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Mercado delícia de tricô

Especialista em malharia fashion, a marca Cecília Prado é mineira de Jacutinga, mas exporta suas coleções para o mundo inteiro


postado em 31/03/2019 05:09

(foto: Fotos: NICOLE FIALDINI/Divulgação)
(foto: Fotos: NICOLE FIALDINI/Divulgação)


O tricô é maleável e delicado mesmo quando as coleções são feitas para o inverno.  Acrescente a isso uma veia comercial bem dosada, que envolve propostas da moda e, ao mesmo tempo, flerta com mulheres de diversas faixas etárias. Assim é a marca Cecília Prado, natural de Jacutinga, no Sul de Minas Gerais, que está há três décadas e meia no mercado.

Nasceu quando a cidade começava a exercer a vocação para a malharia, o que a tornaria nacionalmente famosa. Mas, enquanto as outras confecções priorizavam um produto, digamos, mais popular, a Castor, nome inicial, desejava ir um pouco mais longe: além de um produto diferenciado, Yara Prado, a criadora da label, já vislumbrava o comércio internacional por meio da participação de conceituadas feiras, garantindo assim seu espaço no setor da exportação.

Para se ter uma ideia, de 60% a 70% da produção da fábrica vai para o exterior. São mais de 20 países ao redor do mundo espalhados pela Europa, Oriente Médio, Ásia e África, locais como Dacar, no Senegal, ou Costa do Marfim. Mesmo nos Estados Unidos, que é sempre mais difícil comercialmente, a Cecília Prado vai cavando seu lugar. O restante é dividido pelo território nacional, com duas lojas de apoio em São Paulo: uma no Pátio Higienópolis e outra no shoping JK Iguatemi. Existe ainda o comércio on-line e a presença em sites conceituados como o OQVestir e Farfetch Brasil.

Quem conta essa história é a estilista Cecília Prado, de 36 anos, filha de Yara, que praticamente nasceu entre máquinas de tricô, e resolveu dar continuidade ao negócio familiar junto com o irmão, Lourenço, de 35 anos. Enquanto ela foi cursar faculdade de negócios de moda em São Paulo, ele estudou administração de empresas e voltou para casa cheio de gás com seus conhecimentos na bagagem. A dobradinha deu certo, a marca ganhou o nome da estilista/filha, dando sequência a um novo ciclo em que, ao mesmo tempo em que se aperfeiçoavam as coleções em busca de um mercado cada vez mais fashion, uma gestão contemporânea e sólida ganhava força.


Cecília passou por Belo Horizonte, recentemente, a convite da empresária Anna Luiza, dona da loja homônima, para prestigiar o lançamento da coleção de inverno e conhecer as clientes da butique. Uma espécie de pesquisa de campo que ela costuma realizar de quando em quando para conferir como as mulheres recebem as ideias da marca.

BUSINESS Em entrevista exclusiva ao Caderno Feminino, ela enfatizou o lado business da empresa e no qual ela se apoia. “A exportação na Cecília Prado é constante e real. E quando se escolhe esse caminho significa arriscar e passar por todas as intempéries do mercado. É um processo contínuo, que não pode ser interrompido se o momento econômico é ruim. Quando meu irmão e eu voltamos para assumir o negócio, essa prática já estava em franca evolução. Exportamos desde 2001, a primeira vez foi para Paris”, pontua.

O que significa que já são 18 anos de exportação. A marca bate ponto, anualmente, na feira norte-americana Coterie e na parisiense Who’s Next, para apresentar suas propostas de cada temporada. E também apresenta as tendências da Cecilia Prado Mare em evento comercial, em Miami. Sim, embora com origem mineira, a label flerta com a moda beachwear, lincando tricô e lycra, e tendo como forte os bodies e as saídas de praia com cara de resort. “Vendemos para lojas que estão dentro de hotéis luxuosos em St Barth, na Espanha, e no Sul da França”, garante. Como pode ser observado, trata-se de uma clientela bem seleta, que aprecia a novidade made in Brasil.
Voltando no tempo, a estilista faz questão de frisar o trabalho de base realizado pela mãe pioneira, fundadora de uma das primeiras malharias de Jacutinga, frisando que sua experiência foi essencial para que o negócio desse certo e prosperasse. “Somos três cabeças, sangue do sangue, cada um com um perfil que agrega. Cheguei disposta a dar um refresh na marca, trazer contemporaneidade, mas a expertise dela sempre foi muito importante e valorizamos isto”.

Entretanto, nenhuma dessas conquistas poderia ser comemorada se não houvesse um trabalho de criação consistente, que faz com que as coleções se tornem desejáveis. “Nosso forte são as misturas de fios, cores, texturas, priorizando o design. Fazemos um produto único com identidade singular e original e nos mantemos fiéis à essência da marca. Penso que é isso que causa impacto e encanta os clientes. É o que dá charme, uma alegria, algo especial tanto para quem vende quanto para quem veste”, explica a estilista.

E o que seria essa essência? Segundo ela, tem a ver com o que a mãe, bem mais jovem na época, queria deixar impresso desde o início – um DNA. “Nosso produto tem muito da história do criador e do estilista, uma delicadeza e, ao mesmo tempo, uma explosão de cores harmoniosas. Outro fator é que, embora contemos com máquinas alemãs que fazem tudo, gostamos de humanizar o produto. Ele não é apenas high tech, mas tem o toque da mão. Em resumo, o trabalho é um equilíbrio entre o manual e o tecnológico”.

A coleção inverno/19, que está aportando agora nas lojas, surge nesse espírito com a presença de muitos florais quebrados pela presença do animal print. Onça com turquesa, tons apastelados mixados com o vinho, o jacquard imitando zebra, babados leves, roupas fluidas e leves. O carro-chefe da Cecília Prado são os vestidos longos e mídis e os conjuntos de croppeds e bodies com saias. “A marca é muito feminina e urbana. E tem apelo comercial. Praticamos um preço justo que possibilita, principalmente,  também as transações do mercado externo”, explica.

Dividindo-se entre Jacutinga – onde comanda junto com Yara uma equipe de estilo e marca presença no chão de fábrica – e São Paulo, cuidando das lojas, Cecília fala também sobre o orgulho de ser mineira. “Quando os clientes ficam sabendo da nossa origem sempre elogiam. Eles dizem: ‘Ah, sabia, essa roupa tem cara de ter sido feita em Minas Gerais”. Nossa storytelling é muito apreciada, porque é verdadeira”, frisa.


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