Publicidade

Estado de Minas

Recuperação da dependência do álcool é possível


postado em 21/08/2012 07:04

Na sala dos Alcoólicos Anônimos (AA) da Avenida dos Andradas, no Centro de Belo Horizonte, Lúcio, de 71 anos, voluntário do grupo, conta que já viu entrar para o AA deficientes físicos, corpos carimbados por tiros e facadas, sem falar nos homens de saúde frágil e mãos trêmulas, todos marcados pelos efeitos destrutivos da bebida. “Essa doença corrói, é progressiva, sem cura e de fins fatais”, diz Lúcio. Em frente a ele, Silvério, de 61, balança a cabeça em sinal de concordância sobre a experiência trágica da dependência. Quando chegou ao AA, em 1983, o metalúrgico não conseguia levar um garfo à boca, tamanha sua fraqueza, e acumulava currículo de internações e um desastre automobilístico em decorrência da bebida. Se não virasse a página dessa história, Silvério sabia que acabaria morto, assim como cinco tios e o próprio pai, que tiveram o organismo destruído pelo álcool.

“Bebia muito, todo dia e estava a ponto de morrer. Não dava conta de comer sozinho, pois a tremura era muito grande. Já estava com o organismo tomado pela bebida”, conta Silvério, que durante duas décadas viveu os perigos e sofreu as consequências da dependência. “O álcool deforma o caráter, tira sua censura e você passa a não dominar mais a sua vida. Dali para frente, vale tudo”, descreve o metalúrgico, agora aposentado e dedicado ao trabalho voluntário no AA.

Na década de 1980, Silvério, que começou a beber aos 11 anos, foi internado numa clínica de dependentes e não consegue se esquecer do mal-estar que sentia depois que o “fogo” passava. “Tinha gastrite, muita tremedeira, e, assim que saí da clínica, passei num bar do Centro para tomar um copo de cachaça e ficar melhor”, lembra o metalúrgico, que bebia desde as 6h30. A mudança veio há 29 anos com a certeza de que, daquele jeito, não veria os filhos, na época com 4, 5 e 6 anos, crescerem. “O único requisito exigido pelos Alcóolicos Anônimos é o desejo de parar de beber. O alcoolismo não tem cura, mas meu remédio é evitar o primeiro gole e frequentar as reuniões do grupo”, conta.

SERVIÇO

Alcoólicos Anônimos

(31) 3224-7744


PALAVRA DE ESPECIALISTA

"A pessoa fica agressiva"

Valdir Campos (psiquiatra)

O álcool é um depressor do sistema nervoso central e atua principalmente no sistema de recompensa cerebral, área responsável pelo planejamento, tomada de decisão e controle dos impulsos. Quem bebe fica mais exposto aos riscos, pois a substância age nos neurotransmissores e altera a capacidade de responder aos estímulos. Também torna a pessoa mais agressiva, facilitando o envolvimento em brigas e violência. Na primeira fase, a pessoa fica expansiva. Depois, irritada e agressiva. Por fim, tem vômitos e desmaios.


Publicidade