdade da mãe. Ela está presa no Complexo Penitenciário Estevão Pinto, no Bairro Horto, em Belo Horizonte, e cumpre prisão preventiva determinada pela Justiça após denúncia de Ministério Público por crime de tortura. A advogada, Maria Helena Medeiros de Moraes, vai mostrar que o histórico de sofrimento da mãe com o filho drogado a levou ao limite da violência.

A advogada está recolhendo documentos, desde 7 de maio quando Tilma foi presa, para comprovar o histórico problemático do rapaz de 27 anos. O caso de violência foi denunciado pelo próprio filho, que mesmo deficiente, instalou uma câmera no quarto e gravou as agressões da mãe. Aos 25 anos ele sofreu um acidente que o deixou tetraplégico.

Segundo a advogada, o rapaz era usuário de crack e cola de sapateiro há mais de 10 anos e causou inúmeros transtornos à Tilma, à família e outros moradores da cidade. “Era frenquentemente acusado de furto e roubos que eram realizados para que sustentasse seu vício”, relata. Segundo Moraes, o acidente que o deixou tetraplégico ocorreu quando o jovem subiu no telhado da casa de um tio para furtar solvente para se entorpecer. Ele caiu e sofreu uma grave lesão. “Embora fosse muito inteligente - chegou a ser servidor público em Nova Lima - o vício o levou ao estado de mendicância. Só no Hospital André Luiz esteve internado por 22 vezes, sem contar em várias outras instituições de internação”, conta a defensora.

Cárcere

A advogada não tenta justificar a agressão de Tilma, mas quer reverter a situação de cárcere. Moraes afirma que há outras medidas cautelares que poderiam afastar a mãe do filho sem que sua cliente fique presa. “Ela pode morar com outros familiares, pode se comprometer a comparecer em juízo. Não tem certo ou errado, vítima ou vilão nas reações humanas. Estou tentando mostrar isso para o juiz. É com cárcere que vão tratar isso?”, questiona a advogada.

Moraes relata que Tilma procurou ajuda do estado durante anos, para tentar internar o filho ou tratá-lo do vício. “Ela não foi omissa em relação ao filho, ela procurou autoridades públicas que nunca tinham agido. Ela foi adoecendo. A pessoa vai enlouquecendo”. A advogada relata que a mãe passava noites em claro porque o filho, em crise de abstinência, não parava de gritar. Para a criminalista, o crack é um problema de saúde pública que deveria ser tratado com intervenções do estado. “Esse evento mostra que o estado só chega quando a situação está limite, quando não tem mais jeito, quando essa mãe está doente por correr atrás do filho a vida inteira."

Filho arrependido

Para a defensora, o vídeo com as agressões mostra uma realidade parcial, um momento em que Tilma estava descontrolada e nervosa. Para ela, o rapaz pegou uma parte da convivência e mostrou aquilo. Mas o delegado que comandou as investigações, disse na época da descoberta do crime, que as agressões eram frequentes. Moraes argumenta que não há provas. “O filho falou que era com frequência, mas não tem nada provado. Eles discutiam muito, era uma relação desgastada há anos. Ele manipulava as coisas. Ele é totalmente lúcido”, afirma Moraes.

Um dia depois da prisão de Tilma, o rapaz se mostrou arrependido pedindo à polícia a soltura da mãe. Na época, o delegado Ésio de Jesus Viana, que investigou o caso, disse que ele só queria ser respeitado e bem tratado por Tilma. No entanto, o apelo do filho não foi suficiente porque ela vai responder pelo crime inafiançável que prevê pena de dois a oito anos de reclusão.

O rapaz atualmente está com cuidadoras e sob a responsabilidade de um padrinho. De acordo com Moraes, a prisão de Telma gerou não só o arrependimento do filho, mas também comoção na cidade de Rio Acima, dos moradores que acompanharam a luta da mãe durante anos para livrar o filho das drogas.

Veja as cenas da agressão:



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