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Estado de Minas MOSTRA

Pioneiro da moda brasileira

Recorte do trabalho de criação do mineiro Alceu Penna está exposto no Mumo e conta com a participação de alunos do Senai-Modect/MG e da Universidade Feevale


postado em 05/01/2020 04:00

A mostra no Mumo coloca sob os holofotes um recorte da sua carreira. Parte dos figurinos e acessórios expostos foram doados pela família ao museu(foto: RICARDO LAF)
A mostra no Mumo coloca sob os holofotes um recorte da sua carreira. Parte dos figurinos e acessórios expostos foram doados pela família ao museu (foto: RICARDO LAF)


“Graças a Alceu Penna, desde os meados de 1930, qualquer brasileiro poderia se vestir com o dernier cri de Paris ou de Nova York. Ele trazia as tendências das fontes e as reproduzia com olhar crítico em ricas ilustrações detalhadas”. Esta é a opinião de Luiza Penna, curadora e diretora da exposição Alceu Penna – Inventando a moda do Brasil, que está em cartaz no Museu da Moda de Belo Horizonte – Mumo –, até 7 de junho de 2020.
 
(foto: RICARDO LAF)
(foto: RICARDO LAF)
Sobrinha do artista, a arquiteta e urbanista tem sido atuante na preservação da memória de sua obra, ocupando um lugar que, anteriormente, foi da tia, Thereza Penna. Além de criar e administrar as redes sociais com o seu nome, com a intenção de levar o trabalho realizado por ele a milhares de novos admiradores, Luiza lançará, em breve, o livro de arte O traço do Alceu, organizado por ela e pela designer gráfica Inez Oliveira. A publicação contém centenas de desenhos restaurados em todas as fases da trajetória artística do versátil ilustrador, que transitou também pelas áreas do design gráfico, jornalismo, figurino, estilismo, publicidade e cenografia.
 
(foto: RICARDO LAF)
(foto: RICARDO LAF)
“Os desenhos, as palavras e ideias de Alceu, levados pela revista O Cruzeiro, emocionavam e inspiraram milhares de leitores. E continuam inspirando. Ele foi, e ainda é, referência para designers e profissionais de moda, muitos deles seus confessos admiradores”, garante Luiza. O título da mostra, escolhido por ela, é emblemático e visa colocar o mineiro de Curvelo como protagonista da cena fashion brasileira.
 
(foto: RICARDO LAF)
(foto: RICARDO LAF)
Outro ponto que a arquiteta enfatiza é que, para o tio, a moda não era elitista; ao contrário, era acessível, tanto nos desenhos como nos textos e detalhes. “Ele pregava a livre criação e o fim da ditadura da alta-costura como via de desenvolvimento do talento nacional. Moda democrática e plural para ser reproduzida artesanalmente, inferindo que os insumos locais, a cultura, o clima e as tradições de nosso povo trariam a essência desse estilo brasileiro”.
 
Em 1932, aos 17 anos, Alceu Penna mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes – ENBA – e, ao mesmo tempo, frequentou vários cursos de arte. Em 1933, iniciou seu trabalho como ilustrador da revista O Cruzeiro; cinco anos após e até 1964 passou a assinar a coluna Garotas, no mesmo veículo, que o tornaria famoso.
 
(foto: RICARDO LAF)
(foto: RICARDO LAF)
Os traços delicados e graciosos do artista conquistaram uma legião de mulheres que se viram encantadas pelas suas propostas atrevidas. Ele inaugura, com boa dose de humor, uma nova forma de representar a sensualidade feminina, influenciando moda e comportamento no país. Elas copiam não só as roupas e os penteados, mas os gestos e atitudes das Garotas, já que Alceu Penna transporta para a revista as novidades das publicações estrangeiras.
 
Essas novidades eram resultados de suas imersões na Europa, particularmente na França, para onde viajava constantemente. A amizade com Carmem Miranda trouxe oportunidade de colaborar, informalmente, com os figurinos que a artista e o Bando da Lua usaram em shows e filmes internacionais.
 
(foto: Arquivo EM)
(foto: Arquivo EM)
Concebeu, ainda, calendários para a empresa Moinho Santista Indústrias Gerais e, a convite da multinacional francesa Rhodia, torna-se responsável pela criação dos figurinos utilizados até 1972 na apresentação das coleções anuais da marca.
 
Ao longo de sua carreira, Alceu Penna elaborou ilustrações para capas de revistas (O Cruzeiro, A Cigarra e Tricô Crochê), quadrinhos, livros, capas de discos infantis (série Disquinho, dirigida por Braguinha), embalagens e publicidade. Também criou cenários e figurinos para shows, cassinos, teatro, cinema e televisão; e desenhou fantasias e coleções de moda.
 
A mostra no Mumo coloca sob os holofotes um recorte da sua carreira. Parte dos figurinos e acessórios expostos foram doados pela família ao museu. “A exposição começa como um espaço de referências, um convite para conhecer os demais ambientes”, explica Luiza Penna
Na sala dois, o tema é Alceu Penna Decodificado e exibe as releituras de desenhos feitos pelos alunos do Senai-Modatec/MG para o Minas Trend verão 2019/2020 – edição Em Dias de Sol, mostra idealizada por Ronaldo Fraga. Quinze originais do artista foram trazidos do papel para a realidade por meio do talento dos envolvidos no projeto. Cada participante incorporou a marca de Alceu de acordo com o seu olhar individual, trazendo-o para o universo contemporâneo.


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