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Estado de Minas NATUREZA

Paisagista e florista brindam a chegada da primavera com projetos e arranjos que evidenciam a beleza das plantas

Nãna Guimarães descobriu no paisagismo o prazer de brincar com as cores de forma viva. Já Mariana de Paula cresceu em meio a arranjos de flores


postado em 29/09/2019 04:00 / atualizado em 30/09/2019 12:50

Nos projetos da paisagista, as plantas são sempre usadas para dar boas vindas aos visitantes(foto: Daniel Mansur/Divulgação)
Nos projetos da paisagista, as plantas são sempre usadas para dar boas vindas aos visitantes (foto: Daniel Mansur/Divulgação)


O tempo é de flores. Nos campos, jardins e mesmo nas ruas, as espécies começam a crescer e aparecer. Duas mulheres, cada uma à sua maneira, contribuem com o florescer da natureza. Nãna Guimarães leva projetos de paisagismo para todo tipo de ambiente, inclusive os bem pequenos, enquanto Mariana de Paula usa a habilidade herdada da mãe para criar arranjos com espécies renegadas.
 
Nãna Guimarães descobriu no paisagismo o prazer de brincar com as cores de forma viva. Até então, como professora de pintura, a sua interação com a natureza se dava apenas através das telas. Com a mudança de profissão, ela levou seu conhecimento sobre desenho, cor e composição para os jardins. “Passei do papel para a natureza, então me encanta fazer uma natureza organizada, usando as plantas como aliadas. Consigo criar volumes e movimentos com a natureza, isso é muito fantástico.”
 
Nãna Guimarães levou seu conhecimento sobre desenho, cor e composição como professora de pintura para os jardins(foto: Daniel Mansur/Divulgação)
Nãna Guimarães levou seu conhecimento sobre desenho, cor e composição como professora de pintura para os jardins (foto: Daniel Mansur/Divulgação)
 
 
A paisagista se diz apaixonada pelos jardins tropicais, porque são a cara do Brasil. Bromélias estão entre as suas espécies preferidas, assim como as palmeiras, mas ela sempre tenta usar plantas diferentes para não cair na mesmice.
 
“Não existe planta feia, existe planta mal usada, com falta de composição. Quando agrupadas de forma ideal, todas ficam bonitas”, opina. Nãna enxerga beleza, por exemplo, na trapoeraba roxa, que caiu em desuso justamente por ser encontrada em todo canto. Para a paisagista, é sempre bom trabalhar com cores vibrantes, como o roxo. Em outros projetos, ela gosta de mesclar várias tonalidades de verde. Mas sempre com poucos elementos, para que todos sejam valorizados.
 
Os jardins verticais permitem criar paisagismo mesmo em áreas reduzidas(foto: Daniel Mansur/Divulgação)
Os jardins verticais permitem criar paisagismo mesmo em áreas reduzidas (foto: Daniel Mansur/Divulgação)
 
 
Sem planejar, Nãna acabou se especializando em jardins verticais. Há 11 anos, ela projetou o primeiro a pedido de uma arquiteta, imaginando que seria moda, mas a ideia pegou rapidamente. Na opinião dela, a vantagem está em criar paisagismo mesmo em áreas reduzidas. “Todo mundo quer ter um pouquinho de natureza dentro de casa. Em espaços pequenos, a melhor forma é ter jardins verticalizados. Tirar do chão e colocar na parede”, comenta.
 
Além da função decorativa, os jardins verticais podem ser uma estratégia interessante para deixar o ambiente com temperatura mais agradável. No seu escritório, Nãna posicionou as plantas na janela virada para a varanda e conseguiu diminuir 99% do calor.
 
Bromélias estão entre as espécies preferidas de Nãna Guimarães(foto: Daniel Mansur/Divulgação)
Bromélias estão entre as espécies preferidas de Nãna Guimarães (foto: Daniel Mansur/Divulgação)
 
 
Nãna acha muito gratificante trabalhar com plantas. Se deixar, ela passa horas observando cada detalhe, passa pano para tirar poeira, tira folhas secas, aplica remédio, coloca terra nova. E fica ansiosa para ver um broto abrir. Imagina, então, como ela gosta da primavera, época em que as plantas estão no auge para florescer. “É impressionante como a planta traz bem-estar. Às vezes, estou cansada, mas vou cuidar das plantas e quando assusto o dia já passou. Me sinto bem feliz fazendo isso.”
 
Mariana de Paula cresceu em meio a arranjos de flores, vendo a sua mãe fazer ikebana (técnica japonesa). Sempre muito ligada às plantas, ela teve a ideia oferecer um serviço novo na cidade, muitos anos depois. “Sempre achei trabalhoso sair no meio do experiente para comprar flores, tinha que levá-las para o trabalho, colocar na água, então pensei em algo que pudesse facilitar a vida”, conta a arquiteta, que criou um clube de assinatura de flores. Daí surgiu a Uma Floricultura.
 
Os arranjos da florista seguem um estilo mais desconstruído e minimalista(foto: Lara Dias/Divulgação)
Os arranjos da florista seguem um estilo mais desconstruído e minimalista (foto: Lara Dias/Divulgação)
 
 
A florista não se prende a um único estilo, mas, naturalmente, desenvolve arranjos mais desconstruídos, com texturas diferentes e uma linguagem mais minimalista, que vem da arquitetura. “Gosto de trabalhar com poucos elementos, até para criar um estranhamento pelo vazio. Às vezes, coloco dois raminhos em um vaso. É a influencia da ikebana”, explica Mariana, que aposta na simplicidade.

CERRADO Nos arranjos da Uma, você vai encontrar algumas espécies renegadas, principalmente do cerrado. Sempre-viva é uma delas. Mariana defende que dá para usá-la de forma contemporânea. A samambaia selvagem também faz parte da lista, porque, mesmo desidratada, continua bonita e deixa o arranjo mais leve. Fora do cerrado, a florista está sempre de olho no cravo, excluído por ser conhecido como flor de defunto, e a semente de aroeira (pimenta rosa), encontrada muitas vezes na rua.
 
Mariana de Paula considera um privilégio trabalhar com algo tão especial como as flores(foto: Magê Monteiro/Divulgação)
Mariana de Paula considera um privilégio trabalhar com algo tão especial como as flores (foto: Magê Monteiro/Divulgação)
 
 
Além de abastecer o clube de assinatura, os arranjos são criados para eventos. Mariana prefere trabalhar para festas menores, como batizado, aniversário e mini wedding, porque planeja continuar fazendo pessoalmente cada composição de flores. “Gosto de fazer arranjos, para isso que virei florista, é uma realização pessoal. Além disso, quando a pessoa me contrata, ela quer o meu trabalho. Se terceirizo, por mais que esteja coordenando, a linguagem fica diferente”, justifica.
 
Espécies renegadas, principalmente do cerrado, estão sempre presentes no trabalho da Uma Floricultura(foto: Daniel Raposo/Divulgação)
Espécies renegadas, principalmente do cerrado, estão sempre presentes no trabalho da Uma Floricultura (foto: Daniel Raposo/Divulgação)
 
 
Para Mariana, é um privilégio trabalhar com algo tão especial como as flores. Culturalmente, elas estão associadas a alegria e gentileza, por isso é um ato tão admirável presentear alguém com um arranjo. “Sinto a responsabilidade, porque as flores sentem a nossa energia. Antes de fazer um arranjo, faço uma meditação rápida, com pensamento positivo. Gosto de acreditar que elas vão durar mais assim”, diz a arquiteta que, como todo belo-horizontino, aguarda ansiosamente a floração dos ipês espalhados pela cidade.
 
Em muitos casos, o uso de texturas e tons diferentes dispensam cores chamativas(foto: Gustavo Marx/Divulgação)
Em muitos casos, o uso de texturas e tons diferentes dispensam cores chamativas (foto: Gustavo Marx/Divulgação)
 


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