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Estado de Minas

Morto e sepultado reaparece vivíssimo em BH

Desaparecido há um mês, morador de rua assusta parentes ao voltar para casa uma semana depois do velório e do enterro


postado em 29/11/2008 08:06 / atualizado em 08/01/2010 04:00

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)
Um homem de 63 anos, dado como desaparecido há um mês, foi localizado na sexta-feira da semana passada pela Polícia Civil e teve uma surpresa nada agradável quando retornou para casa, no Bairro Marajó, Região Oeste de Belo Horizonte. Ele já tinha sido velado e enterrado pela família, amigos e vizinhos. O morto-vivo, cujo nome não divulgado pela polícia, foi confundido com o corpo de um sósia no Instituto Médico Legal (IML).

Uma irmã desmaiou ao reencontrar o “falecido” e houve gente na rua que achou que estivesse diante de uma assombração. A semelhança do homem morto com o que estava desaparecido era tanta que ninguém que esteve no velório desconfiou de nada. O alvoroço na rua foi geral quando o homem, que todos julgavam morto, reapareceu esbanjando saúde, provocando um clima de medo, surpresa e felicidade.

A Polícia Civil somente conseguiu esclarecer o equívoco depois que uma moradora do Bairro Universitário, na Região da Pampulha, pediu apoio para tentar localizar os parentes de um morador de rua que todos da região ajudavam dando alimentos e roupas. Ao pesquisar nos seus arquivos, a polícia constatou que havia uma queixa de desaparecimento dele, levando-o de volta para a casa onde mora com uma irmã e outros parentes. Ele é solteiro e não tem filhos.

O diretor do IML, José Mauro de Morais, reconhece que é possível o corpo de um desconhecido ser confundido com o de outra pessoa, pela semelhança física. Segundo ele, quando o instituto recebe um corpo sem identificação, ele é fotografado primeiro e depois identificado pela impressão digital, por meio do Instituto de Identificação, que também faz o exame da arcada dentária para comparar com fichas odontológicas. Depois, na necropsia, são colhidos materiais para futuros exames de DNA. “Esse corpo é descrito num documento conhecido como Auto de Reconhecimento, onde consta a estatura, a cor da pele, dos olhos, dos cabelos, o sexo, cicatrizes e outros sinais particulares do desconhecido, além das vestes, data de entrada e tempo provável de morte”, disse José Mauro.

Todas as informações do corpo são encaminhadas ao serviço de relações públicas e de assistência social do IML. Quando uma família chega e diz que um parente está desaparecido, depois de procurar em hospitais e delegacias, o IML fornece todas as características da pessoa para a assistência social. “Se esses dados combinam com a descrição do cadáver, a assistente social mostra a fotografia. Se a família reconhece pela foto, é mostrado o corpo. A lei exige, além do reconhecedor, mais duas testemunhas de que realmente é aquela pessoa. Se as três confirmam, o Auto de Reconhecimento é entregue à família, que vai a uma autoridade policial ou judiciária para ser feito um termo”, disse o diretor do IML.

Com o documento, a autoridade faz um ofício ao IML ordenando a entrega do corpo para sepultamento. “Se o desaparecido tiver um sósia, com as mesmas características físicas, é possível que haja engano, mas isso não é comum”, disse José Mauro. Ainda de acordo com ele, por lei, todo corpo de desconhecido tem o direito de ser sepultado pelo município, depois de 30 dias aguardando identificação ou reconhecimento no IML. No caso de um desconhecido ser enterrado por engano, não há necessidade de exumação, porque todas as suas características físicas e material genético já estão arquivados. O IML de Belo Horizonte tem capacidade para 72 corpos. Por ano, a média é de 1,1 mil desconhecidos. No ano passado, 1.014 deles foram reconhecidos.


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