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Estado de Minas EMPREGO

Como a competência emocional pode interferir na produtividade do profissional brasileiro

Quais atitudes e comportamentos comprometem o trabalhador? Descubra os erros e como fugir de armadilhas


postado em 11/04/2018 16:59 / atualizado em 12/04/2018 13:13

(foto: Pixabay/Divulgação)
(foto: Pixabay/Divulgação)
 

Competência emocional é diferencial na carreira. Ainda mais porque profissionais são contratados por habilidades técnicas, mas demitidos por inabilidades comportamentais. Muitas pesquisas de entidades e consultorias internacionais apontam a produtividade do trabalhador brasileiro como uma das mais baixas se comparada a países como Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, França e México. Em relação aos Estados Unidos, o índice do país equivale a apenas 25% da eficiência do americano. Resultado muito embasado na falta de foco e objetividade.


O master coach Marcelo Singulani, diretor do Centro de Treinamentos Concretize Coaching, explica que as competências emocionais são as competências atreladas às emoções diárias. “Ter alta performance e grandes resultados dependem de liberar o seu potencial máximo e isso só pode ser alcançado com o desenvolvimento da inteligência emocional, que permite que as pessoas se superem em qualquer obstáculo. Na prática, significa encontrar motivação para fazer o que deve ser feito, controle para não estourar com o colega de trabalho, equilíbrio para lidar com pessoas que falam devagar demais, por exemplo, sempre estando presente que para alcançar o objetivo será necessário saber lidar com essas questões cotidianas”, afirma.


Hoje, nas organizações, as habilidades técnicas são facilmente ensinadas. “O grande diferencial daqueles que se destacam está na gestão das emoções. Por isso, 87% das demissões nas empresas são geradas por falta de habilidades emocionais, enquanto que apenas 13% por falta de habilidade técnica. Muitos não sabem trabalhar em equipe, levam problema de casa para a empresa, não são autogerenciáveis, não lidam bem com a frustração etc., características comportamentais de baixo controle das emoções.”


Marcelo Singulani aponta duas interferências emocionais, atreladas a quase todas, que atrapalham ou até mesmo impedem a evolução, a produtividade e a ascensão de qualquer profissional. “A primeira é a procrastinação. A pessoa sabe o que tem e o que deve fazer, mas simplesmente não faz, sempre acha algo para impedi-la de fazer sua tarefa. A segunda é a autossabotagem, que são ações que vão contra seu objetivo, como se fosse um boicote a você mesmo, muitas vezes provocada por insegurança, medo e crenças de que não será capaz de conseguir. As duas estão intimamente ligadas.”

IMPACTO NEGATIVO

 

Marcelo Singulani, diretor da Concretize Coaching, diz que muitos não sabem trabalhar em equipe e tem baixo controle das emoções(foto: Rossana Magri/Divulgação)
Marcelo Singulani, diretor da Concretize Coaching, diz que muitos não sabem trabalhar em equipe e tem baixo controle das emoções (foto: Rossana Magri/Divulgação)

O problema, ressalta Marcelo Singulani, é que a maioria dos profissionais não percebe, sozinha, esses comportamentos. “Nesse contexto, o profissional passa por dois momentos para melhorar esses comportamentos inadequados: desenvolve a autoconsciência e cria estratégias para lidar com a situação ou então só perceberá esses comportamentos quando passar por um forte impacto emocional, como uma demissão ou uma advertência pública durante uma reunião. O risco, nesse caso, é que o impacto emocional negativo pode não resolver aquele comportamento e agravar ainda mais o problema, porque a pessoa enxergará toda a situação de forma negativa”, explica o coach.


A solução, alerta Marcelo Singulani, está no autoimpacto positivo, mostrar para o profissional que o caminho é o autoconhecimento, que tem de ser mudado via motivação interna. Saber que a real motivação não é só o salário, mas a quebra de padrão comportamental. O master coach enfatiza que “todas as pessoas têm sonhos e metas, mas muitas sentem que tudo parece ser difícil, complicado de alcançar. Todos nós temos potencial, merecemos bons resultados, mas, para isso, é preciso eliminar as interferências internas e comportamentos inadequados. A forma de demonstrar a relação pessoal é diferente, mas a forma de usar a motivação interna é igual”.

 

 

Como aumentar o foco e a produtividade

 

 

 

1 – Esteja consciente de quais tarefas deve fazer e quais são as que roubam o seu tempo. Separe tarefas de produção (aquelas que o aproximam da sua meta) das tarefas de ocupação (aquelas que o afastam da meta, mas que, por vezes, precisam ser executadas). Existem tarefas de ocupação obrigatória (as que precisam mesmo ser executadas) e tarefas de ocupação dispensáveis, como navegar aleatoriamente pelas redes sócias, ler e-mails inúteis e tantas outras. 

 

 2 – Faça uso da técnica de foco visual, que é a forma mais rápida de você alcançar qualquer objetivo. Consiste na reprogramação mental para criação da imagem do que se espera fazer. Fique alguns minutos de olhos fechados e visualize o que espera conquistar ou fazer. Colocar a imagem mental com detalhes faz com que seu cérebro procure os caminhos e use os principais recursos que você tem para manter a determinação e a força de vontade nas tarefas diárias.

 

 3 – Utilize o foco comportamental. Essa é uma forma de você manter bons hábitos e reprogramar seu cérebro. Escolha todos os dias, por exemplo, produzir algo durante uma hora ininterruptamente sem se distrair  nas redes sociais. Após algumas semanas seu cérebro ficará condicionado a executar essa        tarefa com muito mais facilidade.

 

 4 – Tenha em mente que seu corpo é uma máquina e para produzir bem precisa de um combustível de ótima qualidade. Alimentos saudáveis, além de propiciar a saciedade necessária, aumentam a produção de serotonina, que é o hormônio da felicidade, ajudando-o a ter uma energia incrível durante o dia.

 

 5 – Defina o foco proposital, que é a maneira de determinar o que significa cada atividade diária. Pense no que você ganha após fazer cada tarefa e seja determinado com sua escolha. Quem quer realmente ser focado e produtivo precisa determinar qual o propósito de cada coisa, escolhendo o que aquilo significa para você.

 

 6 – Como dica extra, sugiro que você tenha uma estrutura psicoemocional de gratidão. Afinal de contas, o foco determina o sucesso e, para ter sucesso, é necessário que sejamos felizes, e para ser felizes precisamos ser gratos. As pessoas gratas são felizes e assim sabem onde colocar o seu foco. 

 

Competência de liderença 

 

Mestre em administração, Rúbria Coutinho, afirma que inteligência emocional é a capacidade de lidar com as próprias emoções(foto: Isabel Lima/Divulgação)
Mestre em administração, Rúbria Coutinho, afirma que inteligência emocional é a capacidade de lidar com as próprias emoções (foto: Isabel Lima/Divulgação)
Só para alguns pode parecer estranho que o caminho para a excelência profissional atribui peso maior às competências emocionais do que às capacidades cognitivas, a excelência técnica. Saber lidar e controlar as emoções é uma das características mais valiosas do mercado e, ao mesmo tempo, das mais complicadas para o trabalhador, principalmente aquele que vive numa montanha-russa de sentimentos, desencadeando reações, às vezes, inesperadas. O que pode ser um problema dentro de uma organização.

 

Quem alcança a competência emocional é sinal de que tem alto grau de inteligência emocional. Na análise da consultora Rúbria Coutinho, psicóloga, mestre em administração de empresas pela PUC Minas, com certificação em change management pela Prosci/People Change, a inteligência emocional fala, principalmente, da capacidade de lidar com as próprias emoções, de quem tem bom nível de autoconhecimento, controle e mecanismo para enfrentar situações difíceis. Já competência emocional implica mobilizar algum recurso que você tem. É lidar com aspectos emocionais próprios e do outro para atingir resultados em qualquer contexto.

 

Rúbria Coutinho destaca que “por mais que você se conheça, saiba de suas fortalezas e limitações, é preciso colocar em prática o autoconhecimento na forma de lidar com o outro, o que é importante não só para o mercado de trabalho, para a organização. Conhecer-se é fazer algo efetivo”.

De acordo com Rúbria Coutinho, no mundo do trabalho atual, “as organizações prestam atenção na maturidade do profissional, que não é só a do tempo”, ela deixa claro. Ou seja, vale para a empresa investir no colaborador que no momento de pressão, ao ouvir um não, de conflito ou situação desconhecida saiba entregar o resultado por meio da competência técnica e emocional.

 

Se você busca ter competência emocional, o primeiro passo é desenvolver sua inteligência emocional. Laydyane Ferreira, consultora de gestão empresarial e coach com foco no desenvolvimento da carreira, liderança e negócios, explica que não existe um caminho predefinido para melhor a competência emocional.

 

Ainda que o foco seja o mercado de trabalho, saber lidar com as emoções é um ganho para a vida, tanto profissional quanto pessoal. Laydyane Ferreira enfatiza que se engana quem acha que inteligência emocional é importante somente na vida profissional. “É uma competência de liderança: liderar a si mesmo, os relacionamentos com a família, amigos... Você poderá perceber também que grandes executivos crescem na carreira por ter conhecimento técnico ou apresentar resultados incríveis de negócios, mas muitos não têm sucesso por falta de inteligência emocional", explica.

 

COMUNICAÇÃO

 

A coach Laydyane Ferreira lembra que grandes executivos não têm sucesso por falta de inteligência emocional (foto: Arquivo Pessoal)
A coach Laydyane Ferreira lembra que grandes executivos não têm sucesso por falta de inteligência emocional (foto: Arquivo Pessoal)
Laydyane Ferreira conta que o mercado oferece assessments (diagnósticos) bem interessantes em que o profissional consegue medir o que está em desequilíbrio e, a partir daí, melhorar essa competência. “Utilizo nos processos de coaching voltados para liderança. Trabalho também com meus clientes essa competência por meio da comunicação.”

 

Para Laydyane Ferreira, a forma como nos comunicamos está diretamente ligada à forma como lidamos com nossas emoções. “Temos uma falsa impressão de que a violência está ligada somente à agressão física, intensidade da fala, mas existe uma falta de inteligência emocional velada, na forma de nos comunicarmos. Reatividade, julgamentos e ausência de compaixão são fatores presentes numa comunicação violenta, em que não há inteligência emocional.”

 

É possível desenvolver inteligência emocional

Sugestões da coach Laydyane Ferreira para começar a desenvolver sua inteligência emocional:

 

1 – Invista fortemente em autoconhecimento: 

Todos os caminhos que você escolher levarão você a se conhecer mais

 

2 – Treine na família: 

Comece a enxergar de maneira compassiva (se colocando no lugar do outro) os seus familiares.

 

3 – Trabalhe a sua espiritualidade: 

Aqui você encontrará uma forma de ser mais compassivo e não ter medo de ser humano

 

4 – Pratique exercício físico: 

Os hormônios liberados nas atividades físicas equilibram as emoções

 

5 – Medite: 

Estar no momento presente faz você não alimentar a ansiedade (foco no futuro) e nem desenvolver depressão (excesso de passado)

 

 

PARA LER

 

Publicado pela primeira vez em 1995, nos EUA, Inteligência emocional, de Daniel Goleman, transformou a maneira de pensar a inteligência. Alterou práticas de educação e mudou o mundo dos negócios. Das fronteiras da psicologia e da neurociência, o autor trouxe o conceito de ‘duas mentes’ – a racional e a emocional – e explicou como, juntas, elas moldam nosso destino. Segundo Goleman, a consciência das emoções é fator essencial para o desenvolvimento da inteligência do indivíduo. Partindo de casos cotidianos, o autor mostra como a incapacidade de lidar com as próprias emoções pode minar a experiência escolar, acabar com carreiras promissoras e destruir vidas. O fracasso e a vitória não são determinados por algum tipo de loteria genética: muitos dos circuitos cerebrais da mente humana são maleáveis e podem ser trabalhados. Utilizando exemplos marcantes, Goleman descreve as cinco habilidades-chave da inteligência emocional e mostra como elas determinam nosso êxito nos relacionamentos e no trabalho, e até nosso bem-estar físico. Pais, professores e líderes do mundo dos negócios sentirão o valor desta visão arrebatadora do potencial humano.

 

Serviço:

 

Livro: Inteligência emocional

Autor: Daniel Goleman Ph.D.

Editora: Objetiva

Ano: 1995

Páginas: 375

Preço: R$ 37 

 

PALAVRA DE ESPECIALISTA 

 

O administrador PMD Pro Fabiano Melo alerta que o profissional precisa tomar decisões com segurança e exercer a escuta ativa(foto: Arquivo Pessoal)
O administrador PMD Pro Fabiano Melo alerta que o profissional precisa tomar decisões com segurança e exercer a escuta ativa (foto: Arquivo Pessoal)
“No vasto campo do potencial humano, o domínio das emoções é o ponto-chave para a conquista do autoconhecimento, autocontrole e autoconfiança. Saber identificar, filtrar, controlar e expressar as emoções proporciona ao indivíduo um alto nível de energia transformadora, permitindo-lhe tomar decisões com segurança, exercer a escuta ativa, além de elevar a qualidade dos relacionamentos interpessoais. Dominar as competências emocionais é importante ponto de alavancagem para a vida profissional e pessoal. Disciplina, foco, coragem, ousadia, motivação e compreensão são algumas atitudes positivas inerentes ao desempenho constante do equilíbrio emocional. Estar no controle de si é uma brilhante conquista. Manter-se no controle é uma atitude plena, expressão da inteligência humana no exercício das suas competências emocionais.” 

 

 

 

 

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