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Estado de Minas TELEFONIA

Leilão da tecnologia 5G no Brasil deve arrecadar cerca de R$ 20 bilhões

'O 5G será ainda mais impactante para economia do que foi a introdução do serviço móvel celular', acredita o presidente do conselho diretor da Anatel


10/12/2020 11:40

(foto: Reprodução/Correio Braziliense)
(foto: Reprodução/Correio Braziliense)
Um dos eventos mais aguardados pelo setor de telecomunicações, o leilão da quinta geração de telefonia móvel (5G) deve movimentar cerca de R$ 20 bilhões em arrecadação com outorgas. Em live realizada, ontem, pelo Correio, o presidente do conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Leonardo de Morais, informou que a disputa tem previsão de ocorrer no final do primeiro semestre de 2021. “O 5G será ainda mais impactante para a economia do que foi a introdução do serviço móvel celular, que transformou o modo como as pessoas se comunicam diariamente.”

A perspectiva é de que o relator do processo na Anatel, Carlos Baigorri, entregue seu parecer no fim de janeiro ou no início de fevereiro. De acordo com Morais, este é o edital mais complexo da história da agência. “Não queremos que seja apenas um edital ligado a aspectos arrecadatórios, ou só tecnológico, queremos oferecer muito mais resultados positivos, com investimentos para a expansão da infraestrutura, e oferecer uma redemocratização da rede para a população brasileira”, diz.

Segundo o presidente da Anatel, o edital prevê um compromisso de investimentos como instrumento de cooperação. “Queremos atender a lugares menos acessíveis, então, ao ganhar uma faixa importante, será necessário investir em faixas menos importantes, também. Essa é uma forma de garantir a distribuição de tecnologia e facilitar a vida do cidadão”, explica. Pelos cálculos da Anatel, há 6 milhões de brasileiros, em 14 mil localidades, que estão desprovidas de serviços.

“Não se trata apenas de lazer, mas de conhecimento”, diz Morais. Ao estarem conectadas, as pessoas passam a ter acesso a informações, a dispositivos de segurança e de saúde. Essas necessidades, acredita o presidente da Anatel, ficaram muito mais claras com a pandemia do novo coronavírus. “O home office mostrou que é possível ganhar produtividade, o distanciamento mostrou que as pessoas precisam se manter conectadas, os benefícios sociais foram pagos graças ao uso de aplicativos tecnológicos”, explica. Portanto, é importante que os editais do 5G garantam os investimentos nessas localidades. Não se pode focar apenas nas regiões consideradas “filés”.

Revolução

Para Morais, se o 4G mudou a vida das pessoas, a chegada do 5G remodelará a vida da sociedade. “Não se trata de apenas mais 1G. Trata-se de um guarda-chuva que envolve e potencializa muitas outras tecnologias”, frisa. Ele lembra que, quando houve a transição do 3G para o 4G, o resultado principal foi o aumento da velocidade de transmissão de dados. “A tecnologia de quinta geração tem outras facetas, aquelas relacionadas com a Internet da Coisas (IoT, na sigla em inglês), tanto para fins massivos, como na agricultura de precisão, quando em aplicações que requerem menor latência, sensíveis ao atraso”, explica.

Sendo assim, o presidente da Anatel diz estar convencido de que a transição para o 5G será um catalisador da inovação e de novas tecnologias habilitadoras, um novo ciclo de conectividade das coisas. “Estamos diante de uma tecnologia inovadora, que pode ser compreendida como o principal gateway (portão de entrada) na conexão de aparelhos”, afirma. Isso ficará claro, por exemplo, na agricultura. O 5G ajudará bastante, desde o manuseio de equipamentos até a previsão do tempo e os resultados de colheita. “O agrobusiness é um solo fértil para essa nova tecnologia”, destaca.

Ele ressalta, também, que é preciso tempo para desenvolver conceitos e a organização das redes, pois o 5G ainda está “na primeira infância”. “Além do tempo, outro ponto importante é o uso da criatividade humana, que será uma das responsáveis para o crescimento do 5G no Brasil. É importante lembrar que as pessoas nunca usam a tecnologia da maneira que os engenheiros a projetam”, diz.

O presidente da Anatel vai além: “Se pensarmos em estágios de conectividade, o primeiro foi o de conectar os domicílios no final da década de 1990, com o programa de privatização do setor de telecomunicações. Nós temos, hoje, cerca de 168 milhões de residências com voz fixa. O segundo estágio foi o de conectar as pessoas com tecnologia móvel celular. Agora, entramos em um novo ciclo, o de conectar as coisas. Então, a gente deixa de falar de 207 milhões de habitantes para falar da ordem de bilhões”.

Produtividade

Na avaliação de Morais, quando se está falando da tecnologia 5G, é preciso pensar em uma nova era em termos de solução e de ganhos de produtividade. “Sem ganhos de produtividade, não teremos, efetivamente, crescimento econômico sustentável”, diz. A perspectiva é de que a nova tecnologia agregue trilhões de reais ao Produto Interno Bruto (PIB) e permita a criação de empregos de melhor qualidade e mais bem remunerados. Isso, sem falar em uma atividade mais limpa e ambientalmente sustentável.

Outro ponto importante, afirma o presidente da Anatel, serão as parcerias, um desafio do próprio mercado. Para ele, as operadoras de telecomunicações não deverão focar no 5G apenas como tecnologia. “Se for apenas com esse foco, o business do negócio será apenas conectividade”, assinala. Será ncessário desintermediar a cadeia, trazendo valor ao que geralmente é ofertado. “Para isso, ir além da conectividade demandará muitas parcerias. Então, será necessário que o setor de telecomunicações aprenda com os diversos segmentos e com seus problemas e seus desafios.”

(foto: Reprodução/Correio Braziliense)
(foto: Reprodução/Correio Braziliense)

A incorporação da tecnologia 5G deverá agregar US$ 1,2 trilhão à economia brasileira nos próximos 15 anos, prevê Wilson Cardoso, diretor de Soluções da Nokia para a América Latina. Esse valor, correspondente a quase o atual Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, poderá ou não ser alcançado a depender de quem controlará essa rede. Na avaliação do executivo, a nova tecnologia deverá se dividir em três importantes mercados: o das grandes operadoras, o das prestadoras de pequeno porte e o restante do setor privado. “A primeira visão que temos é a inovação dos modelos de negócios, com mais velocidade nas conexões” aponta.

Para Cardoso, o Brasil tem uma avenida de oportunidades a percorrer, a começar pelo setor agrícola, já que é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, e a tecnologia 5G será fundamental para ampliar a oferta desses produtos. “Estudos recentes mostram que o mundo vai aumentar o consumo de alimentos em 2% ao ano. Com isso, três países vão sustentar o crescimento da oferta: Brasil, Estados Unidos e China. Os chineses terão que transformar seus desertos em áreas de agricultura, e os EUA, melhorarem sua produtividade. Caberá ao Brasil atender a 41% da demanda, ou seja, precisamos ter tecnologia no setor agrícola para aumentar a capacidade de produção”, explica.

Os desafios estão colocados. E um dos diferenciais do 5G é diminuir o tempo de latência de resposta às demandas colocadas. “A grande competência do 5G é a latência, o tempo que a informação demora para sair do nosso celular, ir para a rede, ser processada e voltar. Uma latência muito grande faz com que o tempo de reação seja atrasado”, esclarece. Outro ponto relevante é o ecossistema para sustentar a nova tecnologia. “Temos que trazer novos fornecedores e ter formação de pessoal especializado. Mas, já estamos trabalhando nesse ponto de formação de profissionais qualificados”, pontua.

Ele cita, como exemplo, o uso do 5G em minas de extração de ferro. “Se você agrega essa tecnologia na mina, economiza 36% de combustível e pode operar os sete dias da semana, porque não precisa de trabalhadores operando os caminhões dentro da mina, e isso representa um ganho de produtividade. O pessoal especializado pode estar apenas monitorando essa carga”, explica.

Mão de obra

Sobre a necessidade cada vez maior de mão de obra qualificada, Cardoso afirma que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em parceria com a Nokia, pretende preparar 60 mil pessoas nos próximos dois anos. “Estamos criando a possibilidade de formar esses profissionais, e, claro, também buscamos possibilitar que nossas indústrias sejam capazes de produzir máquinas para o campo, para a mineração, para a logística. Para tudo isso, precisaremos de pessoal qualificado no Brasil”, frisa.

O especialista diz, ainda, que todos os avanços trazidos pela tecnologia devem ser acompanhados por um sistema de segurança, pois tudo estará conectado. “A preocupação é grande. Estaremos conectando tudo com maior velocidade e, também, conectando muito mais dispositivos. Além disso, eles podem e ficarão mais inteligentes. Por isso, no momento de construção dessa rede, é preciso ficar atento ao que está sendo conectado, não somente durante o primeiro momento, mas durante a vida útil dos dispositivos”, ressalta.

Mais: o controle do ciclo de vida útil dos aparelhos será fundamental, além dos dispositivos de monitoramento e verificação. “Temos que ter uma arquitetura que corrija possíveis vulnerabilidades do sistema, para que sejam identificadas e corrigidas de forma bem mais rápida do que fazemos hoje”. A má notícia desse cenário de mudança, aponta Cardoso, é que os aparelhos que possuem, hoje, tecnologia 4G não receberão automaticamente a tecnologia 5G. “Grande parte dos dispositivos de 4G não permite migração para o 5G, ou seja, esses aparelhos terão de passar por uma troca”, finaliza.

(*) Estagiário sob a supervisão de Vicente Nunes

'Grande parte dos dispositivos de 4G não permite migração para o 5G, ou seja, esses aparelhos terão de passar por uma troca'
Wilson Cardoso, diretor de Soluções da Nokia para a América Latina


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