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Estado de Minas

MEC vence primeira batalha pela redação do Enem

Tribunal Regional Federal acata pedido da Advocacia Geral da União contra decisão da Justiça do Ceará, que antecipava liberação das redações corrigidas, mas ainda cabe recurso


postado em 05/01/2013 06:00 / atualizado em 05/01/2013 11:48

Estudantes de BH que não concordam com correção da redação pediram apoio do Ministério Público Federal(foto: RODRIGO CLEMENTE/EM/D.A PRESS)
Estudantes de BH que não concordam com correção da redação pediram apoio do Ministério Público Federal (foto: RODRIGO CLEMENTE/EM/D.A PRESS)


Às vésperas da abertura das inscrições do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), maior porta de entrada de universidades públicas do país, uma disputa judicial envolvendo a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deixou alunos em suspense até ontem à noite. O presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), Paulo Roberto de Oliveira e Lima, acatou recurso da Advocacia Geral da União (AGU) contra a liminar da Justiça Federal do Ceará que determinava a antecipação imediata das redações corrigidas para 4,1 milhões de candidatos, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Estudantes em todo o país contestam as notas baixas.

Com a decisão do TRF-5, que fica no Recife, o prazo para que os estudantes tenham acesso à redação permanece com a data inicial de 6 de fevereiro, embora ainda caiba recurso.

O Ministério da Educação (MEC), que fez o pedido para que  AGU entrasse com o recurso, alegou não ter capacidade para abrir as redações para revisão e argumentou ter assinado em agosto um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o Ministério Público Federal (MPF) se comprometendo a divulgar o espelho da correção da redação em  fevereiro, para fins pedagógicos.

As  inscrições no Sisu começam na segunda-feira. O sistema usa a nota do Enem para selecionar alunos para 129.279 vagas em 101 instituições públicas de ensino superior.

A possibilidade de não poder conquistar uma vaga no Sisu é a maior preocupação de um grupo de estudantes em Minas que protestou ontem contra o recurso da AGU, feito a pedido do MEC, na porta do MPF em Minas. Eles torciam para que continuasse valendo a liminar concedida pela Justiça Federal do Ceará, favorável à ação civil pública impetrada no estado nordestino. O MPF também luta para conseguir que, além dos espelhos, alunos tenham a possibilidade de recorrer da correção sem precisar acionar a Justiça. Ainda não há também veredicto sobre a ação civil pública ingressada pelo MPF em Alagoas pedindo o adiamento do prazo de inscrições do Sisu.

Com cartazes e narizes de palhaço, estudantes mineiros foram à sede do MPF em Minas, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e protocolaram petição judicial com mais de 8 mil assinaturas de todo o país reforçando pedido de acesso ao espelho das provas, além da possibilidade de haver revisão da correção. O grupo foi recebido pelo secretário estadual do órgão, Mário Augusto Lacerda. “Se a Justiça não der ganho de causa aos estudantes pela ação do Ceará, vamos tentar por Minas. Para a gente, o que ocorreu foi um sorteio na nota da redação. Não houve uma correção séria e queremos que isso seja feito antes do Sisu”, afirma o estudante Islander Henrique do Carmo, de 24 anos, que obteve 620 pontos na redação, num total de 1 mil. À frente do movimento está Ana Lúcia de Fátima Souza, de 24, que pode não conseguir concluir o ensino médio com a nota do Enem por conta do mau desempenho na redação. “Tirei 480 e precisava de, no mínimo, 500. Viemos aqui fazer pressão contra o recurso do MEC. Queremos pedir a revisão da correção ou até uma nova aplicação da prova”, diz.

Critérios

O MEC mudou em 2012 as regras para correção da redação, em que são avaliadas competências como o domínio da norma padrão da língua escrita, argumentação, compreensão da proposta, entre outros. As provas são examinadas por dois corretores. Caso a diferença da nota atribuída por cada um deles superasse os 200 pontos, o texto era avaliado por um terceiro corretor. Antes, isso ocorria quando a diferença ficava acima dos 300 pontos. Também foram avaliadas por um terceiro examinador provas em que a discrepância entre a nota atribuída em alguma das competências superasse 80 pontos. Além disso, a partir de 2012, se os resultados permanecerem com mais de 200 pontos de distância, uma banca examinadora de excelência é acionada. Balanço do MEC mostrou que, do total de 4,1 milhões de redações corrigidas, 20,10% das provas, o equivalente a 826.798, passaram pelas mãos de um terceiro avaliador. Já a banca de examinadores corrigiu 2,43% das redações, pouco mais de 100 mil textos.

Quase 2% dos alunos deixaram a redação em branco e 1,76% tiraram nota zero. O tema da redação do Enem 2012, “O movimento imigratório para o Brasil no século 21”, foi considerado inesperado e difícil na época da aplicação das provas, em novembro. Avaliações apontavam que, por causa disso, a tendência era de queda no desempenho dos alunos.


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