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Fabulosa Iris


postado em 07/04/2019 05:09

Vermelho e plumas, sugerindo uma longa entrevista(foto: Fotos: Rodrigo Lopes/estúdio/Divulgação)
Vermelho e plumas, sugerindo uma longa entrevista (foto: Fotos: Rodrigo Lopes/estúdio/Divulgação)

Pode ser que muita gente nunca tenha ouvido falar em Iris Apfel, mas as pessoas ligadas à moda ou às redes sociais já estão familiarizadas com a esperta senhorinha de 97 anos facilmente reconhecida pelos icônicos e imensos óculos redondos e pelas vestimentas extravagantes e coloridas. Os mineiros que desejarem mergulhar mais fundo no universo da famosa empresária e designer de interiores nova-iorquina podem marcar na agenda: a peça Através da Iris  será apresentada em Belo Horizonte em 13 e 14 de abril, no Teatro Sesiminas, estrelada por Nathalia Timberg, que, coincidência ou não, também estará se tornando nonagenária neste ano.

Filha única, judia, formada em belas -artes, Iris Apfel é uma figura a parte no que se relaciona às suas escolhas de vestir, flertando desde sempre com o inusitado e com o exagero, mas a moda só veio enxergá-la como celebridade fashion quando tinha mais de 80 anos. Com o marido Carl Apfel, falecido em 2015, ela criou a tecelagem Old Worl Weavers. “Os dois viajaram o mundo inteiro por causa da indústria fazendo verdadeiras imersões nos países em que passavam em busca de inspiração, matérias-primas diferenciadas, técnicas artesanais”, conta Tatiana Bréscia, a figurinista da peça, que também estará na capital mineira para ministrar a oficina “Concepção do figurino da peça Através da Iris. A inscrição é gratuita e pode ser feita acessando o link: https://bit.ly/2FqXu06.

O contato com culturas distantes, especialmente as orientais, com suas formas, texturas e cores exuberantes, certamente devem ter contribuído para moldar a personalidade irreverente e o gosto exótico da designer de interiores, o mesmo gosto refletido na decoração da sua casa, onde se destacam coleções de objetos de todos os tipos pensáveis, inclusive os bichos de pelúcia que ela confessa amar. Eles estão presentes  no cenário da peça, assinado por Ronaldo Teixeira e Guilherme Reis, que mescla o físico com o virtual. Porém, quem analisa com atenção, percebe que, por detrás do over dress de Iris, não existe uma aleatoriedade, mas escolhas que revelam acuidade visual e profundo conteúdo estético.
 
FAMA O advento da internet e, posteriormente, as redes sociais colocaram lentes de aumento sobre a trajetória dela trazendo-a para a notoriedade. O registro da sua história está presente em vários programas e entrevistas no canal YouTube. Entre outros feitos, ela ganhou a exposição  Rara Avis - Selection from the Iris Barrel Apfel collection, no Metropolitan Museum of Art, de Nova York, em 2005, para a qual cedeu e selecionou looks da sua extensa coleção. É assunto de livros, como o Iris Apfel – Accidental icon (Harper Collins-2018), e do documentário  Iris – uma vida de estilo, do Netflix, de 2014, que também funcionou como referência para o texto de Cacau Hygino para a atual peça.

Essas são somente algumas facetas e conquistas dessa mulher comprometida com a liberdade de estilo, frágil na aparência, que adora se montar com roupas diferentes, colares gigantescos, pulseiras e anéis múltiplos, plumas de diversas cores. E talvez seja essa coragem que cause tanta admiração e a leve cada vez mais longe. Para se ter uma ideia, no auge do seu reconhecimento, foi contratada para criar uma coleção exclusiva para a Mac, empresa de maquiagem famosa no mundo inteiro. Dá para verificar que a fashionista está sempre usando batom vermelho? Para completar, recentemente, ela fechou um contrato de representação mundial com a agência IMG, a mesma de Gisele Bundchen.

O figurino Tatiana Bréscia conta que foi convidada para fazer parte do time que montaria o espetáculo um ano antes de ele estrear. Desde então, houve uma interação muito grande entre a equipe. “Pesquisei, li muito, fui a Nova York, passei pelas lojas em que ela costuma garimpar suas roupas e acessórios. Cheguei à conclusão de que quando se fala sobre uma pessoa que está viva, temos que procurar fazer o mais próximo possível dela”, explica a figurinista. Seu foco era como recriar a Iris na Nathalia Timberg – uma tem estrutura física pequena, a outra tem os ossos grandes – reconhecendo o que havia em comum e diferente entre elas que se complementavam. Segundo Tatiana, os óculos gigantes com contornos pretos da Iris eram emblemáticos, elementos importantes para reconhecimento da plateia com o texto. “O desafio era que o público pudesse identificar aquela pessoa sem ter visto nem sequer uma imagem dela”, pondera. Eles foram desenvolvidos pela marca HB, a partir de impressora 3D, e detalhadamente testados para o rosto da atriz. Já os colares e anéis oversize que ela usa foram assinados pela Sobral, grife de acessórios carioca. “Eles tinham que ser bem leves para não causar desconforto e atrapalhar a atuação”, completa.

O monólogo sugere que a personagem, assentada em uma cadeira no seu apartamento, está dando uma entrevista, ao mesmo tempo em que se tem uma sensação de que ela está conversando com a plateia, desfiando, às vezes com certa acidez, fatos da sua vida ou de outros. “No princípio, a ideia era criar vários looks, pensei em no mínimo seis, para representar a diversidade da Iris. Mas não havia estrutura no formato escolhido e seria difícil também para a Nathalia, uma atriz com 90 anos, fazer a troca”, ressalta.
Tatiana pontua que a grande preocupação era que o figurino não atrapalhasse a movimentação da atriz no palco para que ela pudesse se concentrar no texto. A prioridade foi o conforto, presente em tudo, incluindo os sapatos, feitos especialmente por sapateiro em São Paulo. A mesma filosofia seria aplicada à modelagem nas roupas. “Em conversa com a Maria Maya, diretora da peça, ela me propôs que usássemos dois looks apenas: o vermelho, com o casaco de plumas, e um verde, que são revezados nas noites de apresentação do espetáculo”. Ela frisa ainda que as cores foram pensadas para combinar com o tom da pele de Nathalia.

Oficina Tatiana tem o pé na moda – graduou-se pela Faculdade Anhembi Morumbi e bem jovem se envolveu com a área de stylist para desfiles em eventos paulistas e cariocas até que um dia foi fisgada pela Rede Globo para trabalhar com figurinos de novelas – entre elas, o sucesso  Avenida Brasil, Em família,  Amor à vida – minisséries e outras plataformas relacionadas à sua expertise. Foram 11 anos batendo ponto no Projac. Daí o cinema e o teatro lhe acenaram, correspondendo à sua expectativa de transitar em outros espaços. Sua mão está presente em produções como o longa metragem Compro Likes, no espetáculo Lady Cristiny, e na série da Fox Nem vem que não tem.

Na oficina que ministrará, gratuitamente, no dia 12 de abril, das 9h às 18h, no teatro Sesiminas, serão oferecidos e abordados os seguintes tópicos: o histórico sobre a peça; leitura do texto Através da Iris para modelagem de figurino; criação e concepção do figurino; croquis e desenhos; fotos e pesquisas de tecidos e materiais; método para busca de acessórios específicos; exercício prático – busca de peças de roupas em fotografias on-line; apresentação do exercício; perguntas e dúvidas sobre o universo dos figurinos com ênfase teatral; contato com a construção do figurino da peça; palestra “A importância do trabalho em equipe para o bom resultado do espetáculo”.

São apenas 20 vagas dirigidas para estudantes de moda e artes cênicas, profissionais figurinistas, estilistas. A realização de Através da Iris em Belo Horizonte é do Festival Teatro em Movimento e do projeto Os clássicos estão na moda, com o patrocínio do Instituto Unimed BH e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O Sesiminas é correalizador da montagem na capital mineira.


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