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Estado de Minas

Gerente de pousada garante que lareiras são vistoriadas periodicamente


postado em 22/03/2011 06:52 / atualizado em 22/03/2011 06:58

Depois dos trabalhos iniciais, peritos da Polícia Civil voltaram para examinar chalé onde ocorreram mortes e recolher restos de lenha e cinzas(foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
Depois dos trabalhos iniciais, peritos da Polícia Civil voltaram para examinar chalé onde ocorreram mortes e recolher restos de lenha e cinzas (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)

A divulgação do laudo que revela alta concentração de monóxido de carbono no sangue dos namorados Gustavo Lage Caldeira Ribeiro, de 23 anos, e Alessandra Paolinelli de Barros, de 22, encontrados mortos na quinta-feira na pousada Estalagem do Mirante, coincidiu com a mudança de postura da direção do estabelecimento ao tratar do assunto. Antes avessa à presença de repórteres nos chalés, a direção decidiu permitir a entrada da imprensa em aposentos idênticos aos usados pelas vítimas, mantendo isolado somente o ambiente onde foram encontrados mortos os universitários.

O atestado que sugere a intoxicação como possível causa das mortes é uma das peças-chave para desvendar o mistério. Diante dele, a direção da Estalagem, situada na Serra da Moeda, em Brumadinho, na Grande BH, decidiu abrir suas dependências, embora tenha proibido filmagem e fotografias. “Não temos nada a esconder. A vontade é esclarecer a verdade e a pousada se coloca à disposição para qualquer tipo de dúvida”, afirma o gerente noturno, Raimundo Jacinto, ressaltando que a causa da morte ainda não foi determinada e que faltam perícias para confirmar a suspeita.

A Polícia Civil trabalhava com as hipóteses de homicídio e suicídio, mas elas foram logo descartadas pelo laudo de necropsia, na quinta-feira. No dia seguinte, peritos retornaram à estalagem para avaliar o funcionamento da lareira, de onde recolheram cinzas e parte da lenha, para análise técnica no Instituto de Criminalística. Exames nos corpos indicaram a presença de carboxihemoglobina no sangue, em níveis superiores a 60% nos dois organismos.

Uma das possibilidades é de que as mortes tenham ocorrido devido às condições em que a lareira foi usada. Num ambiente fechado, o casal teria ido se deitar, aproveitando o aquecimento. Com a chalé fechado, o gás teria se acumulado, ao mesmo tempo em que o oxigênio não era renovado. “A obstrução da chaminé pode ter impedido a saída dos gases. Ventos contrários também podem ter interferido na exaustão”, afirma o ex-diretor do Departamento de Medicina Legal da Unicamp Fortunato Badan Palhares.

Em manual de instruções apresentado pela direção da pousada, que estaria disponível em todos os chalés, é descrito um passo a passo para uso da lareira, com garantia de que testes periódicos em condições adversas garantiriam seu perfeito funcionamento. Na linha seguinte, um alerta em letras destacadas diz que é necessário “manter as chamas acesas e/ou um volume de brasas cujo calor produzido seja suficiente para que a fumaça suba pelo duto da chaminé”. E a série de recomendações acrescenta que “em dias de ventos fortes, todos esses cuidados são ainda mais importantes”.

O gerente argumenta que a pousada, em oito anos de funcionamento, com média mensal de 250 hóspedes, sempre manteve o manual à disposição e nunca teve problemas com as lareiras. As duas suítes mais requintadas são equipadas com instalações a gás, enquanto as outras 14 têm lareira a lenha, caso dos aposentos em que estavam os universitários. “A lareira é um dos atrativos. Nunca imaginava que uma fatalidade pudesse acontecer”, disse o funcionário, ressaltando que periodicamente uma equipe de manutenção faz revisão do sistema e que as camareiras são instruídas a verificar a condição das lareiras a cada vistoria.

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