
Flanelinhas ilegais continuam a desafiar Polícia Militar e a fiscalização da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), mesmo com a Operação Natalina 2012, lançada pela PM no dia 4. A presença constante de policiais militares, guardas municipais e fiscais da BHTrans não intimidam os intimidam. Eles agem no Centro e na Savassi, na Região Centro-Sul, e cobram R$ 5 pelo talão de estacionamento, quando o preço é R$ 2,90. Na Rua Goitacazes, entre as ruas Espírito Santo e Rio de Janeiro, Centro, a reportagem do Estado de Minas, que estava em um carro descaracterizado, pagou R$ 4 a um clandestino para ocupar uma vaga por 20 minutos. Ele cobrou R$ 5 por uma hora, mas aceitou o pedido de desconto e cobrou R$ 4. No local, carros em fila dupla esperavam por uma vaga, mas com a aproximação de um carro da PM o flanelinha tratou logo de pedir aos motoristas que dessem uma volta no quarteirão e que retornassem depois. No quarteirão de baixo, entre as ruas Espírito Santo e Bahia, outros dois ilegais agiam como donos do quarteirão.
Na Rua Guajajaras, também no Centro, o tomador de conta Edson Alves da Silva, de 45 anos, não esconde que é ilegal. “Estou aqui há 34 anos, entre a Rua da Bahia e a Avenida João Pinheiro. Compro rotativo por R$ 2,90 e vendo a R$ 5”, diz. Edson conta que clientes antigos confiam a chave do carro a ele e o talão é afixado apenas quando a fiscalização aparece. “Nesses casos, cobro apenas R$ 2. Se o pessoal da BHTrans e os guardas municipais não aparecem, cobro depois mais R$ 2 e fico no lucro”, disse Edson, cheirando a bebida alcoólica. Mas não são todos os motoristas que confiam nos flanelinhas. A advogada Paula Mattos, de 31, prefere deixar seu carro em garagens de estacionamento e paga R$ 7 pela hora. “Acho mais seguro do que deixar na rua, nas mãos de desconhecidos”, afirma. Jefferson alves, de 28, é gerente de estacionamento na Rua Guajajaras e também concorda que deixar o carro na garagem é mais seguro. “Muita gente já sai de casa com a intenção de deixar o carro em estacionamento. O preço é praticamente o mesmo e a pessoa não está contribuindo com a ilegalidade”, diz Jefferson.
Na Rua Fernandes Tourinho, na Savassi, os tomadores de conta de carro usam coletes e crachás de identificação fornecidos pela prefeitura, o que comprova o credenciamento. No entanto, um homem que usava colete sem identificação cobrava R$ 5 por uma vaga. “Cobro um pouco a mais para ter lucro, mas a pessoa tem liberdade de comprar o talão mais barato”, diz o flanelinha, apontando uma papelaria. A ação ilegal não é percebida pelo vendedor Júlio César Carvalho, que trabalha numa livraria próxima. “Percebo que o policiamento melhorou por conta da aproximação do Natal. Só vejo flanelinhas credenciados por aqui”, garante Júlio.
No Centro, um guardador ilegal age sem ser percebido por comerciantes e policiais militares. Wanderley Antônio Silva, de 38, ganha dinheiro vigiando motos estacionadas na Rua Tamoios com Avenida Amazonas. “Tem uma moça licenciada pela prefeitura que fica aqui. Como ela não veio hoje, estou ganhando uns trocados. Não cobro e não falo preço, mesmo porque moto não precisa da rotativo. Eu só recebo gorjeta, de R$ 0,50 para cima”, diz Wanderley. Do outro lado da rua, o dono de uma banca de jornais, Ednaldo Marques, de 32, também não percebe a ação ilegal. “Só foi entrar dezembro e sugiram policiais diferentes andando por aqui. Eu me sinto mais seguro com eles por perto”, assegura Ednaldo. Na esquina da Avenida Amazonas com São Paulo, PMs prendiam um rapaz com uma bucha de maconha e não perceberam Wanderley abordando donos de motos. Não, a gente não tem visto flanelinhas por aqui”, afirma um dos policiais.

Segurança
Com a Operação Natalina, 894 PMs – 331 dos cursos da Academia da Polícia Militar e 563 remanejados dos setores administrativos – foram deslocados para as ruas da capital para garantir a tranquilidade da população, principalmente nas áreas comerciais. Ao todo, segundo o Comando de Policiamento da Capital (CPC), são 8,8 mil PMs espalhados por toda a cidade neste período que antecede o Natal. “Um dos nossos focos é garantir a segurança das pessoas, inibir crimes como arrombamentos de carros e também a ação dos flanelinhas ilegais. A gente faz ações pontuais onde identificamos que tem algum tipo de situação como essa. Se detectamos crimes como extorsão, roubo ou furto de veículos, a ação é imediata, com prisão em flagrante”, garante o capitão.
A assessoria de imprensa da BHTrans informou que cabe à PM e à Região Centro-Sul combater os flanelinhas ilegais, ressaltando que a empresa não fornece a eles os talões de estacionamento que são vendidos mais caros. A Regional Centro-Sul informou que não houve reforço da fiscalização neste final de ano, lembrando que hoje são 1.082 lavadores e guardadores de carro licenciados pelo município.
