Publicidade

Estado de Minas

Bruno já está na Penitenciária de Três Corações em cela individual

O atleta, que se apresentou em uma delegacia de Varginha e depois foi levado para o presídio da cidade, foi transferido e chegou na prisão por volta das 19h30 de quinta


postado em 28/04/2017 08:44

Goleiro vai ficar em cela de 4,5 metros quadrados(foto: Gilmar Garcia Tv/Alterosa)
Goleiro vai ficar em cela de 4,5 metros quadrados (foto: Gilmar Garcia Tv/Alterosa)

O goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, de 32 anos, na Penitenciária de Três Corações, na Região Sul de Minas Gerais. O atleta, que se apresentou em uma delegacia de Varginha e depois foi levado para o presídio da cidade, foi transferido e chegou na prisão por volta das 19h30 de quinta-feira. A informação foi confirmada nesta sexta-feira pela Secretaria de Estado de Administração Prisional.

Bruno está em uma cela com medida de 4,5 metros quadrados. O cômodo tem cama, pia e vaso sanitário em alvenaria. Na unidade, o goleiro vai receber quatro refeições diárias – café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. Também terá direito a banho de sol e a visitas de pessoas cadastradas. Além disso, poderá trabalhar e estudar.

O goleiro se entregou na tarde desta quinta-feira, depois que o a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu revogar sua soltura. Ele deixou o hotel onde estava hospedado e chegou de carro com um dos advogados, Fábio Gama, e com os diretores do Boa Esporte. Bruno foi recebido pelo Delegado Regional de Varginha, Roberto Alves. No local, 12 pessoas o esperavam – entre equipes de reportagens e alguns vizinhos curiosos.

A comunicação do STF informou que a revogação da liberdade do atleta chegou de manhã ao Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem, na Grande BH. Depois disso, houve um despacho do juiz responsável para a expedição do mandado de prisão. O documento foi expedido pelo Tribunal do Júri de Contagem e encaminhado para a Comarca de Varginha, no Sul de Minas. Bruno passou por exames do Instituto Médico-Legal (IML), ainda na delegacia e, no meio da tarde, foi encaminhado ao Presídio de Varginha, no Bairro Padre Vitor.

O advogado que comanda a defesa de Bruno, Lúcio Adolfo da Silva, reforçou que recorrerá da decisão do Supremo, que considerou equivocada. “Vou entrar com embargo declaratório no STF, pois vi alguns equívocos, contradições, dúvidas, e quero que sejam esclarecidos. Então, vamos para o Pleno (reunião de todos os ministros da corte)”, disse, logo depois da revogação da soltura, o defensor, que também estuda a possibilidade de pedido para que o goleiro tenha autorização para trabalhar.

Processo

Na terça-feira, os ministros da Primeira Turma do STF revogaram a liberdade de Bruno por 3 votos a 1, analisando recurso impetrado pela mãe de Eliza contra a soltura do goleiro. Relator do processo, Alexandre de Moraes foi o primeiro a votar contra o habeas corpus. Em seguida foi a vez da ministra Rosa Weber, que acompanhou o voto. O ministro Luiz Fux seguiu a mesma linha. O ministro Marco Aurélio, que havia concedido a liminar para liberação do goleiro, votou contra a revogação da soltura. Na mesma data, o goleiro chegou a se entregar na Delegacia Regional de Varginha, acompanhado do diretor do Boa Esportes, Rone Moraes. Mas, como o mandado de prisão não havia sido expedido, o goleiro assinou um termo comprometendo-se a se entregar logo que o documento chegasse a Varginha.

Em 24 de fevereiro, o ministro Marco Aurélio Mello concedeu liminar ao goleiro em pedido de habeas corpus, dando a ele o direito de aguardar em liberdade o julgamento de um recurso contra sua condenação. Bruno ficou preso por seis anos e sete meses, desde julho de 2010, inicialmente por medida cautelar e depois preventiva, após ser apontado como mandante do sequestro, cárcere privado e morte de Eliza Samudio, em junho daquele ano.

Em campo

Desde que retornou ao futebol, Bruno disputou cinco partidas com a camisa do Boa Esporte, todas pelo hexagonal final do Módulo II do Campeonato Mineiro, sofrendo quatro gols. O goleiro tem duas vitórias, dois empates e uma derrota à frente da meta. Sua estreia ocorreu em 8 de abril, contra o Uberaba, no Melão, em Varginha. Em relação ao contrato com o time, o documento tem uma cláusula de rescisão automática em caso de volta à cadeia. “Há uma cláusula que dá ao clube o direito de rescindir o contrato por incapacidade dele (Bruno) de jogar. Ele perde o vínculo com a equipe, para de receber vencimentos e direitos trabalhistas assim que voltar à cadeia”, disse Lúcio Adolfo.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade