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Estado de Minas MÁQUINAS

Com forma humana, robôs inteligentes já ocupam até cargos de garçom

Com tecnologias cada vez mais avançadas, profissionais de quase todas as áreas terão que se reinventar para se manter no mercado


postado em 12/09/2019 04:00 / atualizado em 12/09/2019 08:04

Em Tóquio, robôs garçons são controlados remotamente por deficientes físicos(foto: Ory Lab/Divulgação)
Em Tóquio, robôs garçons são controlados remotamente por deficientes físicos (foto: Ory Lab/Divulgação)

São Paulo – No Japão, máquinas dotadas de inteligência artificial trabalham como atendentes de hotel. Elas registram a chegada e saída dos hóspedes, indicam pontos turísticos e cobram a fatura. Nos Estados Unidos, cozinheiros mecânicos fritam batatas e preparam sanduíches. Na China, carrinhos autônomos fazem entregas de mercadorias compradas pela internet. Em Cingapura, dispositivos eletrônicos varrem ruas e colocam o lixo para fora de casa. Na Europa, um mecanismo de alta precisão pinta quadros com maestria.

Os robôs estão chegando e vão transformar por completo o mundo do trabalho. Isso, afinal, é bom ou ruim? Por mais que inúmeros estudos tenham sido produzidos nos últimos anos, não há consenso sobre o real impacto que a tecnologia provocará na sociedade. E por uma simples razão: ninguém sabe com 100% de certeza o que os robôs serão capazes de fazer.

Muitas perguntas ainda estão sem respostas. A inteligência artificial vai superar a maioria das habilidades humanas? Os robôs serão totalmente confiáveis? As máquinas terão condições de realizar tarefas que exijam criatividade? As pessoas manterão o controle sobre os cérebros artificiais?

“Tudo isso é muito impreciso”, diz o engenheiro eletrônico chinês Wan Ling, especialista em inovação e que, recentemente, participou de um fórum para debater o assunto, em São Paulo. “Apenas uma coisa é certa: os profissionais de quase todas as áreas terão que se adaptar às mudanças que a tecnologia trará. Quem não estiver disposto a reaprender a maneira de trabalhar ficará pelo caminho.”

A tecnologia abre possibilidades impensáveis até pouco tempo atrás. Em Tóquio, no Japão, uma cafeteira associou habilidades humanas com as máquinas – e o resultado é extraordinário. O lugar conta com robôs garçons que são controlados remotamente por deficientes físicos. Segundo Kentaro Yoshifuji, diretor-executivo da Ory Lab Inc, a ideia é incluir no mercado de trabalho pessoas que, normalmente, têm dificuldade para encontrar um emprego.

Os robôs, com 1,2 metro de altura e 20 quilos, são controlados por computadores ou tablets. “Quero criar um mundo em que pessoas que não movem seus corpos possam trabalhar também”, disse Kentaro Yoshifuji. Segundo ele, o projeto será ampliado para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio’2020.

Se a tecnologia cria oportunidades de trabalho, é inegável que ela impõe desafios. Recentemente, a americana Ford apresentou um robô desenvolvido pela empresa de robótica Agility Robotics, para trabalhar junto com os veículos autônomos. Com formas humanas, o robô Digit se movimenta com enorme agilidade e foi criado para entregar encomendas na porta do cliente.

Segundo a Ford, o Digit é capaz de levantar pacotes de até 18 quilos, subir e descer escadas, andar em terrenos irregulares e sofrer esbarrões sem perder o equilíbrio. Por enquanto, ele está em fase experimental, mas não vai demorar para ser colocado no mercado e começar a substituir entregadores de carne e osso.

A sociedade moderna sempre foi fascinada por tecnologia e, ao longo da história, fez projeções quase sempre mirabolantes a respeito do futuro. A diferença é que, agora, essas projeções estão sendo realizadas. “Nos anos 1960, do século passado, sonhava-se com o dia em que um robô faria as tarefas domésticas”, diz o chinês Wan Ling. “Esse dia chegou. É hoje. E agora, o que será daqui pra frente?”
 
Em fase experimental, o Digit movimenta-se com agilidade e foi criado para entregar encomendas na porta do cliente (foto: Ford/Divulgação )
Em fase experimental, o Digit movimenta-se com agilidade e foi criado para entregar encomendas na porta do cliente (foto: Ford/Divulgação )
 

DESAFIOS 


Poucos estudos sobre o tema são tão completos quanto o realizado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial. Chamado de “Future of  Jobs Report”, ele consultou empresas de diversas partes do mundo e de variados ramos de atividade, que, juntas, empregam 15 milhões de pessoas.

O relatório mais recente comprova o impressionante avanço da tecnologia no universo do trabalho. Em 2018, 71% das tarefas realizadas nos 12 setores cobertos pela pesquisa foram executadas por seres humanos e 29% por máquinas. Até 2022, espera-se que essa distância seja menor, com 58% do trabalho feito por pessoas e 42% por robôs.  O estudo concluiu que até mesmo atividades que exigem interação e raciocínio começarão a ser automatizadas.

Se depender da vontade das empresas, a participação das máquinas vai aumentar. De acordo com o levantamento do Fórum Econômico Mundial, 85% das companhias terão ampliado o uso de tecnologia em seus negócios até 2022 e entre 23% e 37% delas (dependendo do setor de atuação) planejam investir em robôs nos próximos anos.

O dado mais preocupante do relatório diz respeito ao impacto da tecnologia no mercado de trabalho. Ele aponta que 75 milhões de empregos – mais do que toda a população da França – poderão ser substituídos por mudanças decorrentes da adoção de novas tecnologias.

Em um cenário em que se discute a possibilidade de uma recessão global, o número não poderia ser mais alarmante. Nos ambientes de crise, as empresas obviamente contratam menos. Se a tecnologia roubar postos de trabalho, como milhões de pessoas vão se sustentar, considerando um cenário de declínio econômico?

A resposta é controversa. O próprio relatório do Fórum Econômico Mundial destaca que a inovação vai abrir oportunidades. Profissionais como cientistas de dados, desenvolvedores de softwares e aplicativos, especialistas em comércio eletrônico e mídias sociais terão vagas garantidas no futuro próximo. A questão é saber se as oportunidades criadas serão suficientes para ocupar o espaço dos empregos perdidos.


EMPREGO 


Outro estudo, desta vez realizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma das universidades de referência dos Estados Unidos, concluiu que a probabilidade de que robôs, automação e inteligência artificial destruam forças de trabalho tem sido superestimada por analistas.

Segundo o MIT, fatores como políticas tributárias e crises econômicas costumam ser mais devastadores para os empregos do que o avanço tecnológico. O Brasil, com seus mais de 12 milhões de desempregados, é exemplo disso. O desastre das políticas econômicas nos últimos anos foi mais nefasto para o mercado de trabalho do que, obviamente, qualquer inovação introduzida pelas empresas.

O ponto, diz o MIT, é outro: os empregos podem até continuar existindo, mas a qualidade da remuneração tende a piorar. Com a tecnologia, apenas os profissionais com boa formação terão ganhos crescentes. Os outros, não.

O levantamento do MIT mostrou que, nas últimas quatro décadas, a produtividade do trabalho – o que é reflexo direto do avanço da tecnologia – aumentou 75% nos Estados Unidos, mas a remuneração dos trabalhadores cresceu apenas 12%. Fenômenos assim afetaram a mobilidade social do país.

De acordo com o relatório, 92% dos americanos nascidos em 1940 ganharam mais dinheiro do que seus pais, mas apenas metade dos que nasceram em 1980 vão superar os familiares. A única maneira de evitar isso – e de acompanhar o desenvolvimento tecnológico – é estudar sempre, e cada vez mais. No futuro do trabalho, a educação é o melhor caminho.



enquanto isso...


... Brasil patina em ranking de inovação



A julgar pelos rankings internacionais de inovação, o Brasil está muito longe de atingir um patamar de desenvolvimento tecnológico que cause impacto no mercado de trabalho – para o lado positivo ou negativo.
 
Em um dos estudos mais recentes, realizado pela consultoria Boston Consulting Group, em parceira com a National Association of Manufacturers e o Manufacturing Institute, instituições ligadas à indústria americana, o Brasil ocupa um discreto 66º lugar entre 129 nações pesquisadas.

O problema é que, em vez de avançar, o país recuou algumas casas. Em 2018, estava na 64ª posição. Uma das razões para o declínio foi a crise econômica dos últimos anos, que obrigou as empresas a reduzir investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
 
Na América Latina – região do globo com históricos problemas econômicos –, o Brasil aparece apenas no 5º posto e, entre os Brics, é o último colocado.
 
Mas há sinais positivos. Segundo o IDC, instituto que faz pesquisas na área de tecnologia da informação, em 2019, os investimentos nesse segmento deverão crescer 10,5% no Brasil, contra uma média mundial de 4,9%.
 


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