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Estado de Minas

Concorrência e queda de braço pelas novas placas de táxi em BH


postado em 25/02/2012 06:00 / atualizado em 25/02/2012 07:13

 

O novo regulamento dos táxis foi anunciado ontem, junto com a abertura da licitação de 605 permissões para o serviço. As licenças serão divididas em dois modelos, sendo 545 para táxis convencionais e 60 acessíveis, destinados a atender, das 6h às 20h, exclusivamente pessoas com dificuldade de locomoção. Conforme o Estado de Minas antecipou na edição de terça-feira, a licitação pode ser o primeiro passo para o fim de uma queda de braço entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o Ministério Público estadual, que questiona judicialmente permissões concedidas nos últimos anos sem concorrência pública.

Segundo o edital, que pode ser consultado gratuitamente na internet (www.bhtrans.pbh.gov.br), as permissões terão prazo de validade de 25 anos, sendo pessoais e intransferíveis. Na disputa, interessados podem ser beneficiados pelo tempo de experiência como taxista, pela boa conduta no trânsito e pelas condições do veículo. No caso dos veículos convencionais, podem concorrer pessoas físicas de todo o país que não sejam empregados ou terceirizados do município, não tenham transferido a permissão de táxi nos últimos cinco anos, não tenham sido cassados como taxistas no mesmo período e não tenham se aposentado por invalidez.

Já os táxis acessíveis serão divididos em seis lotes e poderão ser disputados por pessoas jurídicas. Os carros terão de ser adaptados com elevador para atender um público de 165 mil pessoas que, segundo a BHTrans, apresentam deficiência motora na capital.

As inscrições para as 605 placas serão abertas em 16 de abril e o cadastro poderá ser feito até as 23h59 do dia 21 do mesmo mês. Os envelopes com a proposta técnica serão abertos em 4 de maio e os vencedores terão de pagar
R$ 5 mil para ter direito à exploração do serviço público de transporte por táxi.

Todos os detalhes do edital de licitação estão sob análise do Ministério Público. “Até agora, posso dizer que o edital de licitação está de acordo com as solicitações do MP e caminhamos para um acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte. Os antigos permissionários que participarem e vencerem a atual licitação poderão renunciar à autorização que está sendo questionada judicialmente e assumir a nova permissão. Com isso, nossa expectativa é de que essa experiência sirva como referência para que o município faça uma grande concorrência pública e, assim, saneie as permissões irregulares”, diz o promotor Leonardo Duque Barbabela, coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais.

O MP pressiona a prefeitura para a abertura de licitação desde 1999, quando os promotores começaram a cobrar da administração municipal a expansão da concorrência para todo o serviço e não somente para os novatos. Grande parte das permissões foi concedida antes da Constituição de 1988, quando foi atribuído ao município a responsabilidade sobre o transporte público, e da criação da BHTrans, em 1991. Até hoje, o único processo licitatório ocorreu em 1995. Em 2001, o Ministério Público cansou das negociações e entrou com ação contra o poder público municipal.

Em junho de 2010, uma sentença de primeira instância determinou que até 31 de dezembro fosse aberta licitação de permissões para todo o sistema de táxi. A PBH recorreu e o caso está no Tribunal de Justiça. Com a licitação de todo o serviço público, a promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Minas espera o fim do mercado clandestino de placas, que anualmente negociaria 300 permissões, ao preço de até R$ 140 mil. Já por parte da prefeitura, a expectativa é de que a nova licitação acalme os ânimos dos promotores e de que seja feito um acordo para pôr fim ao impasse.


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