
As obras do BRT – sistema rápido de transporte por ônibus – seguem em ritmo lento em Belo Horizonte. Quem passa pelas avenidas Pedro I e Antônio Carlos, principalmente, e Cristiano Machado percebe um pequeno contingente de funcionários e poucas máquinas trabalhando. A sensação é de que a cidade não tem pressa para melhorar a mobilidade e atender a demanda gerada pela Copa das Confederações neste ano e pela Copa do Mundo, no ano que vem, ao contrário do que afirma a Prefeitura.
A reportagem do Estado de Minas percorreu nessa sexta-feira as três vias – Pedro I, Antônio Carlos e Cristiano Machado. Na Pedro I, a obra do BRT é anunciada pela placa, no início da avenida, em Venda Nova. Se não fosse a placa, muitos poderiam percorrer vários quarteirões da avenida e duvidar que o local está em obras e que elas ficarão prontas a tempo da Copa do Mundo no próximo ano. A placa informa que a verba prevista para o BRT nas avenidas Pedro I e Antônio Carlos é de R$ R$ 426,5 milhões e deixa um recado aos moradores que ficam nervosos com o trânsito pesado: “Menos tempo no trânsito. Mais tempo com a família”. A outra placa é sobre a duplicação da Avenida Pedro I, também em passos lentos e que chegou a ser paralisada. O valor total do investimento é R$ 588 milhões.
Logo no início da Pedro I, seis funcionários estavam dentro um buraco no meio da avenida. Eram 14h de ontem e não havia nenhuma máquina em operação. O frentista de um posto de gasolina vizinho, Wanderson Gomes, conta o que vê todos os dias: “De vez em quando tem algum funcionário, mas está muito devagar”, informa. Seguindo a Pedro I em direção ao Centro o cenário segue de abandono. O funcionário de um trailer de sanduíche, Valter de Assis, na esquina com a Rua Monte Castelo, no bairro Itapoã, reclama da lentidão das obras. “Está muito devagar e, como não tem passarela, o pessoal do lado de lá da avenida não consegue passar para cá”, reclama do sumiço dos fregueses.
No local, um viaduto tem apenas as bases construídas e pedaços de ferragem se projetam sobre a avenida. A primeira movimentação de verdade é na interseção da Avenida Pedro I com o viaduto da Avenida Portugal. No local, duas retro-escavadeiras revolvem terra e depositam em um caminhão. Olhando de cima do viaduto não há trabalhadores em outras frentes e muita terra revolvida. Seguindo pela Avenida Pedro I até chegar na Avenida Antônio Carlos as obras seguem paradas.
Entre o cruzamento da Avenida Santa Rosa e Antônio Abrahão Caram menos de uma dezena trabalhadores está envolvida em atividades na pista central, porém sem o auxílio de máquinas. Mais a frente, após a entrada da UFMG e antes do batalhão do Corpo de Bombeiros outros cinco trabalhadores estão presentes. Um deles, quando questionado, responde à reportagem do Estado de Minas: “As obras estão paradas desde o final do ano. Agora é que estão começando a fichar o pessoal de novo e montar as equipes para fazer as frentes de trabalho”. Após o viaduto do Bairro São Francisco até o complexo de viadutos da Lagoinha as obras do BRT ainda não começaram.
Necessidade A Responsável pela obra de duplicação da Avenida Pedro I, primeiro passo para a implantação do BRT na via, a empresa Cowan confirmou ontem que as obras de demolição nos prédios já desapropriados estão paralisadas desde o final do ano passado por ordem da PBH. A construtora é a única responsável pela obra desde julho do ano passado, quando a Polícia Federal apontou irregularidades nas relações da Delta Construtora S/A – outra empresa que participava do consórcio – com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Entretanto, a PBH informou por meio de nota que os prédios são derrubados à medida que as obras forem avançando e haja a necessidade dos espaços que ocupam. “É bom salientar que as obras estão no seu ritmo normal e as demolições vão acontecer no momento apropriado”, reforça a PBH. A prefeitura informa também que o número de funcionários é definido de acordo com a “demanda do momento”.
Mais adiantada
Do alto da passarela de pedestres que liga os bairros Sagrada Família e da Graça é possível perceber o tanto que as obras da Avenida Cristiano Machado também estão devagar. Às 14h45 da tarde de ontem os poucos funcionários que estavam no local já se preparavam para ir embora. Muitas ferragens estão espalhadas pela pista central e até um leigo compreende que do estágio atual até os ônibus articulados começarem a transitar na avenida levará um longo tempo.
Quem segue no sentido centro-bairro observa apenas cinco funcionários na esquina com a Avenida Silviano Brandão. De lá até o Bairro da Graça vê-se muita terra revolvida, quase nenhuma máquina. O movimento maior é entre a passarela de pedestres do Bairro União até os viadutos em frente ao Minas Shopping. Porém, às 15h vários funcionários já se desmobilizavam e a pouca movimentação era encerrada. Após um funcionário do consórcio responsável pela obra impedir que a equipe de reportagem fotografasse o local, algumas máquinas foram ligadas e a movimentação de funcionários aumentou.
De acordo com a PBH, a previsão é de que todas as intervenções para os BRTs, que tenham ligação direta com o Mineirão, estejam finalizadas até o início da Copa das Confederações. Mas sobre o início do funcionamento do BRT a prefeitura já admite atrasos. Inicialmente foi marcado para junho deste ano, depois para dezembro e, agora, a PBH adiou novamente para o primeiro semestre de 2014.

