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Estado de Minas

Filho mais velho da procuradora implorou ao segurança que salvasse sua mãe

Garoto completou 7 anos nessa sexta-feira, dia em que os pais foram enterrados. Procuradora pediu ajuda da babá dizendo que seu marido queria matá-la.


postado em 04/02/2012 06:00 / atualizado em 04/02/2012 17:50

Girlene Fastor protegeu as crianças durante o crime e continua cuidando delas na casa da avó materna(foto: Jackson Romanelli/EM/D.A Press)
Girlene Fastor protegeu as crianças durante o crime e continua cuidando delas na casa da avó materna (foto: Jackson Romanelli/EM/D.A Press)

O depoimento prestado à polícia pela babá Girlene Fastor, de 34 anos, dá detalhes do clima de horror que tomou conta da mansão do casal Ana Alice Moreira de Melo e Djalma Brugnara Veloso na madrugada de quinta-feira. Girlene contou aos policiais que a procuradora federal gritou por socorro e pediu que ela ligasse para a polícia quando começou a ser atacada pelo marido. O pedido foi em vão: quando Girlene – que estava trancada no quarto com as crianças – voltou à suíte do casal encontrou Ana Alice caída em um dos cantos do cômodo em meio a uma poça de sangue. A  babá, que já havia pedido uma viatura policial, ligou para a portaria do condomínio para saber se Djalma Brugnara já havia saído.

O segurança André Luiz dos Santos, de 30 anos, estava de plantão e conta que minutos depois da saída do empresário do condomínio recebeu o telefonema da babá. “Ela estava muito nervosa, dizendo que ia chegar um carro da polícia e que era para deixar entrar. Perguntei o que estava acontecendo, pois sou o segurança do local, e ela disse: ‘Sobe aqui pelo amor de Deus’. Cheguei lá e estava tudo muito silencioso. Coloquei a lanterna na maçaneta da porta principal e vi que estava manchada de sangue. Empurrei a porta com a lanterna e entrei. Vi rastros de sangue pela sala e, pelo tamanho das pegadas, eram de um homem. Fui acompanhando as pegadas e quando cheguei ao quarto do casal a porta estava aberta. Ana Alice estava caída no chão, ele a machucou muito”, lamentou.

O segurança se emociona ao lembrar a cena do filho mais velho do casal, que completou 7 anosnessa sexta-feira . “O menino estava aos prantos e me pedia: ‘Moço, salva a minha mãe, moço, tem um homem matando a minha mãe’. Acho que ele não sabia que era o próprio pai que estava lá. A criança menor também chorava muito e a babá a abraçava, tentando acalmá-la. Mas ela também não conseguia se acalmar”, disse André.

André acredita que Ana Alice lutou muito para se defender das facadas. “Tudo estava revirado. Houve muita luta no quarto". A cena de filme de terror ficou gravada na memória, segundo o segurança, que, embora treinado para lidar com situações como essas, não parou de pensar no filho dele, de 8 anos, que estavam em casa à sua espera. “Fiquei com muita penas das crianças da dona Alice. Perderam mãe e pai de uma vez. A família tem dinheiro, tem casa boa, carros de luxo, mas nessas horas não tem nada. A violência está em qualquer lugar”, disse André.

Trancados no quarto com a babá, crianças ouviram o pedido de ajuda desesperado da mãe ao ser atacada(foto: Reprodução/Facebook )
Trancados no quarto com a babá, crianças ouviram o pedido de ajuda desesperado da mãe ao ser atacada (foto: Reprodução/Facebook )

Crianças perguntam pelos pais
Na falta da mãe, os filhos de 3 e 7 anos da procuradora Ana Alice Moreira de Melo, recebem, além do cuidado dos parentes, o carinho da babá Girlene Fastor, de 34, que dividiu com eles os momentos mais difíceis dessa tragédia que marcará para sempre a história das crianças.

Quando o pai dos meninos entrou na mansão de madrugada, e a mãe desesperada gritava por socorro dizendo que seria morta, a primeira reação de Girlene foi proteger as crianças, se trancando em outro quarto com elas.

Nessa sexta-feira, Girlene prestou suas últimas homenagens à patroa, no cemitério Bosque da Esperança. Ela foi levada por uma pessoa ligada à família e demonstrava muita tristeza. Disse, mais tarde, que não poderia falar com ninguém, seguindo orientação de uma advogada da família da vítima.

Do cemitério, a babá seguiu para a casa da avó materna das crianças. Embora tenha recebido a orientação para não falar com a imprensa, a babá disse que os filhos do casal estão inconsoláveis. “Eles estão muito abalados e perguntam pelos pais o tempo todo”, disse Girlene.

A babá relatou à Polícia Militar que Ana Alice e Djalma Brugnara estavam separados há duas semanas e que ele estava morando em outra residência no mesmo condomínio. (PF)


Empresário passaria carnaval na Bahia

Cerca de 12 horas antes de assassinar a esposa Ana Alice, o empresário Djalma Brungnara fez reservas em uma agência de viagens para o carnaval. Ele ligou para a empresa por volta das 16h de quarta-feira e reservou um pacote para o período de 16 a 21 de fevereiro no Arraial D’ajuda Ecoresort, um dos mais luxuosos do Sul da Bahia, nesse distrito de Porto Seguro. O pacote era para duas pessoas.

A revelação é de um agente de viagens que se disse amigo do empresário. Ele pediu para não ser identificado e confessou que está estarrecido com o acontecido, visto que Djalma era também um cliente antigo e parecia viver muito bem com a esposa. “Ele era um cara muito ativo. Nunca poderia imaginar isso. Quando perguntei se eram apenas duas pessoas, já que o casal sempre viajava com os dois filhos, ele disse que estava em processo de separação da mulher. Não perguntei quem era a outra pessoa e fiz a pré-reserva em nome dele”, afirmou.

“Na quinta-feira, antes de saber do acontecido, liguei para o telefone dele para dizer que estava tudo OK, mas ele não atendeu. Então deixei recado. O Djalma sempre viajava com a família e nos pagava em prestações, com cheques pré-datados. Ainda tenho cheques dele aqui, da última viagem”, acrescentou.

Sem despertar qualquer suspeita

Segundo o segurança do condomínio Vila Alpina, André André Luiz dos Santos, por volta das 20h de quarta-feira Djalma chegou em seu veículo branco, aparentemente tranquilo. Por volta das 4h de quinta-feira, o empresário voltou à portaria e também parecia tranquilo. “Me deu boa noite e eu o respondi. A cancela demorou um pouco para abrir, ele passou com o carro em baixa velocidade e acelerou depois. Ele usava uma camisa branca e não deu para ver se estava manchada de sangue. Não desconfiei de nada. Ele e Ana Alice sempre foram muitos educados com a gente”, disse o segurança.

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