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Estado de Minas

MG fica em boa posição no Brasil em pesquisa de educação, mas nota em ciências cai

Queda acompanha a do Brasil, que recuou nas três áreas analisadas em pesquisa internacional. O país aparece nos últimos lugares entre os 70 pesquisados. As pontuações em MG ficaram acima da média nacional, mas estão distantes dos resultados dos melhores países


postado em 07/12/2016 06:00 / atualizado em 07/12/2016 10:43

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press - 10/5/16)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press - 10/5/16)
Uma pesquisa internacional realizada em 70 países revelou um quadro preocupante sobre a educação no Brasil e em Minas Gerais. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) divulgados ontem a partir de testes de matemática, ciências e leitura com estudantes de 15 anos mostraram que o país ocupa uma das piores posições entre as nações pesquisadas pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE): a melhor colocação foi em 59º lugar (com 407 pontos) em leitura. Em ciências, os alunos brasileiros obtiveram a 63ª posição (401 pontos) e em matemática ficaram na 65ª posição (377 pontos), à frente apenas de Macedônia, Tunísia, Kosovo, Argélia e República Dominicana. Nas três áreas, as notas do Brasil pioraram em relação aos testes realizados em 2012 e em 2009.


Os resultados em Minas Gerais também não foram animadores. As notas de estudantes mineiros puseram o estado em 4º lugar no ranking brasileiro em ciências (422 pontos), e 3º em leitura (431) e em matemática (398). As pontuações ficaram acima da média nacional, mas estão distantes dos resultados dos melhores países. Além disso, houve queda na nota de ciências em relação aos dois levantamentos Pisa feitos anteriormente, em 2009 e 2012 – a nota deste ano foi 398, contra 419 em 2012 e 429 em 2009. Em matemática e em leitura, o avanço foi pequeno: 422 e 431 este ano, respectivamente, contra 403 e 427 em 2012.

Para o professor Cláudio Márcio Magalhães, doutor em educação e pesquisador do Centro Universitário Una, os resultados da pesquisa são um reflexo do momento que o país vive. “Não é surpresa que, em relação à edição anterior, ocorra uma queda da pontuação. A educação é o principal pilar do país e está impactada pela atual situação da política e da economia”, opina.

Para Magalhães, é necessária uma política pública para o setor e não apenas ações pontuais. “É preciso considerar a educação como prioridade nacional. Não é valorizar professor e sala de aula, se o aluno não tem como chegar à escola”, acrescenta. “Talvez essa queda seja uma coisa boa, para que ninguém se reconforte com uma pontuação de 0,2 ou 0,3 acima da obtida na edição anterior do programa”, sugeriu. Quanto à estabilização de Minas Gerais dentro do cenário nacional, Cláudio foi lacônico: “É como se destacar dentro daquilo que está ruim, ou seja, ser menos ruim”.

José Francisco Soares, integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), considerou que o resultado ressaltou problemas da educação brasileira. “O quadro que o Pisa apresenta é o mesmo que conhecemos por meio do Enem e da Prova Brasil aqui no país: nosso sistema de educação está em dificuldades para garantir o direito de aprender da criança e do jovem. A educação precisa acordar para o fato de que crianças e jovens não estão tendo direito ao aprendizado”, pontuou Soares.

DIFERENÇAS A pesquisa apontou ainda grande diferença nas notas entre as redes públicas (federal, estadual e municipal) e privada de ensino no país. Em ciências, por exemplo, a média da rede federal foi de 517 pontos, seguida pela particular, com 487. As redes estaduais tiveram média de 394 e as municipais, 329. A média dos países-membros da OCDE é de 493 pontos.

GÊNERO Além das discrepâncias entre as notas das escolas, a pesquisa recorta a diferença de desempenho entre meninos e meninas. Elas tiveram um desempenho menor do que o dos meninos em ciências e matemática. Já em leitura, meninas tiveram desempenho superior. De acordo com o relatório do programa e especialistas em educação, a diferença se deve ao comportamento e estereótipos de gênero.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Educação de Minas Gerais, mas a assessoria de imprensa informou que ainda não havia analisado os dados divulgados pela OCDE .

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)


Ideb mostra estagnação


Em setembro deste ano, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2015 apontou que a qualidade do ensino médio estagnou no Brasil nos últimos quatro anos. A marca de 3,7, a mesma desde 2011, ficou distante da meta de 4,7. O agravante, é que desde 2013 os números não atingem a média estipulada pelo MEC. Situação também complicada em Minas Gerais, já que além de não atingir a meta nos últimos quatro anos, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio segue em queda. A última vez que a meta do ensino médio foi cumprida no país, em 2011, o indicador era de 3,7. Como o Ideb é bienal, as metas seguintes eram de 3,9 em 2013 e de 4,3 em 2015, mas o índice se manteve em 3,7. Em Minas Gerais, o último indicador dos alunos do ensino médio também foi de 3,7, apesar de a marca estipulada pelo MEC ser de 4,7.

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