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Estado de Minas

Minas tem maior percentual de crianças com nível desejado de leitura e escrita

Avaliação Nacional da Alfabetização mostra que mais da metade dos alunos na escola pública ainda têm conhecimento insuficiente em escrita e nos números nessa fase da vida escolar


postado em 26/10/2017 06:00 / atualizado em 26/10/2017 08:36

Melhoria dos indicadores passa por iniciativas de incentivo à leitura, como ocorre em escola municipal de Santa Bárbara(foto: Claydes Ricardo/Divulgação)
Melhoria dos indicadores passa por iniciativas de incentivo à leitura, como ocorre em escola municipal de Santa Bárbara (foto: Claydes Ricardo/Divulgação)
O país tem ainda um longo caminho a percorrer para conseguir alfabetizar os pequenos brasileiros. Aos 8 anos, quando os estudantes estão no 3º ano do ensino fundamental, deveriam ler e compreender textos plenamente, escrever com desenvoltura, além de dominar os primeiros ensinamentos da matemática. Mas, conforme mostra a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), divulgada ontem pelo Ministério da Educação (MEC), mais da metade dos alunos na escola pública ainda têm conhecimento insuficiente em escrita e nos números nessa fase da vida escolar. Nesse cenário, embora com índices mínimos, Minas Gerais se destaca com o maior percentual de estudantes com nível desejado de leitura e escrita. Na matemática, 60% estão longe desse patamar.

A ANA foi aplicada em novembro de 2016, quando quase 90% dos estudantes avaliados tinham 8 anos ou mais. No Brasil, mais da metade dos estudantes têm nível de leitura insuficiente (54,73%). Na escrita, esse percentual cai para 33,85%. Na matemática, 54,4% das crianças sabem menos do que deveriam.

Os alunos de Minas Gerais ocupam a primeira posição em leitura – 62,35% têm nível suficiente, dos quais 23,29% chegaram ao nível desejável. Na escrita, Minas cai para o quarto lugar, com 79,25% dos estudantes com aprendizado considerado suficiente. Mas, entre os que estão com proficiência desejável, o percentual é de apenas 16,1%. Na matemática, Minas fica atrás apenas de Santa Catarina, com 62,17% dos meninos com domínio suficiente, sendo 40,68% deles com aprendizado pleno.

A superintendente de Avaliação Educacional da Secretaria de Estado de Educação (SEE), Geniana Guimarães Faria, ressalta que a boa notícia é a redução do desvio-padrão os estudantes. “Estamos conseguindo diminuir a quantidade de alunos no nível elementar. Mais que verificar o percentual de alunos no nível desejado, o que chama a atenção é termos diminuído o intervalo entre os que sabem menos e os que sabem mais. O grande safio é não deixar ninguém para trás”, afirma.

Os resultados ruins em leitura levaram, há dois anos, a discussões na Escola Municipal Marphiza Magalhães Santos, em Santa Bárbara, na Região Central de Minas. Na  época, foi criada a roda literária para aproximar autores das crianças. A partir dela, conheceram um gênero poético novo, sintético, composto por seis palavras, criado por um grupo de autores da cidade de Mariana, na mesma região: o “albrasilhando”. Ideal para trabalhar com os alunos com dificuldade em leitura.

O gênero rendeu frutos. Na semana passada, a ação  cademia de Letras Infantojuvenil em Escola Pública, feita em parceria com a Academia Brasileira de Autores Aldravianos Infantojuvenil, foi selecionada na etapa regional da 12ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, cujo objetivo é reconhecer e estimular as parcerias entre Organizações da Sociedade Civil e escolas públicas no desenvolvimento de ações socioeducativas que ampliem tempos, espaços e conteúdo de aprendizagem para crianças e adolescentes na faixa etária dos 6 aos 18 anos.

Palavra de especialista


Sonia Barbosa Dias, coordenadora na Gerência de Programas da Fundação Itaú Social

Defasagem que se acumula

“O fato de o nível de leitura e conhecimento da matemática das crianças até 8 anos se mostrar tão desafiador só reforça a necessidade de avançar para uma educação de maior qualidade como um todo e, nesse caso, na educação infantil e séries iniciais. Uma criança de 8 anos que tem dificuldade para ler textos escolares e resolver problemas básicos de matemática não é prejudicada apenas nessas disciplinas, mas tende a acumular defasagens de aprendizagem em outras. Sem falar no seu acesso a outras manifestações da língua escrita e de solução de problemas. É preciso cuidar para que as crianças nessa faixa etária possam avançar e superar suas dificuldades escolares com apoio de seus professores e comunidade escolar, mas para isso também é preciso olhar para que o docente possa diferenciar estratégias e acompanhar esses alunos. Além disso, é preciso destacar que as defasagens de aprendizagem que podemos encontrar em outros níveis de ensino como o fundamental e o ensino médio têm origem nos momentos anteriores da escolarização.”

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