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Estado de Minas ECONOMIA

Denúncia: médicos da Petrobras receitam ivermectina a empregados com COVID

Federação Única dos Petroleiros diz que médicos da estatal estão receitando o medicamento, que não tem eficácia, a funcionários com COVID-19; Petrobras nega


15/06/2021 18:17 - atualizado 15/06/2021 20:18

Até a farmacêutica Merck, fabricante do medicamento, já informou que ele não tem eficácia, contra a COVID-19(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Até a farmacêutica Merck, fabricante do medicamento, já informou que ele não tem eficácia, contra a COVID-19 (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A Federação Única dos Petroleiros (Fup) denunciou que a Petrobras está receitando ivermectina para tratamento da COVID-19 a seus empregados, segundo receita fornecida por médicos da estatal a trabalhadores da empresa contaminados ou com suspeita de contaminação pela doença.

O remédio é condenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no tratamento do COVID-19, porque além de ser ineficaz, pode produzir efeitos colaterais. 

"A insistência neste tratamento contraria não só os protocolos dos órgãos de saúde mundial: a própria farmacêutica Merck, que fabrica o medicamento, declarou em comunicado oficial que, na análise de seus cientistas, não há eficácia no uso do medicamento para a COVID", alerta a Fup em nota.

Confira: Jovem trata COVID com ivermectina e pode precisar de transplante de fígado

A estatal segue o comportamento do governo federal, que liderado pelo presidente Jair Bolsonaro, defende o chamado "tratamento precoce" da COVID-19 via medicamentos que, além de serem infeficazes, podem causar efeitos colaterais na saúde de quem usa. E não são recomendados pela OMS para tal finalidade.

A ivermectina,por exemplo, é utilizada no tratamento de parasitas, como piolhos e sarnas.

A federação criticou também a qualidade das máscaras que vêm sendo distribuídas pela Petrobras.

"Além de receitar remédios sem eficácia comprovada, a empresa resiste em fornecer máscaras de proteção PFF2 para todos os empregados, contrariando recomendações do Ministério Público do Trabalho e da Fiocruz", informou.

A entidade ressalta ainda que a Petrobras também tem se recusado a fazer testagem para COVID-19 na metade do período do embarque nas plataformas (a testagem só é feita no início do embarque) e que não respeita o distanciamento social em suas atividades.

Segundo o 61º Boletim COVID-19 divulgado nessa segunda-feira (14/6), pelo Ministério de Minas e Energia (MME), o número de mortes na Petrobras pelo novo coronavírus mais que dobrou nos últimos dois meses e meio, para 45 trabalhadores, e 7.205 foram infectados pela doença, sendo que 6.949 já estão recuperados.

Outro lado


Segundo a Petrobras, "não há qualquer orientação corporativa quanto aos medicamentos a serem prescritos em caso de COVID-19, ou qualquer outra doença. A prescrição de medicamentos para qualquer enfermidade é de escolha e responsabilidade do profissional médico, e esta autonomia é assegurada pelo Código de Ética Médica".

Ainda de acordo com a estatal, os médicos da Petrobras têm como atribuição principal a saúde ocupacional e, durante a pandemia, atuam na construção e acompanhamento de medidas de prevenção.

"A prescrição de medicamentos para tratamento de COVID-19 é realizada apenas em situações pontuais. É sempre reforçada a recomendação de buscar o médico assistente para acompanhamento do tratamento, seja na rede pública ou particular conveniada", explicou.

Sobre o aumento das mortes e infecções pela pandemia, a empresa afirmou que os casos de contágio registrados seguem tendência semelhante às médias nacionais, sendo que o diagnóstico na Petrobras é mais preciso, pois os colaboradores são testados com maior frequência que a população em geral.

Também informou que a Petrobras fornece diferentes tipos de máscaras a depender do tipo de atividade desempenhada e natureza das atividades. "São usadas máscaras de tecido ou descartáveis com múltiplas camadas, máscaras cirúrgicas e máscaras do tipo PFF-2", disse em nota, reforçando que tem adotado todas as medidas de proteção aos trabalhadores para evitar a contaminação.


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