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Estado de Minas TECNOLOGIA

Internet comemora 50 anos com desafio de implementar 5G

Meio século depois que foi criada, hoje mais da metade da população mundial tem acesso à rede


postado em 04/11/2019 06:00 / atualizado em 04/11/2019 10:46

Pete Linforth/Pixabay
(foto: Pete Linforth/Pixabay)

Ao completar 50 anos, a internet se tornou um serviço sem o qual não se pode mais viver. Hoje, meio século depois de o primeiro pacote de dados ser transmitido entre computadores de duas universidades diferentes na Califórnia, Estados Unidos, em 29 de outubro de 1969, mais da metade da população mundial (51%) tem acesso à rede, segundo relatório Estado da Banda Larga 2019, produzido pela Comissão de Banda Larga das Nações Unidas.

Na corrida pela universalização, um estudo, divulgado em 2017, aponta que o Brasil está na frente de muitos países, inclusive vários entre os chamados desenvolvidos. O avanço, no país, só é possível graças aos mais de 12 mil provedores regionais, que chegam aos lugares mais remotos.
 
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou recentemente que o país teve 228 milhões de acessos ao mês por internet móvel e 32,6 milhões em banda larga fixa, dos quais as prestadoras de pequeno porte (PPPs) ocupam o segundo lugar no ranking de abastecimento, com alcance a 9.195.290 dos domicílios (28,3%). Segundo o órgão regulador, nos últimos 12 meses, houve aumento de 2,44 milhões (34,59%) de domicílios atendidos por PPPs na banda larga fixa. Essas empresas totalizaram 9,49 milhões de assinantes (29% do total) em setembro de 2019 e foram as principais responsáveis pelo crescimento do serviço no país, que alcançou 32,68 milhões de domicílios, aumento de 1,77 milhão (5,74%).
 
Para a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), os provedores são os maiores responsáveis por levar banda larga aos lugares mais remotos do país, como pequenos municípios e zonas periféricas, onde as grandes empresas não atuam. “Estamos presentes na maioria nas cidades de interior e periferia das grandes capitais, pois os centros das cidades são atendidos pelas grandes operadoras e não têm uma competição muito justa. Mesmo assim, somos os responsáveis por chegar nas extremidades”, conta o presidente do Conselho da Abrint, André Felipe Rodrigues.

BANDA LARGA

Estudo realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros, em 2018, divulgado em agosto, revela que 39% dos acessos à internet são feitos por banda larga fixa em conexão via cabo de TV ou fibra óptica. Apenas 27% é em banda larga móvel, feita por modem ou chip 3G ou 4G, e 10% ainda utiliza banda larga fixa com conexão via linha telefônica (DSL). A mesma pesquisa revela que a maioria das pessoas utilizam a internet por meio do celular (97%). Em seguida, os principais dispositivos para acesso são computador (43%), televisão (30%) e videogame (9%).
 
A Pnad Contínua TIC 2017, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que investiga o acesso à Internet e à televisão, revelou que 74,9% dos domicílios têm acesso à banda larga. Nos 17,7 milhões de lugares onde não houve utilização da internet, no período da pesquisa, os motivos indicados pelos entrevistados foram, principalmente, a falta de interesse em acessar a internet, o preço, a falta de conhecimento sobre o uso e a indisponibilidade na área do consumidor.
 
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), os maiores desafios para a universalização da internet no país são questões geográficas e falta de educação tecnológica ofertada nos lugares com rendas mais baixas. “Existe um número razoável de domicílios que não têm interesse ou não se sentem capacitados para usar a internet. Temos que fazer um trabalho de educação tecnológica para que a internet chegue nessas regiões”, aponta Artur Coimbra, diretor do Departamento de Banda Larga da Secretaria de Telecomunicações do ministério.
 

Desafio é implantar 5G

 O Brasil corre o risco de atrasar a comercialização da tecnologia 5G, quinta geração da conexão móvel, fundamental para a revolução da Internet das Coisas (IoT), indústria 4.0, agricultura de precisão, assistências médicas remotas e veículos autômatos, entre outras inovações. Apesar de já ter sido testada na cidade do rock, durante o festival Rock in Rio 2019, a tecnologia depende do leilão da frequência para entrar no mercado.

O certame, inicialmente marcado para março do ano que vem, deve ficar para 2021, se as principais grandes operadoras forem atendidas. Oi, Tim e Vivo manifestaram, na quinta-feira passada, durante a Futurecom, o desejo de que o leilão da internet 5G seja adiado. A data ainda não foi definida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A Oi considera que uma prorrogação da data pode ajudar as empresas a “tomarem fôlego” após os investimentos feitos nas redes 4G. Já a Tim e a Vivo afirmaram que defendem a ideia se isso resultar em regras mais favoráveis.

A tecnologia, no Brasil, provoca interferência na recepção do sinal das antenas parabólicas, a chamada Banda C. Além disso, o país usa equipamentos da chinesa Huawei e os Estados Unidos estão provocando um boicote generalizado no mundo para evitar a hegemonia da China na tecnologia 5G. De acordo com o sócio da área de Telecom, Entretenimento e Tecnologia, do Vinhas e Redenschi Advogados, Rafael Pistono, a principal banda será 3.5 GigaHertz (GHz), ainda usada em áreas rurais pelos satélites.

O especialista explica que o 5G multiplica por 100 a velocidade que existe hoje e aumenta a capacidade. Nesse contexto, a chinesa Huawei está muito à frente dos concorrentes, garante. “Os Estados Unidos demoraram a se posicionar no 5G. Hoje, as grandes empresas são a Nokia, da Finlândia, a Ericsson, da Suécia, e a Huawei, da China”, ressalta. No Brasil, a chinesa tem presença dominante nas rádio-bases (antenas), com 70% de participação.

Pistono alerta que faz todo o sentido o interesse da chinesa na Oi. “A empresa está estimulando a China Mobile a comprar a brasileira em recuperação judicial. Mesmo que tenha negado, como negam Vivo e Tim, mas todas sondam. Isso porque a Oi tem uma estrutura de fibra essencial para a tecnologia 5G”, assinala o especialista. Por isso, o leilão da frequência é apenas o primeiro passo. A tecnologia exigirá grandes investimentos em infraestrutura das operadoras.

Enquanto as discussões não avançam, a Oi ofereceu wi-fi com tecnologia 5G na cidade do rock, durante o Rock in Rio. O diretor de operações da companhia, José Cláudio Moreira Gonçalves, explica que a diferença crucial da tecnologia é a latência, que reduz o atraso em transmissão ao vivo, por exemplo. Gonçalves diz que a tecnologia muda completamente o grau de automação. “Minha leitura é que vai ter ciclos de desenvolvimento para internet das coisas. Muito mais do que baixar vídeo, toda a parte da realidade virtual, holografia. No Brasil, a Oi tem uma vantagem competitiva, porque a tecnologia precisa ter meio de transmissão por uma rede robusta. E a Oi tem 365 mil quilômetros de fibras óticas.”


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