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Estado de Minas

Minimalismo urbano

Marca veterana no mercado da moda reposiciona-se constantemente, mantendo estilo inovador e estratégias comerciais para atrair clientes


postado em 03/02/2019 05:04

(foto: gustavo gualtieri/divulgação)
(foto: gustavo gualtieri/divulgação)



Os anos 1980 significaram um período de glória para a moda mineira com o surgimento de uma indústria de confecção comandada, em sua maioria, por mulheres batalhadoras que viam na atividade uma forma de ocupar um lugar no mercado de trabalho e ganhar independência financeira.


Foi nesse período que a Lume começou suas atividades em Belo Horizonte. Três décadas e meia depois, a marca comandada pelas irmãs Dôra e Lena Palhares continua resistindo a todas as crises de um setor dominado por pequenas empresas que flertam com o glamour, mas exige agilidade constante, já que sua essência é mudança da cara do produto que oferecem a cada estação.


Mais do que isso, a trajetória da Lume inclui um aprimoramento contínuo, observando as nuances do mercado e seguindo-o conforme seu humor. As duas sócias sempre acreditaram no crescimento passo a passo, no trabalho árduo e constante, mantendo-se, até por certa timidez, longe dos holofotes midiáticos.


Se no princípio o carro-chefe eram as roupas em malha, no decorrer do tempo a label encontrou seu caminho direcionando-se para uma mulher urbana, que aprecia qualidade e um estilo minimalista mixado às bossas fashion de cada temporada. No momento em que grande parte das grifes mineiras voltou sua atenção para o segmento festa com ênfase na ornamentação, a Lume continuou apostando em uma linha casual chique apoiada em alfaiataria, boa modelagem e estampas exclusivas. Sábia decisão: depois de um período de boom, o modelo party mostrou certo esgotamento e veio a demanda por coleções voltadas para um day by day com estilo refinado e com qualidade.


“Nosso foco é a mulher que sai de casa pela manhã e estica para um compromisso noturno sentindo-se sempre bem arrumada”, explica Dôra, que dirige a equipe de criação, dividindo-se pelo chão de fábrica, enquanto a irmã ocupa-se da área administrativo-financeira. Em busca de um reposicionamento de marca, há cerca de dois anos, o showroom do Bairro Prado passou por uma reforma completa para oferecer mais conforto à clientela.


Outra resolução foi entrar no Minas Trend com a intenção de alcançar também o lojista que trabalha só com pedidos. “Antes a Lume trabalhava, exclusivamente, com pronta-entrega. Mas consideramos que era importante estar numa feira de expressão nacional para ter mais oportunidades de negócios”, ela enfatiza. Dessa forma, o calendário da empresa é dividido em duas etapas: em abril e outubro, recebe os clientes na feira do Expominas; em janeiro e julho, ocorrem os lançamentos para a pronta-entrega, o que possibilita manter a fábrica sempre azeitada. “Logo depois do Minas Trend, atendemos também nossos clientes em hotéis, em São Paulo”.


Apesar da importância dos consultores de moda, responsáveis por estabelecer o elo entre as marcas e os compradores, no ano passado, as irmãs Palhares decidiram investir também em outro modelo comercial para aumentar o fluxo de vendas, com a contratação de representantes, levando em conta que existem muitas praças no país que precisam ser trabalhadas.
A Lume participa ainda do Instituto Amem – Associação Mineira das Empresas de Moda -, cujo papel é fortalecer as marcas do Bairro do Prado e redondezas e, entre outras propostas, promover lançamentos unificados com a intenção de atrair os lojistas para a cidade nessas épocas.

Estilo Ao longo do tempo, uma parceria fiel da empresária na equipe de estilo tem sido a estilista Liana Fernandes, que representa bem o espírito minimal da marca. Uma afinidade que dura anos. A esse time se juntou, agora, Bruno Coelho, que já trabalhou para grandes marcas nacionais, como a Farm. É desse trio que nascem os temas que serão trabalhados a cada estação.


No verão, a inspiração foi a Amazônia. Para o inverno, que foi lançado na semana passada, no showroom, os estilistas foram bem mais longe empreendendo uma viagem a uma das mais antigas culturas do mundo: a Turquia. A coleção é resultado da imersão no fascinante Grand Bazzar de Istambul, absorvendo as referências do imenso mercado turco para as criações.
Objetos, gostos, cheiros e cores serviram de referência. Os azulejos, desenhos de cerâmicas e louças, produtos típicos do bazar, assim como os ricos tapetes, foram transportados para a estamparia das peças. E um patchwork de estampas surgiu da fusão de todas essas influências.


Das especiarias e temperos veio a cartela com tons enérgicos de açafrão, mostarda e curry, aliados ao vinho, preto, branco, off white e verde-militar. Linhos e fibras naturais, como a viscose, crepes, musselines e veludos, estão na lista de tecidos usados pela Lume. As texturas dos tapetes também inspiraram os tweeds, que conversam com outros xadrezes, como o pied de poule. A prataria do Grand Bazaar se reflete no couro ecológico prata e no lurex e a linha coquetel ganha paetês discretos, bordados manuais (no veludo) e trabalhos em richilieu.


Novidade é o crescimento da linha jeans, que chega à coleção complementando as outras peças, concebida a partir de uma alfaiataria precisa e elegante.


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