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Estado de Minas

Novos floristas

Profissionais especializados em decoração floral investem na criatividade, propondo arranjos e montagens diferenciados para fugir do padrão tradicional


postado em 17/03/2019 05:13 / atualizado em 06/09/2019 14:56

Decoração de Marcela Ferrari(foto: Vanessa Gori/Divulgação)
Decoração de Marcela Ferrari (foto: Vanessa Gori/Divulgação)


Nada de arranjos suntuosos, colunas gigantescas, arcos majestosos. A nova turma de floristas que vem se destacando em Belo Horizonte acredita na filosofia do “mais é menos”, aposta na criatividade como forma de diferenciação, e usa e abusa da variedade das espécies que o mercado está ofertando. Essa geração tem outra característica particular: a divulgação do seu trabalho via redes sociais, particularmente o Instagram, onde apresentam suas criações e conquistam clientes, além de contar com o fator boca a boca como garantia de aprovação e credibilidade.

Caso de Marcela Ferrari, advogada por formação, que se encontrou, no universo das festas, passaporte para lidar com sonhos, sensibilidade e emoção das pessoas. “Sou uma apaixonada por flores e plantas desde que me entendo por gente. Paixão que me levou quase que intuitivamente a descobrir essa profissão”, ela conta. A flower designer começou despretensiosamente, atendendo a pedidos de amigos que se encantavam com os arranjos que confeccionava para sua casa. De repente, se viu montando um casamento de grande porte e complexidade e, de lá pra cá não parou mais.

“Faço tanto grandes eventos quanto os mais intimistas. Todos são personalizados, independentemente do tamanho, embora, confesso, goste da adrenalina daqueles com maior porte”, explica. Marcela não sabe se definir quanto a um estilo específico: o seu prazer é misturar referências, estilos, cores, texturas, formas, sempre experimentando, pesquisando por meio de livros, viagens, flowers designers. “Minhas escolhas são orgânicas. Procuro trabalhar com as flores da estação, primeiramente por uma questão de sustentabilidade. Por consequência, elas terão um custo melhor para o cliente. A sustentabilidade está muito aflorada em mim e seguir esse caminho é uma necessidade”, ressalta, embora saiba que é quase impossível fazer um evento 100% eco-friendly.

A solução para isso é procurar produtos que não agridam o meio ambiente e adotar outros expedientes, como, por exemplo, substituir a espuma floral pela tela de galinheiro e outros acessórios. Ela ensina essa técnica no workshop que ministra com Ticha Ribeiro, do projeto Inventando Mesa e da marca Ma Perle. “Outra ideia sustentável são as flores plantadas. Quanto aos acessórios, tenho um acervo próprio, que está sempre se renovando, mas procuro personalizar o evento acrescentando detalhes que contam a história dos clientes”, observa.

O workshop Experiência slowhouse é uma excelente oportunidade para os que curtem o assunto. Trata-se de um “projeto cheio de alma”, em que a criatividade é estimulada, aflorando em cada participante o desejo de criar lindos arranjos e mesas personalizados para receber a família e amigos. “Ensinamos que os detalhes acrescentam charme e cuidado ao receber”.

A novidade para 2019, segundo Marcela, é a parceria com a arquiteta Bruna Paz, cuja trajetória profissional é focada em eventos. Entre outras experiências de sucesso, ela passou pelo escritório do também arquiteto Pedro Lázaro, ex- diretor criativo do Minas Trend, além de ter sido a responsável pelo departamento de eventos sociais do Inhotim.” Nós trabalhamos juntas em uma festa de aniversário e, desde então, vamos estreitando nossos laços profissionais e nosso formato de trabalho. Agora, estamos consolidando uma sociedade que permitirá a realização de novos eventos, ainda mais singulares, e que atendam um público cada vez mais exigente”.

INTIMISMO Com menos de dois anos e meio de mercado, o 82 Atelier Botânico é comandado por Patrícia Wanner e Joana Rocha, duas amigas de infância que resolveram empreender no território da decoração floral. Até então, a empresa vem funcionando na cobertura do apartamento de Patrícia, mas a ideia deu tão certo que a dupla já pensa em se mudar para um endereço com maior infraestrutura. “Resolvemos começar em casa para testar a ideia e evitar custos muito altos. Além do mais, era uma oportunidade para eu ficar mais perto dos meus filhos. Agora o local já está pequeno e estão nos cobrando uma loja de rua. Esse será um passo que estamos querendo dar em 2019”, relata Patrícia.

Foi durante a gravidez da segunda filha que ela cogitou em mudar de emprego para fazer algo diferente na área profissional. A sugestão de trabalhar com flores veio de uma outra amiga, que mora em São Paulo. E assim nasceu a 82 Atelier Botânico, em meados de 2017. O foco do negócio são as encomendas. Ao longo do tempo, foram feitos contatos com showrooms, escritórios, clínicas, e contratos foram assinados. Outra vertente é o segmento dos presentes com buquês personalizados e caixas especiais em madeira.

A terceira opção são os eventos. “Fazemos noivados, aniversários, batizados ou casamentos menores, festas com até 100 convidados no máximo”, ela enfatiza, frisando que no ateliê nenhum arranjo fica igual ao outro. A proposta é passar a ideia de que as pessoas mesmas possam fazê-los. “Os miniweedings são uma tendência forte do momento. Muita gente - principalmente os mais jovens – quer casamentos com cerimônias pequenas, voltadas para a família e para os amigos íntimos. E nosso público está nessa faixa, entre os 24 e os 40 anos. É da conversa com os clientes, detectando suas preferências e desejos, que partimos para a concepção”, afirma.

 Outra característica do trabalho do 82 Atelier Botânico é a mistura de flores de cores, espécies e texturas diferentes, utilizando as do dia, sempre frescas, e que tenham uma certa durabilidade, principalmente em se tratando dos contratos por assinatura, em que os arranjos são trocados semanalmente. Essas misturas incluem outros elementos, como suculentas, terrariums, folhagens, galhos, cipós. Uma solução moderna, segundo a florista, são os arranjos com ramos secos e flores desidratadas, que enfeitam e duram muito. “Volto das fazendas com o carro cheio de galhos, vou coletando tudo que acho que podemos usar no trabalho.”

Vandas O mineiro Roberto Pena aprendeu a trabalhar com Ronaldo Maia, brasileiro radicado em Nova York City, dono da loja mais conceituada da cidade na época, que ficou famoso pela forma inovadora de trabalhar com as flores. Cinco anos após, em 1983, voltou ao Brasil e abriu a Escalarte Flores, nos Jardins, apresentando para os paulistanos as propostas arrojadas que havia aprendido nos Estados Unidos. Foram três décadas e meia de sucesso até que resolveu regressar a Belo Horizonte e empreender por aqui com um negócio na Rua Rio de Janeiro. Divergências na sociedade o fizeram fechar a loja, mas não desistiu da ideia nem das flores.

Agora, instalado em um galpão no Jardim Canadá, o flower designer pretende se beneficiar da movimentação do bairro, abrindo o ateliê para um novo público que frequenta o local. É com ele que Roberto quer dialogar. Na sua opinião, os mais tradicionais e engessados já têm conceitos enraizados diante do tema. Mas existe outra faixa que aprecia novidades.

Sua intenção é fugir da mesmice, do exagero, da decoração pesada, focando seu trabalho nas orquídeas, particularmente na espécie das vandas. “Quero trabalhar com a flor em movimento e elas me proporcionam isso. Pretendo trazê-las para os interiores, para dentro de casa, de forma criativa e inusitada. Para isso, estou desenvolvendo suportes de ferro que as valorizem”, explica.

O florista explica que não despreza as formas clássicas que aprendeu durante sua formação, mas deseja mostrar algo mais contemporâneo. “O excesso não cabe mais nos dias de hoje, existe gente que está buscando um novo caminho, tentando um novo estilo, simplificando as coisas, optando pelos miniweedings, casamentos em praia, fazendas, locais onde possa se beneficiar da beleza da natureza”, enumera..

Diante da demanda pelo novo, Roberto quer abrir seu galpão para eventos com até 150 pessoas. “Imagine você poder se casar em um ateliê de flores, um espaço diferenciado, onde as próprias flores funcionarão como cenário? Além de ser criativo, o impacto no orçamento será muito menor”, calcula.


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