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Estado de Minas Moda

Alegria de viver

De Ponte Nova, na Zona da Mata, ela fez seu nome na moda no Rio de Janeiro, onde, há três anos, lançou uma marca de roupas


18/07/2021 04:00

(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)


“Quando você faz o que você ama, tudo aflora e vai pra frente.” Quem sente na pele a felicidade de ter escolhido a profissão certa é a mineira Erica Rosa, que demorou a descobrir seu caminho na moda, mas hoje se sente extremamente realizada como estilista. De Ponte Nova, na Zona da Mata, ela fez seu nome na moda no Rio de Janeiro, onde, há três anos, lançou uma marca de roupas. As peças, coloridas, versáteis e atemporais, são pensadas para alegrar o dia e virar curinga no closet.
Erica sempre trabalhou na área de vendas. Até que, quando se mudou para o Rio, seguindo o desejo antigo de morar em uma cidade grande e perto do mar, migrou para o design de interiores. Os projetos, que envolviam cores e criatividade, provocaram nela um turbilhão de emoções e a certeza de que precisava mudar de rumo. “Quis dar uma chacoalhada na vida, porque sentia que estava estagnada, e a vontade de fazer algo com as mãos continuava me chamando”, conta.
 
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
 
 
Bastou entrar no curso de moda para tudo se encaixar. “Quando comecei o curso, entendi o que queria da vida, ficou tudo muito claro. Foi algo mágico. Senti uma energia que nunca tinha sentido.” Nesse momento, ela se conectou com o passado em Ponte Nova e entendeu de onde vinha o seu dom. Quase todas as mulheres da família costuram e sempre trabalharam com isso. Uma tia-avó, inclusive, morou no Rio na década de 1940 e fez carreira como modista.
 
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
 
Logo que voltou de Florença, na Itália, onde concluiu o curso, Erica formatou a marca que leva o seu nome e se lançou no mercado. “Sou uma pessoa muito pra cima, muito alto-astral, e queria colorir o dia das clientes. Só desenho o que gosto de usar.” Não demorou para encontrar mulheres que se identificam com o seu estilo e o escritório, escondido dentro de um hotel, ficou pequeno.
Afinal, o que Erica gosta de usar? Nas palavras dela, uma roupa para sair de casa de manhã e voltar quando der. Que deixa a mulher linda, elegante e colorida a qualquer hora do dia. Além disso, uma roupa com o caimento e o conforto de tecidos naturais, como linho e seda.
 
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
 
 
Para explicar sua paixão por cores, a estilista volta aos tempos de criança. Aos 5 anos, vendo as compras da mãe, que era sacoleira, ela ficou deslumbrada com uma saia verde neon e não queria mais tirar do corpo. Hoje, refletindo sobre o seu trabalho, diz que as cores são sinônimo de alegria e não tem dúvida de que uma roupa colorida levanta o astral.
 
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
 
 
O verde neon marcou tanto a sua vida que sempre aparece nas coleções. O trench coat de neoprene fica bem chamativo nessa cor: tem modelagem clássica, mas ganha um toque de modernidade e ousadia. Esse mesmo tecido ilumina um conjunto de calça pantalona e quimono de veludo bege todo recortado a laser. Por baixo dele vemos pontos do verde neon, que é usado como um forro nada camuflado. “É uma roupa de inverno para ficar aquecida e aconchegante em casa, mas, se você levar para uma viagem ou usar em uma festa, vai ficar incrível.”
 
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
(foto: Wallace Cavalcant/Divulgação)
 
 
A marca não trabalha com coleções. Primeiro porque evita sobras de tecidos e peças encalhadas. Segue o ritmo das vendas e, assim, consegue ter novidades sempre. Segundo, porque faz uma moda atemporal. “Se vendo um produto que quero que a cliente tenha sempre no closet dela. Por que vou fazer coleção? Crio roupa para uma vida inteira ou até você enjoar. E, quando enjoar, vamos colocar um cinto, um bordado, vamos transformar a peça. É assim que trabalho”, explica.
 
Entre os clássicos, destaque para o macacão de linho Puro, o mais vendido. Tem corte reto, bolsos laterais e cós alto (que alonga a silhueta), mas o detalhe do decote, de um ombro só, é o que encanta à primeira vista. “Todo mundo que veste quer comprar. Tenho cliente que tem em todas as cores”, conta a estilista, que usa muito o azul-marinho. Outro exemplo é o macacão Ombreira, com manga longa, ombro levemente volumoso e faixa para amarrar na cintura.
 
O vestido longo de seda Pérola também é uma peça-chave da marca. Ganhou esse nome porque exibe botões de madrepérola de cima a baixo. Leve e fluido, tem detalhe em renda no decote, saia com transparência e alças ajustáveis com amarração. Já o blazer de linho Colors, no estilo boyfriend, veste homens e mulheres. A modelagem chama a atenção pela ombreira, quatro botões na frente, além de dois bolsos de um lado e um do outro, que geram uma curiosa assimetria.
 
A maioria das peças são lisas. Quase não se vê estampa (Erica está desenvolvendo uma fixa para a marca), mas os bordados sempre dão o ar da graça. No último lançamento, ela usou e abusou do morango, uma das frutas que mais ama. Além de linda e colorida, ela diz que é gostosa e perfumada.
Há morangos bordados a mão em todo o casaqueto de malha telada branca, que pode ser usado em várias sobreposições, seja com vestido, macacão ou blusa. O casaqueto de veludo, uma das raras peças na cor preta, se transforma com o vermelho e o verde da fruta nos ombros e nas mangas. Anéis e pulseiras de resina chamam a atenção pelos enfeites tridimensionais de morango.

NOVIDADES Todo mês a loja tem novidades, o que não significa que as roupas sejam 100% inéditas. Erica revisita sempre os seus modelos clássicos, muda um detalhe, escolhe outra cor, faz em outro tecido, e vai dando uma nova cara a peças que considera curinga no armário.
 
A estilista também reaproveita tudo o que encontra parado no estoque. O veludo do conjunto de quimono e calça pantalona, por exemplo, estava sem uso desde a primeira compra da marca. Até mesmo roupas prontas ganham nova vida quando demoram para encontrar uma compradora. A ideia é brincar com a peça, seja com bordado, pintando ou propondo um uso diferente.
 
Recentemente, ela fez um lançamento que recebeu o nome de Up Styling. Juntou todas as peças que estavam paradas no estoque, algumas únicas, refez todo o styling e fotografou um ensaio inédito. “Imprimimos um novo estilo nas peças e apresentamos novas formas de vesti-las. Uma saia virou vestido e ficou incrível. Com um olhar diferente, o produto ganha outra cara.” Erica incentiva as clientes a fazerem o mesmo em casa. O objetivo é nunca ter uma peça parada no closet.
 
A marca cresceu ainda mais na pandemia e hoje ocupa uma sala maior no Pestana Rio Atlântica, em Copacabana. O plano é abrir pontos de venda em outros hotéis da rede portuguesa pelo mundo. “Por estarmos em um hotel, conhecemos pessoas do mundo inteiro e observamos com mais facilidade a moda e o comportamento.” Futuramente, ela quer realizar o sonho de ter loja na Itália (onde tudo começou) e Ponte Nova (sua cidade natal), além de uma casa-ateliê no Rio para unir o varejo ao sob medida.


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