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Moda reforça a luta contra a COVID-19 com roupas que inativam o coronavírus

No momento em que o mundo busca soluções para combater o coronavírus, a indústria da moda dá sua contribuição lançando tecidos e peças de vestuário com tecnologias antivirais


16/08/2020 04:00 - atualizado 15/08/2020 19:41

J. Boggo - Oriba - Vicunha (foto: Carol Santos/Divulgação - Mister Longo/Divulgação - Vicunha/Divulgação)
J. Boggo - Oriba - Vicunha (foto: Carol Santos/Divulgação - Mister Longo/Divulgação - Vicunha/Divulgação)
A moda não se adaptou ao momento apenas com roupas confortáveis. Aposta também em tecnologia para desenvolver peças que protegem o consumidor contra o coronavírus. A indústria têxtil brasileira respondeu rápido à pandemia e conseguiu apresentar ao mercado tecidos antivirais com potencial de serem exportados para o mundo. Com isso, estilistas podem pensar em roupas que impedem o vírus de se reproduzir e infectar o organismo. Por enquanto, estão em uso malha, poliamida e jeans.
 
A marca paulistana J. Boggo ganhou visibilidade nacional ao lançar uma coleção inteira com tecidos que combatem o coronavírus. O estilista Jay Boggo desenvolveu as peças pensando na necessidade do momento de unir conforto, elegância e segurança. “As roupas permitem que as pessoas estejam bem para fazer lives ou reuniões on-line em casa, ao mesmo tempo ir ao supermercado, farmácia ou até para o trabalho presencial e estar protegidas de algum jeito”, comenta.

Jay se manteve fiel aos conceitos da marca na coleção antiviral. Usou apenas malha 100% algodão, já que gosta de trabalhar com fibras naturais, e investiu em modelagens amplas para abranger os mais variados tipos de corpos e estilos. “Além da mensagem que sempre tento passar, de aceitar o seu corpo com as suas imperfeições e ter coragem de ser quem você é, a coleção fala um pouco de cuidado, de amor ao próximo, de você se proteger para proteger o outro também”, aponta.
 
J. Boggo(foto: Carol Santos/Divulgação)
J. Boggo (foto: Carol Santos/Divulgação)

As peças vestem homens e mulheres. Há blusas bem amplas que podem ser usadas como vestidos, entre elas o modelo com capuz e dois bolsos na frente, e o outro com gola alta e cadarço de algodão para amarrar nas laterais. Já as calças são no estilo pantacourt, com pernas largas, ou mais justas e com gancho baixo. “As minhas coleções são muito livres, não existe temática, cor da estação. Então, acredito na demanda. Falando sobre as peças antivirais, vai depender do quanto cada um gosta de ficar protegido.” As roupas são apresentadas, basicamente, em off white e azul-escuro.
 
A Oriba surgiu há cinco anos em resposta à falta de opções de roupas básicas masculinas de qualidade, preços justos e baixo impacto ambiental. Como uma marca que entrega roupas que considera essenciais para o dia a dia dos homens, ela usou a tecnologia antiviral em um conjunto de moletom, feito com algodão orgânico, que seria lançado em plena pandemia. As calças e os casacos com capuz aparecem em cores fáceis de usar e combinar. Primeiro vieram preto e off white, depois azul-marinho.
 
A marca não lançou essa linha para seguir tendência ou surfar na onda do coronavírus. Segundo um dos três sócios, Rodrigo Ootani, a ação antiviral vai de encontro ao que eles acreditam. “Queremos oferecer peças de vestuário que sejam mais seguras na pandemia, mas que também mantenham a nossa proposta de causar menos impacto possível ao meio ambiente. Com este tipo de tecnologia, você não tem que lavar a roupa com tanta frequência, então gasta menos energia e menos água à toa”, justifica.
 
Por isso, a escolha de um conjunto de moletom para o frio, e não uma camiseta, que fica em contato direto com a pele e precisa ser lavada com mais frequência. Desde o lançamento, a demanda está mais alta do que o esperado e a produção segue o ritmo dos pedidos.
 
Oriba(foto: Mister Longo/Divulgação)
Oriba (foto: Mister Longo/Divulgação)

Os sócios planejam ampliar o mix de peças com a tecnologia antiviral para alcançar os dois objetivos: impactar a saúde dos clientes e a sustentabilidade do planeta. “Já temos mais alguns produtos em desenvolvimento”, adianta Rodrigo. “São peças que usamos todo dia, que ficam muito expostas ao vírus e quase não lavamos, como bolsas e mochilas.” Há também em teste uma jaqueta. A marca tem utilizado nesta segunda etapa sarja de algodão e lona reciclada.
 
Para o sócio da Oriba, a moda tem, sim, responsabilidade neste momento de pandemia e deve fazer sua parte. “A moda pode ser um player importante, não na resolução do problema, mas na conscientização das pessoas.” Sobre a tecnologia antiviral, ele não acha que seja moda passageira. Rodrigo acredita que ela deve continuar disponível por muito tempo, mas talvez não no volume de demanda que existe hoje. O plano da marca é seguir com a produção das peças enquanto entender que existe necessidade e impacto positivo do trabalho.
 
As marcas só conseguiram oferecer soluções aos clientes porque as indústrias de tecidos agiram rapidamente. Especializada em jeanswear, a Vicunha correu para lançar uma linha que garante proteção contra o coronavírus. “Logo no início da pandemia, o nosso departamento de pesquisa e desenvolvimento, sempre atento ao que está acontecendo no mercado, procurou fornecedores de produtos químicos para aplicar essa tecnologia nas nossas bases”, conta a gerente de marketing, Renata Guarniero.

A multinacional escolheu trabalhar com uma tecnologia suíça que destrói vírus, bactérias e fungos. “O ponto crucial para a escolha do acabamento antiviral era que ele tivesse sido testado e aprovado especificamente para o coronavírus.” A tecnologia, à base de íons de prata, age para destruir a camada de gordura do SARS-CoV-2, vírus que causa a COVID-19, e inativá-lo em 30 minutos. Dessa forma, ele perde a capacidade de infectar o organismo.
 
A tecnologia entra no processo de acabamento dos tecidos. No momento, a Vicunha tem 18 itens do seu portfólio com ação antiviral. “Escolhemos bases confortáveis e versáteis, que atendem à necessidade do novo lifestyle do nosso consumidor. As pessoas estão ficando mais em casa e buscam roupas que tragam praticidade, ao mesmo tempo em que sejam bonitas”, aponta.
 
Vicunha(foto: Vicunha/Divulgação)
Vicunha (foto: Vicunha/Divulgação)
A coleção cápsula de lançamento propõe a aplicação da tecnologia em peças que funcionem literalmente como um escudo, aumentando a segurança das pessoas na hora de sair de casa. Por exemplo, capas, coletes e outros itens que não precisam ser lavados a cada uso. Sabe-se que a durabilidade do acabamento pode chegar a 30 lavagens caseiras, desde que a água não esteja em temperaturas acima dos 40oC. A orientação é recorrer ao sabão neutro e não usar alvejante.
 
A linha da Vicunha também conta com tecidos tecnológicos que repelem líquidos e gotículas de saliva. “Quando se aplica esta tecnologia no tecido, forma-se uma barreira de proteção química que evita a absorção de fluidos. Ela não inibe o vírus, evita que a superfície do tecido tenha esse agente patogênico.” Renata acredita que a linha vai permanecer, já que “vírus, bactérias e fungos vão sempre existir e as pessoas estão mais preocupadas com a higiene”.
 

Made in Brasil

 
Para a Dalila Têxtil, que sempre trabalhou com tecnologias funcionais (tratamento UV, repelente a inseto e água, antibactéria), foi um pulo desenvolver tecidos antivirais. “Como somos uma empresa que sempre procurou inovar em relação a produtos, processos e formas de pensar, quando começou a pandemia vimos que poderíamos encontrar uma alternativa química”, conta o diretor André Klein. Ele brinca que teve que fazer “faculdade” de microbiologia para mergulhar no projeto.
 
A empresa, com sede em Santa Catarina, conseguiu achar um parceiro químico no Brasil mesmo, que adaptou sua tecnologia viral para usar em superfícies têxteis. A novidade para o mercado da moda foi lançada no fim de abril, depois de muitos testes em laboratório e ajustes na fórmula para não alterar a cor nem o toque dos produtos. “Ter um negócio que gera emprego e renda já é algo grandioso. Quando existe a possibilidade de ajudar a sociedade com uma proteção que pode evitar que milhares de pessoas deixem de contrair um vírus tão prejudicial, sinto um orgulho enorme.”
 
A tecnologia de íons de prata, já conhecida pela ação antibacteriana, inativa 99,99% dos vírus que têm contato com a superfície em um minuto. André explica que os testes foram realizados em vírus com a mesma construção do coronavírus (vírus envelopado). “Essa tecnologia rompe a camada de gordura do vírus e expõe a sua carga genética, então imediatamente ele é inativado. Não consegue se reproduzir nem se alastrar”, informa.
 
Os íons de prata são aplicados na etapa de acabamento dos tecidos. Com isso, podem ser usados em praticamente todas as bases da Dalila, que são cerca de 300, entre algodão, linho, viscose, elastano, fibra pet e moletom. Pelo que mostram os testes, a ação antiviral se mantém com 50 lavagens.
 
Segundo André, a empresa não fez contrato de exclusividade com a empresa química, pois quer ampliar o alcance da tecnologia. Inclusive, lançou a colab Conexão com a indústria têxtil mineira Cataguases com “o objetivo de fazer o bem”. “Entregamos todo o nosso conhecimento. Eles trabalham no mesmo mercado, vendem para os mesmos clientes, mas fazem tecido plano. Não é o momento de pensar na dimensão econômica, temos que pensar na vida das pessoas.” O diretor da Dalila acredita que a tecnologia veio para ficar, mas ainda é cedo para estimar em qual escala.
 
O vice-presidente global de fios da Rhodia, Renato Boaventura, destaca que a poliamida desenvolvida pela empresa tem ação permanente contra o coronavírus(foto: Eliana Rodrigues/Divulgação)
O vice-presidente global de fios da Rhodia, Renato Boaventura, destaca que a poliamida desenvolvida pela empresa tem ação permanente contra o coronavírus (foto: Eliana Rodrigues/Divulgação)
 
A Rhodia também lançou uma tecnologia antiviral, com a diferença de que ela é inserida no polímero que vai dar origem ao fio de poliamida/náilon. Ou seja, sua ação é permanente. “O grande diferencial desse produto é que, como o ativo está dentro da matriz polímera, não se perde com lavagem nem com o uso. A peça vai continuar com a ação antiviral até o fim da sua vida útil”, explica o vice-presidente global da área de fios, Renato Boaventura.
 
Mantida em sigilo, a fórmula tem, entre outros ingredientes, íons de prata. O mecanismo é o mesmo: rompe a estrutura do vírus e neutraliza sua carga genética. Não é matar, não é repelir, é inativar o micro-organismo. “Se alguém espirra do seu lado ou coloca a mão na sua roupa, aquele tecido em um minuto inativa o vírus, eliminando o potencial de contaminação cruzada. Essa é uma grande vantagem no momento de retomada das cidades.” Testes apontam que, em um minuto, 99,99% do vírus é inativado.
 
No caso da Rhodia, a tecnologia antiviral se soma à ação antibacteriana. Outra vantagem, aponta Renato, é o fato de o produto aliar as propriedades à necessidade de praticidade e conforto. “São peças muito confortáveis, com toque macio, não precisam ser passadas e secam rápido.” A indústria tem trabalhado várias aplicações, além das máscaras, como roupas esportivas e uniformes, considerando que academias e escolas são locais de potencial contaminação cruzada. A expectativa é que a tecnologia perpetue pós-pandemia, já que protege contra outros vírus, e não só o coronavírus, como o da gripe.
 
Lançado em junho, a poliamida capaz de inativar o coronavírus foi desenvolvida em dois meses nos centros de pesquisas da indústria química, têxtil no interior de São Paulo. Renato comemora o fato de ser um produto 100% brasileiro com potencial de exportação. “Somos pioneiros em nível mundial no lançamento de uma poliamida antiviral. Estamos muito contentes por colocar uma inovação importante no mercado e em poder ajudar a sociedade neste combate à pandemia.” 


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