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Estado de Minas

Estações têm muito esgoto e pouco tratamento

Locais que não suportam quantidade de dejetos contribuem para níveis altos de poluentes em Montes Claros e Três Marias. Em Iguatama, ETE pronta não funciona


postado em 17/02/2013 00:12 / atualizado em 17/02/2013 07:52

Estação sem uso em Iguatama:Codevasf diz que apura desvio de verba(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Estação sem uso em Iguatama:Codevasf diz que apura desvio de verba (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Iguatama, Lagoa da Prata, Montes Claros e Três Marias – O crescimento das cidades tem superado o dos investimentos em tratamento sanitário em áreas do Vale do São Francisco, em Minas. Ali, estações de tratamento de esgotos (ETEs) já não suportam tudo o que chega pelas tubulações ou simplesmente não funcionam. Em Iguatama e Lagoa da Prata, na Região Centro-Oeste, por exemplo, a ETE planejada não está em operação. Em Três Marias, na Região Central, e em Montes Claros, no Norte de Minas, a estação não consegue atender toda a demanda, permitindo que parte do esgoto seja despejado no Rio São Francisco e em seus afluentes.

O problema também explica em boa medida os índices ruins apresentados pelo Rio Vieiras, em Montes Claros, cidade mais populosa do Norte de Minas, com 360 mil habitantes. O rio apresenta taxas de poluentes muito acima das toleradas pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), segundo o último levantamento do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). As amostras indicam excesso de coliformes fecais (700%), nitrogênio (224%), manganês (168%) e fósforo (80%), o que resulta em índice de oxigênio dissolvido 79% menor que o tolerável. De acordo com o engenheiro Guilherme Guimarães, que trabalhou no projeto da ETE inaugurada na cidade em 2009, a estação opera com capacidade para processar no máximo 500 litros por segundo, abaixo da quantidade de esgoto gerada pela cidade, de 700 litros por segundo. Todo o restante segue para o Vieiras, afluente do Rio Verde Grande, que deságua no Rio São Francisco.

O chefe do Departamento Operacional da Copasa em Montes Claros, Daniel Antunes, reconheceu que a ETE, que recebeu investimentos superiores a R$ 130 milhões, ainda não trata todos os dejetos da cidade. A expectativa é que isso comece a ocorrer até agosto. Há bairros que ainda não têm interceptores. Saudoso, o produtor rural Antonio Dias Maia, de 73 anos, espera que o Vieiras volte a ser como em sua infância, quando nadava no rio limpo. "Virou uma sujeira só. Triste ver um rio morrer", diz.

Em Três Marias, cidade de 27,5 mil habitantes, a ETE só trata 60% do esgoto que chega, segundo relatório do Ministério Público. "Não adianta a ETE receber 80% do esgoto da cidade se não consegue tratar tudo. Estamos terminando um laudo e vamos entrar com ação para exigir que a Copasa adapte os equipamentos", avisa o promotor de Três Marias, José Antônio Freitas Dias Leite. "Não é possível o São Francisco ser sujeito a essa poluição", justifica.

Em Iguatama, primeira cidade no curso do Rio São Francisco, o esgoto da cidade cai direto no Velho Chico ou chega até ele por meio de quatro córregos. A cidade, com quase 8 mil habitantes, até construiu uma ETE, com auxílio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do Rio São Francisco e Rio Parnaiba (Codevasf). O complexo está pronto desde 2011, mas não funciona, de acordo com a companhia, por culpa da prefeitura. A Codevasf informou que há investigação de desvio de parte da verba. A prefeitura informou que tenta sanar os problemas, que atribuiu à última administração, até o ano que vem. Enquanto isso, apenas bodes se alimentam na área da ETE, que fica atrás de um curso de esgoto que deságua no Rio São Francisco e é chamado por moradores de "bosteiro do Neto".

Em Lagoa da Prata, com 46 mil habitantes, todo o esgoto é coletado e despejado na Lagoa Verde, que recebe esse nome devido à grande quantidade de algas que proliferaram por conta de nutrientes injetados pelas canalizações sanitárias. A lagoa despeja a água poluída no Rio Jacaré, um dos afluentes do São Francisco. Os efeitos são sentidos depois de Iguatama e Lagoa da Prata, na altura de Luz e Moema, cidades do Centro-Oeste. O Igam registrou índice de coliformes fecais 130% acima do tolerado.

60% do esgoto que chega à ETE de Três Marias é tratado

500 litros por segundo é a capacidade da ETE Montes Claros, abaixo da demanda

600 fiscalizações serão feitas ao longo do São Francisco


Vídeo: Antônio Dias Maia é morador da região de Montes Claros. Ele fala sobre os antigos hábitos, quando o Rio dos Vieiras era limpo, e sobre a poluição atual do rio


Vídeo: Lagoa Verde poluída. Esgoto sai da cidade de Iguatama até chegar ao Rio São Francisco


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