
A Paróquia São José terá que apresentar com urgência à Diretoria de Patrimônio da Fundação Municipal de Cultural (FMC) um cronograma de implantação de medidas de proteção a serem tomadas na igreja e seu entorno, conforme determinação do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural. Nessa quarta-feira, o Diário Oficial do Município (DOM) publicou a Deliberação 048/2012, que traz, entre os aspectos mais polêmicos, a determinação de “retirada imediata das áreas de estacionamento existentes nas vias de acesso localizadas no jardim e juntos às fachadas do templo”, conforme o Estado de Minas publicou na semana passda. Além do fim das 140 vagas para veículos, que geram receita mensal de quase R$ 30 mil, terão que ser removidas a Livraria Vozes e a guarita de acesso ao estacionamento. De acordo com o DOM, são “edificações que impactam de maneira significativa o conjunto de edifícios tombados”.
O plano diretor da igreja foi aprovado pelo conselho, mas com ressalvas. A paróquia terá que restaurar um muro de arrimo; fazer um estudo para relocação de antena de telefone celular; fazer revisão e manutenção das espécies arbóreas existentes no jardim; remover passagens e coberturas inadequadas; demolir dependências que atualmente se encontram em situação irregular com a Prefeitura de Belo Horizonte; retirar o asfalto e retornar com o piso de paralelepípedo, com elaboração do projeto de acessibilidade; entre outras.
Prioridade
A diretora de Patrimônio da FMC, Michele Arroyo, disse que o cronograma é prioridade máxima, a paróquia terá que apresentar o mais rápido possível. “Há muitos puxadinhos feitos ao longo do tempo e inadequados ao conjunto arquitetônico, por isso terá que ser feita a requalificação do espaço”, afirmou. Michele lembrou que a paróquia poderá buscar recursos por meio de uma série de mecanismos, como o programa Adote um Bem Cultural, da prefeitura; leis de incentivo; fundos do patrimônio; e transferência de direito de construção.
Segundo o vigário paroquial Flávio Leonardo Santos Campos, a elaboração do cronograma será feita nos próximos dias com apoio da Diretoria de Patrimônio. “Contratamos um arquiteto para fazer o plano diretor e ele vai nos auxiliar também nesse trabalho”, disse o vigário, lembrando que buscou informações jurídicas para encaminhar este processo. Na segunda-feira, os religiosos da São José recorreram à Câmara Municipal para tentar evitar o fechamento imediato do estacionamento, cuja cobrança mensal pelas vagas custeia a obra social. Durante a reunião com o presidente do Legislativo, vereador Leo Burguês, o padre Flávio foi informado de que haverá, no dia 4, na Câmara, uma audiência pública para discutir a questão. O argumento do conselho é de que o espaço interfere no conjunto arquitetônico tombado em 1991, reduzindo a visibilidade do templo, além de descaracterizar o uso original da via e comprometer a circulação de pedestres.
