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Estado de Minas

Após temporal, falta de energia virou ameaça à rotina de moradores

Falta de energia virou ameaça a festa de casamento em salão da capital. No comércio houve risco a produtos gelados, além da impossibilidade de uso das máquinas de cartão


postado em 11/06/2011 07:00 / atualizado em 11/06/2011 07:00

Com problema na rede elétrica, Dirma Teixeira, funcionária do bufê, no Bairro Gutierrez, não sabia se a comemoração dos noivos seria mantida para a noite de ontem(foto: MARCOS VIEIRA/EM/D.A PRESS)
Com problema na rede elétrica, Dirma Teixeira, funcionária do bufê, no Bairro Gutierrez, não sabia se a comemoração dos noivos seria mantida para a noite de ontem (foto: MARCOS VIEIRA/EM/D.A PRESS)


Sonhos perto de virarem pesadelos, prejuízos financeiros e dor de cabeça fizeram parte de uma sexta-feira marcada pela apreensão. Um dia depois do vendaval de 72km/h que apagou as luzes de casas e comércios de cerca de 1 milhão de moradores da região metropolitana, no início da tarde, 10% desses consumidores, o equivalente a 30 mil imóveis, continuavam a viver num completo breu, com a falta de luz e informação. Esse número foi reduzido para 10 mil domicílios e estabelecimentos comerciais nas primeiras horas da noite.

Num salão de festas do Bairro Gutierrez, na Região Oeste de Belo Horizonte, até o início da noite o temor era de que a comemoração do casamento marcado há oito meses tivesse que ocorrer à luz de velas e sem música. Isso porque a carga de energia elétrica que voltou a ser fornecida, no início da tarde, era insuficiente para ligar ao menos um computador. “O freezer não funciona, a boate nem o som. Estou tentando solucionar o problema de todas as formas. Afinal, a noiva depositou a confiança em mim. A questão é que ligamos para a Cemig e eles respondem que o problema é na cidade inteira. A energia vai e volta o tempo todo. Imagine um casamento sem luz?..”, lamentava a proprietária do salão, Cíntia Cavalcante.

Às vésperas do Dia dos Namorados, a dona de uma loja de sapatos no Gutierrez, Daisy Cheib, viu o estabelecimento vazio durante todo o dia. “Ninguém entra. Hoje, que, normalmente, seria um dia bom, está parado”, contabilizava. Transtorno parecido ao do dono de uma lotérica no Bairro Prado, também na Região Oeste. “Ficamos fechados até as 14h e agora a energia voltou fraca, não dá para funcionarmos na capacidade máxima. O resultado é essa fila enorme”, queixava-se Kleber Sampaio Drumond, lembrando que o pagamento das contas ocorre, normalmente, no início do mês.

24 horas

Os bairros mais afetados, de acordo com a Cemig, foram o Barroca, Gutierrez e Padre Eustáquio, na Região Noroeste, Planalto, na Região Norte, e Santa Cruz, na Nordeste. Mas houve também registros de falta de energia por mais de 24 horas em bairros como Céu Azul, em Venda Nova, e Santa Lúcia e Colégio Batista, na Região Centro-Sul, além da região do Barreiro. Na Grande BH, a situação não havia sido normalizada em Brumadinho, Igarapé, Juatuba, Mateus Leme, Vespasiano, Nova Lima e Contagem.

A previsão da Cemig, que mobilizou 500 técnicos, era de que até o fim do dia o conserto dos fios partidos por quedas de árvores sobre a rede elétrica estariam concluídos. Mas, posteriormente, a empresa já não estabelecia mais prazos. O engenheiro eletricista Paulo Crepaldi, professor do Centro Federal de Educação Tecnológico de Minas Gerais (Cefet-MG), acredita que a estrutura da rede contribuiu para o caos. “A rede elétrica é desprotegida e, além disso, não se faz poda de árvore na cidade. Deveriam passar a rede para subterrânea”, defendeu. Morador do Bairro Buritis, ele também ficou mais de 20 horas sem luz em casa.


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