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Estado de Minas Arte final

Carnaval faz grandes e pequenos pularem atrás do faturamento


22/01/2023 04:00

Carnaval de rua de Belo Horizonte
O Carnaval de rua de Belo Horizonte é considerado o terceiro melhor do país (foto: Prefeitura/Belotur/Divulgação)

 
"Ei, você aí! Me dá um dinheiro aí! Me dá um dinheiro aí!" O refrão da marchinha de grande sucesso do Carnaval, gravada pelo carioca Homero Ferreira em parceria com seus irmãos Glauco e Ivan Ferreira, no ano de 1960, parece ser o lema do Carnaval 2023 em Belo Horizonte. Depois de dois anos sem folia liberada, devido à crise sanitária do Covid-19, a difícil situação econômica do país ainda estabelece barreiras para investidores. Mas o comércio popular espera soltar o grito e tirar a barriga da miséria, para recuperar os prejuízos dos anos sem folia. 

NÚMEROS A capital mineira espera não perder o ritmo e já se agita com o pré-carnaval. A cidade vinha se consolidando como um dos melhores carnavais de ruas. Mas teve o embalo interrompido com a suspensão da festa momesca em todo o país na fase aguda da pandemia. Agora, apesar de nem tudo estar liberado - as variantes do Covid ainda circulam por aí - a expectativa da Belotur é de que os quatro dias de folia reúnam mais de 5 milhões de pessoas nas ruas da cidade. No último Carnaval, antes da pandemia, o público foi cerca de 4,5 milhões de foliões, arrastados por quase 350 blocos e 390 cortejos, de acordo com a Prefeitura de BH. A organização contou com cerca de 2 mil guardas municipais e de 9 mil policiais militares, números que deverão ser repetidos este ano. Foram autorizadas 14.696 credenciais para ambulantes. Mas estima-se que ao menos 25 mil pessoas estiveram trabalhando de alguma forma nas ruas. E para manter a "casa em ordem", cerca de 1.500 garis trabalharam no ritmo da folia. 

MÃO NO BOLSO Com a "alegria reprimida" dos últimos anos, apesar da inflação, a previsão do sindicato dos bares, restaurantes e hotéis -SindiHBaRes - é que cada folião gaste em média de R$ 800 a R$ 1 mil por dia. A estimativa leva em conta, além de bebida e comida, gastos com transporte por aplicativo e táxis, hospedagem. A cidade está bem estrutura para receber turistas, uma vez que foi ranqueada como terceira melhor folia de rua brasileira, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. O sindicato representa, aproximadamente, 25 mil empresas de Belo Horizonte e Região Metropolitana.

OPORTUNIDADES Com desemprego e inflação em alta, a festa chega em boa hora para os pequenos comerciantes. Enquanto alguns pulam para se divertirem, outros mantêm os pés no chão para faturar algum dinheiro extra. O setor de bares, restaurantes e hotéis espera contratar mais cinco mil pessoas durante todo o ano. As contratações já começaram e devem se intensificar a partir de agora. O setor, no entanto, sempre reclama da falta de qualificação profissionais. 

CONSUMO A prefeitura lançou três editais que contemplam o Carnaval de 2023 e 2024, na expectativa de alcançar aporte financeiro de R$ 13,5 milhões, sendo R$ 6 milhões para este ano e R$ 7,5 milhões para o seguinte. Apesar da situação difícil, a Belotur já garantiu investimentos com recursos próprios de cerca de R$ 3,7 milhões na reestruturação da cadeia produtiva do evento. Escolas de samba, blocos caricatos e blocos de rua estão contemplados nesse pacote. Então, não perca tempo. Se você é de fora, faça logo sua reserva. Segundo o SindiHBaRes, 50% das reservas de quartos mais econômicos já está 50% ocupado para o período do carnaval. A diária pode custar de R$ 200 a R$ 500, dependendo do tipo de serviços. O preço pode cair, também, de acordo com o pacote negociado de três ou cinco dias, por exemplo. 

EU BEBO SIM... De acordo com a prefeitura de BH, a movimentação econômica prevista é de R$ 623 milhões, sendo R$ 320 milhões no setor de bebidas e alimentos. A previsão é que mais de nove mil vagas de emprego sejam geradas, além da atuação de 5 mil ambulantes credenciados. Mas fique atento para não errar no investimento. Para quem vai trabalhar nas ruas, os produtos que mais valem a pena investir são as bebidas e as comidas. As bebidas, especialmente as alcoólicas, estão entre os itens mais consumidos no carnaval. Estudo da consultoria Nielsen, realizado em 2020 (último ano de carnaval), mostra que as bebidas com maior potencial de consumo foram: cerveja (92%), destilados (24%), vinhos (20%), bebidas prontas (19%). Além disso, bebidas como água mineral e sucos, mais consumidas por crianças e adolescentes, tem peso relevante no consumo. Para repor as energias, lanches leves e rápidos são os mais consumidos nas ruas. 

COM QUE ROUPA? O comércio também está acelerado na demanda de fantasias e acessórios divertidos. Com a retomada dos blocos, a tradição manda caprichar no visual. As lojas especializadas estão otimistas e esperam faturar pelo menos três vezes que nos últimos anos. Por enquanto, as fantasias mais procuradas são: "clássicas", como pirata, colombinas, pierrôs; personagens de filmes e séries do momento; fantasias de super-heróis; as mágicas sereias e fadas; além das fantasias engraçadas inspiradas em memes. 

DE CARA PINTADA Outro setor que também sonha alta é de cosméticos e maquiagens. Elementos indispensáveis para quem vai "botar a cara na rua" é caprichar no visual. Por isso, vender produtos desse segmento é uma escolha acertada e que pode gerar um bom incremento de receita no faturamento da sua loja.  Ainda vale lembrar do protetor solar - indispensável não só no carnaval, mas também no verão. Além dele, hidratantes pós-sol, protetores labiais e outros itens relacionados à proteção e cuidado da pele terão consumo bem maior. E para fechar o leque de opções, os abadás personalizados estão em alta no mercado. Em vez de apostar em uma fantasia comum, muitos preferem customizar suas roupas. Uma boa oportunidade para o setor de serviço. 

CAMPANHAS No Carnaval, quando tudo é bem planejado a comemoração gera excelente resultado. A festa é popular também na propaganda e publicidade. Não só as grandes marcas lucram no período momesco. Existem ótimos exemplos de empresas pequenas que aproveitam o período de folia para lançar novos produtos, atingir mais clientes e melhorar seu posicionamento de mercado. Usar estratégias bem planejadas, recorrer a táticas de guerrilha, estabelecer contato direto com o consumidor são exigências comuns para o período. Uma delas é criar campanhas que explorem bem o visual carnavalesco descontraído. A linguagem das campanhas também deve ser mais leve e divertida. Assim, cuidado para errar perder o ritmo e desafinar, porque o povão vai colocar o bloco na rua "Com pandeiro ou sem pandeiro //Com dinheiro ou sem dinheiro". Afinal, tudo será Carnaval pelas ruas e avenidas de BH nos próximos dias. 


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