Conteúdo para Assinantes

Continue lendo ilimitado o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

price

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas digital por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

Mix de artes

Inspirada em modelo novaiorquino, a P.S. Galeria traz para a capital proposta que oferece produtos que vão de antiguidades à botânica


postado em 02/12/2018 05:03

Maria Miriam Arruda decidiu abrir a P.S. Galeria com as filhas, uma loja conceito que lembra as vanguardistas galerias novaiorquinas(foto: Isabela Fontana/divulgação)
Maria Miriam Arruda decidiu abrir a P.S. Galeria com as filhas, uma loja conceito que lembra as vanguardistas galerias novaiorquinas (foto: Isabela Fontana/divulgação)



Um pé direito de quase seis metros de altura, um amplo mezanino que se debruça sobre o espaço, uma escada imponente em mármore. Lançando mão desse cenário arquitetônico especial, Maria Miriam Arruda e sua filha, Patrícia Salvador, decidiram abrir a P.S. Galeria, uma loja conceito que lembra as vanguardistas galerias novaiorquinas, reunindo uma série de objetos distintos como porcelanas antigas, cristais, pratarias, tapetes persas, botânica, bordados em richelieu, esculturas de madeira, moda e quadros de artistas plásticos mineiros.


Em seus 10 meses de funcionamento, já foram exibidas no local exposições da fotógrafa Joana Moreira, Glauco Moraes, Bráulio Bittencourt e Marcus Amaral. No momento, as paredes de todos os ambientes interligados estão cobertas por telas de Fernando Pacheco, cuja mostra ficará em cartaz até 25 de janeiro de 2019. “Patrícia e eu queríamos algo inovador e arrojado, um projeto rico em experiências para todos que fossem à loja ”, afirma Miriam.


Interessante pontuar que grande parte dos objetos que estão sendo comercializados fazem parte das coleções que ela foi adquirindo ao longo do tempo. A curiosidade sempre funcionou como um motor de arranque na vida da empresária, lado a lado com seu interesse por arte. O colecionismo faz parte desse processo. Curiosa sobre todas as áreas de conhecimento, Miriam é fascinada por livros antigos, estudiosa de temas como a história da porcelana, manufaturas como a Cia das Índias, Meissen, leilões, que também gosta de frequentar. Com cultura vasta sobre o assunto, admira e sabe distinguir origem, estilo, processo de fabricação de peças antigas, de tapetes à prataria.


Engenheira química formada em 1972 pela UFMG, ela chegou a empreender, com sucesso, alguns projetos na área, mas foi fisgada pela área de informática, que dava seus primeiros passos. “Fui contratada pela Burroughs, uma multinacional norte-americana, a segunda maior empresa do mundo na área. Foi o início da indústria de computação, ainda com equipamentos fisicamente muito grandes. E terminei ficando nesse setor”, relembra. Tempos depois, abriu o próprio negócio, a Octus Informática, sob seu comando até hoje.


Dirigiu ainda o Centro de Computação da UFMG. “Tive muita relação com a equipe das Belas Artes por causa do vestibular. Era uma época em que as pessoas não compravam arte, um mercado restrito e difícil na cidade. Para incentivar a venda dos trabalhos dos artistas, diretores e professores organizavam consórcios das obras criadas por eles. Esses trabalhos e de outros artistas, sob uma curadoria, eram reunidos em uma grande exposição no saguão da reitoria”, ela conta, acrescentando que todos esses movimentos contribuíram para aumentar sua cultura e paixão pela área.


Quanto à filha e sócia, Patrícia Salvador - daí o nome P.S. Galeria – também e desde cedo manifestou interesses artísticos. Graduada em administração de empresas, estudou e morou na Europa e nos Estados Unidos, mas um curso sobre gestão do luxo, com Carlos Ferreirinha, na Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP -, em São Paulo, definiu os rumos do que desejava fazer. Quando voltou para Belo Horizonte, em 2016, começou uma coinversa com a mãe sobre que tipo de atividades poderiam desenvolver no imóvel localizado em ponto nobre da Savassi, que Miriam havia adquirido em 2000.

 

 

Preciosidades expostas

 

O projeto é da decoradora Eliane Pinheiro e estava alugado para o Inhotim, que fez algumas alterações internas. “Quando ficou vago, optamos por abrir uma galeria moderna, atemporal, como várias que existem em Nova York, com mobiliário descolado no estilo chão de fábrica e que funcionasse como uma casa, aproveitando o pé direito para integrar os ambientes. Decidimos também que traríamos as coleções de peças antigas para serem comercializadas”,  explica. A partir desse conceito, os objetos são expostos em várias mesas de vidro sustentadas por cavaletes. Algumas delas funcionam como sugestão de montagens criativas exibindo louças, jogos americanos, talheres, taças.


Entre as preciosidades, há um aparelho de jantar brasonado creme e branco com serviço de 12 lugares assinado por Jean Mansard, que era dono de um atelier, na rua Paradise, em Paris,em 1790. “Ele era um estilista de porcelanas. Criava os brasões para as famílias e, posteriormente, os encaminhava para a manufatura, acompanhando todo o trabalho”, revela a empresária.


Outra atração é o aparelho Dom João VI, denominado DP (Dom Pedro). “Os desenhos da cena galante são mais bonitos que os das porcelanas fabricadas em Limoges, na França. Podem não ter a mesma qualidade, mas são mais bonitas”, garante. Miriam disponibilizou também coleções de porcelanas Enoch Wood, a primeira manufatura inglesa, datada de 1745.
Fazem sucesso ainda os pratos produzidos pela Cia Vista Alegre portuguesa, que reproduz pinturas dos grandes mestres do Renascimento, com o tema nascimento de Jesus. Dos 100 colocados à venda, só restam 17 peças. A prataria portuguesa, com aproximadamente 300 anos, que Miriam comprou em leilão, convive com as de origem inglesa e francesa. Para completar, a P.S Galeria oferece cristais franceses Baccarat e Saint Louis, cristalerias antigas e conceituadas em todo o mundo. Já os tapetes, que ornamentam o piso da loja, foram herdados pela empresária, são centenários e também estão à venda.


Vale a pena conferir as peças bordadas à mão em richelieu, confeccionadas em linho irlandês e percal acetinado, que vão desde os panos para bandeja e jogos americanos até toalhas e enxoval para camas. Segundo Miriam, “elas fazem parte de uma tradição do bordar, típica atividade executada pelas mulheres de Minas Gerais, que têm uma produção lindíssima”.
A proposta abrangente da galeria visa também qualificar os ambientes tornando-os mais leves e agradáveis e inclui uma seção de botânica. A seleção de plantas conta com belos Chifres de Veado originários da Austrália, Nova Zelândia, Madagascar, China e África do Sul, que fazem sucesso entre os clientes, além de Costelas de Adão e bromélias raras. No quesito natureza, chama atenção as esculturas de madeira elaboradas pelo artista César Augusto de Paula a partir de raízes e troncos de árvores.


Nesse conjunto diversificado, não falta a moda. O acervo, garimpado por Patrícia Salvador, possui marcas conceituadas, conhecidas em todo o Brasil, como a Maracujá, Madreperola, UH Premium, Anne est folle, Plural, Lina Brand, Juliana Gevaerd, e a sofisticada linha da Salt Sun & Bikinis, com modelos para praia e piscina confeccionados em neoprene. Novos nomes, como a Lume, aportarão em breve nas araras, fruto de uma curadoria realizada entre as labels participantes do Minas Trend. “É um dos setores mais requisitados na galeria e vamos aumentar a oferta”, explica Patrícia.


“Todas as ações que estamos desenvolvendo, particularmente as exposições de arte, estão tornando a P.S. conhecida em Belo Horizonte. As pessoas se encantam quando entram na galeria, o que nos prova que estamos no caminho certo. Nesse empreendimento, que é cultural e comercial, pensamos sempre em oferecer aos clientes uma oportunidade, não só de compras, mas de terem uma experiência especial, interagindo com os ambientes”, ressalta Miriam.


Publicidade