Em Cataguases, no elegante Centro Cultural Humberto Mauro, está o Memorial Humberto Mauro, inaugurado em 15 de dezembro de 2007. A história do cineasta é contada em meio a objetos pessoais, equipamentos, textos bem editados, troféus e, principalmente, o acervo dos numerosos filmes que ele produziu. Entre eles, os preferidos do diretor: Thesouro perdido, Favela de meus amores, Ganga Bruta e O canto da saudade, o último de seus longas metragens.
“Este memorial oferece ao visitante grande exposição multimídia que proporciona um passeio afetivo pela vida e obra de Humberto Mauro e sua história, que é a própria história do cinema brasileiro”, escreveu Mônica Botelho, presidente da Fundação Cultura Ormeo Junqueira Botelho, responsável pelo centro cultural e pela implantação do memorial.
Nas ruas de Cataguases, mais presença do ex-morador ilustre. Logo no início da avenida que leva seu nome está o Monumento Humberto Mauro, que tem assinatura de Amilcar de Castro. “Esta é avenida mais bonita da cidade”, orgulha-se Leni Célia Oliveira Tavares, coordenadora do Centro Educacional Humberto Mauro. Até há cinco anos, o educandário era chamado de Pré-Escolar Sementinha. “Fizemos uma homenagem a Humberto Mauro, porque pesquisamos e vimos que, no Brasil, não existia escola com o nome dele”, conta a coordenadora.
Os alunos da escola, todos com até 6 anos, aprendem sobre o cineasta e visitam o memorial. “A gente explica quem foi Humberto Mauro e levamos as crianças ao memorial. Elas ficam curiosíssimas”, garante Leni. Os meninos contam, animados, o que viram na visita. “Ele criava cinema, criava filmes”, ensina o pequeno Leonardo, de 6 anos. Em datas como 7 de setembro, as crianças vestem-se de Humberto Mauro. No cotidiano, brincam de fazer cinema. “Fazemos uma ‘filmadora’ em caixa de sapato, com um cano de PVC, para os meninos olharem do outro lado”, diz a coordenadora.
Em Volta Grande também tem Avenida Humberto Mauro e a cidade abriga a casa em que ele passou seus últimos anos e o estúdio Rancho Alegre, construído por ele em 1952. “Humberto Mauro é a referência de tudo aqui”, afirma o comerciante Luiz Flávio de Castro André, que deve assumir a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer do município. Mas, infelizmente, os imóveis estão em péssimo estado de conservação, em situação de abandono.
“É preciso acabar com esse elefante branco, não temos como manter”, lamenta o engenheiro aposentado Humberto Mauro Filho, o Betinho, que mora bem ao lado do estúdio Rancho Alegre. “Para a gente conservar, não dá. Queremos vender porque não temos condição de reformar”, confirma a nora do cineasta, Iracema Mauro. Eles lamentam que o telhado do estúdio já ameace desabar e que a casa corra risco de depredação, uma vez que o lado interno está como Humberto Mauro deixou. Um dos temores da nora do cineasta é “algum vândalo colocar fogo”.
Luiz Flávio André garante que cuidar do acervo deixado pelo filho ilustre é um objetivo da próxima administração: “Isso será prioridade, como vai ser prioridade reconstruir o Cine Humberto Mauro”. O cinema foi transformado em uma oficina do Senai. A idéia principal dos filhos é que a prefeitura ou outra instituição adquira os imóveis para garantir a preservação. “A cidade tem toda vontade de resgatar. A idéia é transformar tudo num centro de cultura”, diz Luiz Flávio, pensando na possibilidade de atrair turistas a Volta Grande.
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