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Estado de Minas

Família de estudante morto em acidente causado por bêbado lamenta lentidão da Justiça

Primeira audiência ocorrerá um ano após a tragédia


postado em 03/05/2013 06:00 / atualizado em 03/05/2013 09:00

Câmeras flagraram veículo que causou acidente em alta velocidade, em setembro do ano passado(foto: MARCOS MICHELIN/EM/D.A PRESS)
Câmeras flagraram veículo que causou acidente em alta velocidade, em setembro do ano passado (foto: MARCOS MICHELIN/EM/D.A PRESS)


Tão dramático como a morte da mulher na calçada ontem na Avenida Antônio Carlos é o sentimento de impunidade que alimenta a dor de parentes de vítimas de trânsito, como a família do estudante Fábio Fraiha, que morreu em setembro do ano passado. O carro dele foi atingido em um cruzamento da Avenida Nossa Senhora do Carmo, na Região Centro-Sul de BH, pela Land Rover dirigida por Michael Donizete Lourenço, de 22.

O inquérito da Polícia Civil concluiu que Lourenço havia ingerido bebida alcoólica e usado drogas. Ele dirigia a 140 km/h e estava participando de um racha na avenida. Ao passar pelo trecho do Belvedere, atingiu o carro de Fábio. Preso em flagrante, ele pagou fiança de R$ 43 mil. Foi indiciado por homicídio com dolo eventual. A primeira audiência do caso está marcada somente para 10 de setembro.

“A justiça tardia é uma justiça inexistente. É lamentável essa morosidade de julgamento de casos como esses, porque fomenta o sentimento de impunidade”, disse o pai de Fábio, Júlio César.

“A polícia andou muito rápido e foi muito eficiente para concluir o inquérito, mas a demora da Justiça compromete o caso. Observando outros exemplos, vê-se que não há punição e as pessoas continuam achando que esse tipo de crime é algo tolerável”, avalia o advogado Hermes Guerrero, que representa a família de Fábio.

Calçadas

Além do atropelamento da auxiliar de serviços gerais, outro acidente quase tirou a vida do aposentado Expedito Costa Lima, de 74. Na manhã de ontem, ele teve uma perna dilacerada por um caminhão na Avenida Amazonas, no Bairro Madre Gertrudes, próximo ao Anel Rodoviário, na Região Oeste, e foi internado no Pronto-Socorro João XXIII, onde passou por cirurgia.

Os dois casos são exemplos de como os pedestres estão desprotegidos, apesar de campanhas educativas e até de um Estatuto do Pedestre em vigor na capital. A BHTrans lançou, em fevereiro, campanha que vai contemplar 12 áreas da capital, uma por mês. Motoristas que forem flagrados parando sobre a faixa ou desrespeitando a preferência dos pedestres em locais onde não há semáforo serão abordados e orientados a não repetir a infração. Mas a punição mesmo começou a ser aplicada apenas na segunda-feira, quando a Polícia Militar passou a multar. Só no período da manhã, na Alameda Ezequiel Dias, foram três autuações por parar sobre a faixa de pedestre e 10 por falar ao celular.

O tenente-coronel Roberto Lemos, comandante do Batalhão de Trânsito, informou que as multas a condutores que não respeitarem a faixa de pedestre só serão aplicadas daqui a um mês. “O pedestre tem preferência onde não há sinalização e o motorista está sujeito a infração leve. Continuaremos por mais um mês na fase preventiva e, depois, entraremos com a repressão para esse caso específico”, disse. (Colaborou Clarisse Souza)



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