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Estado de Minas

Transporte clandestino promove viagem de risco a Confins

DER faz pesquisa com passageiros e conclui que quase um terço deles já usou veículos clandestinos para ir ou voltar do aeroporto. Tarifa cara de táxi é uma das principais queixas


postado em 17/07/2012 06:00 / atualizado em 17/07/2012 07:03

 

Cerca de 3 mil pessoas usam o transporte clandestino ou irregular diariamente para se deslocar até o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A estimativa é do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG), com base em pesquisa divulgada ontem, feita com passageiros do terminal para avaliar o sistema de transporte até o aeroporto e até os destinos de cada um. Durante sete dias de aplicação dos questionários, 3,2 mil pessoas responderam às perguntas, 17,6% disseram já terem usado transporte clandestino e 12,6% não completaram essa parte, o que, para o DER, indica que também são ou já foram usuárias dos “piolhos”, carros que transportam os viajantes sem autorização. No total, o percentual chega a 30,2%.

A pesquisa mostrou ainda que a opção preferida dos passageiros que embarcam e desembarcam em Confins é o ônibus, seguido pelo carro particular, em segundo lugar, e pelo táxi, em terceiro. Esse é o cenário que expressa a preferência de quem vai viajar ou de quem chega de viagem. O que mais chama a atenção é que o táxi ocupa o terceiro lugar, com 15,75% da preferência na ida e 12,63% na volta, proporção praticamente igual à que mostra a opção pelo transporte clandestino. Para o DER/MG, isso prova que os táxis regulares e os “piolhos” praticamente dividem os passageiros que demandam o carro pequeno.

“Poderíamos ter todos esses passageiros no táxi regularizado se a tarifa fosse mais barata. Se continuar dessa forma, será uma luta pesada trazer os passageiros do clandestino para o legal”, diz o diretor de Fiscalização do DER/MG, João Afonso Baeta. Segundo o órgão, o valor médio da tarifa de táxi do aeroporto para Belo Horizonte é R$ 103. De fato, a pesquisa mostrou que quase 70% dos entrevistados avaliaram esse custo como muito caro ou caro, enquanto há indícios de que os “piolhos” cobram metade do preço para fazer o mesmo trajeto. Como o questionário também revelou que quase metade dos entrevistados tem renda de até 5 mínimos por mês, esse valor acaba ficando incompatível com o praticado pelos taxistas.

O estudante David Guimarães, de 22 anos, usa o terminal em Confins duas vezes por mês e já optou por várias possibilidades de transporte, como carro particular, ônibus e táxi. Também já foi abordado várias vezes pelos clandestinos, mas não se aventurou. Para ele, o sistema de transportes entre a capital e o aeroporto precisa ser aperfeiçoado. “Os horários dos ônibus precisam ser ampliados e o governo deve estudar uma forma de aumentar a demanda dos carros menores como prestadores desse serviço e diminuir o preço das tarifas. Tem muita gente que prefere assim, pela facilidade com as malas”, garante o estudante. Segundo ele, do jeito que está quem sai prejudicado são os passageiros. “É insuficiente e não atende às necessidades das pessoas”, completa.

Alternativa para baixar as tarifas

Taxista há três anos, Jamil Cavanellas, de 59, acredita que o valor cobrado pelo táxi entre BH e o terminal poderia ser reduzido caso um problema antigo terminasse. Hoje, o taxista de Belo Horizonte só pode levar o passageiro até o terminal e não pode levar ninguém na volta, assim como os taxistas de Confins e Lagoa Santa, na Grande BH, podem pegar quem desembarca e levar até a capital. Porém, eles não podem voltar com passageiros para o aeroporto. “Se acabasse com isso, poderia diminuir a tarifa. Para ir cheio e voltar vazio esse valor é o justo”, diz o taxista. Ainda segundo ele, uma mudança nas regras poderia melhorar a demanda. “Ia resolver parte dos problemas da falta de táxis”, completa.

Como o “piolho” se infiltra no estacionamento e leva pessoas tanto na ida quanto na volta, ele acaba conseguindo abaixar consideravelmente o preço praticado pelo serviço regular. Segundo o DER/MG, nas últimas duas operações do órgão contra os clandestinos foram  abordados 740 veículos  e 36 “piolhos” presos. Eles também foram multados em R$ 1.164,55 e tiveram os veículos apreendidos.  Ainda segundo o diretor, o perfil do ilegal varia em quatro vertentes. São motoristas regulares de táxi de Lagoa Santa e Confins que compram carros particulares e colocam outras pessoas para dirigir, ex-motoristas de locadoras de carros e empresas de turismo que migram para essa área, pessoas que começam a se organizar em redes sociais e criminosos, que se aproveitam para roubar passageiros.

A reportagem tentou contato com o Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Minas Gerais (Sincavir/MG), mas ninguém foi encontrado para comentar a pesquisa. A Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop), responsável por regular o transporte intermunicipal, informou que os resultados da pesquisa ainda serão avaliados pelo órgão.


FALA, PASSAGEIRO
O que você acha do transporte PARA CONFINS?

O que você acha do sistema de transporte que serve o Aeroporto Internacional Tancredo Neves?


(foto: Euler Júnior/EM/D.A PRESS)
(foto: Euler Júnior/EM/D.A PRESS)

1) Fábio Júnior Rocha, 22 anos, estudante
Pagar R$ 90 em um táxi é muito caro. O ônibus têm um valor mais em conta, mas já entrei em um ônibus do Conexão Aeroporto que não estava em boas condições. Porém, da mesma forma, já peguei excelentes ônibus da mesma linha.

 

 

2) Tatiana Oliveira, 30 anos, assistente geriátrica
Acho péssimo. No aeroporto não tem nenhuma informação sobre meios de transporte para Belo Horizonte e o valor da passagem de táxi é um absurdo. Uso mais o ônibus Conexão Aeroporto, que é mais em conta. Já fui abordada algumas vezes por clandestinos, mas achei melhor não entrar.


(foto: Euler Júnior/EM/D.A PRESS)
(foto: Euler Júnior/EM/D.A PRESS)

3) Gaudino José Dias, 75 anos, guia de turismo
Bom mesmo seria se tivesse um metrô que ligasse o aeroporto à capital. O ônibus tem um bom preço, mas é menos acessível, principalmente quando você está cheio de malas e também com a família toda. Já o táxi é muito caro.
 


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