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Estado de Minas

EM entrevista Leandro Caldeira, da rede de academias Gympass

Uma das maiores redes de academias do mundo, sem nenhum estabelecimento próprio, nasceu a partir da ideia de um mineiro de Alfenas e hoje tem 42 mil parceiras no mundo


postado em 07/04/2019 06:00 / atualizado em 07/04/2019 09:44

"Não só é bom para o funcionário em si, mas investindo na saúde deles a empresa ganha produtividade, aumenta engajamento e reduz absenteísmo e custos com o plano de saúde, que já é o segundo maior custo das empresas, depois da folha de pagamento" - Leandro Caldeira (foto: Arquivo pessoal)
César Carvalho, de Alfenas (Sul de Minas), formou-se em administração na Universidade de São Paulo (USP). Passou pela operadora de viagens CVC – onde conheceu o engenheiro eletrônico João Thayro, nascido em Boa Esperança (Sul de Minas) – e pelas AC Nielsen e Mc Kinsey, onde se encontrou com o também engenheiro eletrônico Vinícius Ferriani, de Ribeirão Preto (SP). Estava estudando na Harvard Business School quando retornou ao Brasil para fundar com os amigos, em 2012, o Gympass – startup da área de saúde e bem-estar que oferece aos usuários acesso ilimitado a academias, estúdios e outros estabelecimentos de atividade física – em um coworking da Avenida Paulista, em São Paulo.


Hoje, o Gympass tem escritório em todos os 15 países onde está presente, sendo as principais bases ainda em São Paulo, além de Nova York e Madrid. São 42 mil academias parceiras no mundo. O mercado o considera um unicórnio: startup com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão. O Gympass informa que, por política do conselho administrativo, não comenta sobre investimentos e, por isso, não confirma a informação. Destaca que o foco deixou de ser entre empresa e o consumidor final (B2C, business to consumer, na sigla em inglês) para ser entre empresas (B2B, business to business). Tem como clientes, por exemplo, o grupo Pão de Açúcar e o Santander.

No Brasil, o Gympass é hoje liderado por Leandro Caldeira. Dos cerca de 1 mil funcionários espalhados pelo mundo, 300 estão sob sua liderança. Formado em engenharia mecânica, atuou durante 10 anos como consultor no Boston Consulting Group (BCG). Entusiasta do esporte, no segundo trimestre de 2017 assumiu a operação nacional da empresa. Ele acredita que a atividade física é pilar fundamental para a vida das pessoas, e que as empresas têm papel importante em promover e facilitar o acesso à atividade física. “A missão do Gympass é acabar com o sedentarismo, quarto maior fator de risco de mortalidade, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS)”, afirma. Conheça mais sobre o Gympass na entrevista a seguir com Leandro Caldeira.

Como o Gympass foi criado?
A ideia do Gympass surgiu a partir de uma necessidade de César Carvalho, que viajava muito a trabalho. Ele sempre praticou esportes e enfrentava diversos problemas ao tentar se exercitar em outras cidades, como matrículas, contratos e valores. Assim surgiu o conceito do Gympass, uma plataforma com diversas modalidades e estabelecimentos de atividade física, inicialmente B2C (para pessoa física). Com o tempo, percebemos que poderíamos ser muito mais efetivos em nossa missão de acabar com o sedentarismo em conjunto com as empresas (B2B), que têm uma série de ganhos ao ter colaboradores mais ativos fisicamente – hoje, esse é o nosso foco. As organizações têm um alcance gigantesco, poder de comunicação, influência e credibilidade sobre seus funcionários, e também podem criar um contexto social na qual boas experiências são compartilhadas.

Como foi o processo que, em sete anos, levou a Gympass a se tornar um unicórnio?
Por política do conselho administrativo, o Gympass não comenta questões de investimentos e não confirma a questão do “unicórnio”.

Em que momento sentiram que era a hora de crescer para o mercado internacional?
A nossa ida para outros países aconteceu, naturalmente, pela demanda dos nossos clientes, que queriam levar o benefício para as suas sedes em outros locais. A partir disso, vimos uma oportunidade interessante em expandir os negócios e isso ocorreu organicamente. Atualmente, temos mais de 42 mil academias parceiras no mundo e estamos presentes em 15 países: Brasil, Argentina, México, Chile, Espanha, Portugal, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, San Marino, Estados Unidos, Uruguai, Holanda, França e Itália. Além da sede em São Paulo, temos escritórios em todos os países nos quais estamos presentes, e o César se movimenta entre os principais. Além de São Paulo, Madrid e NYC são cidades importantes onde fica grande parte do nosso time.

Teriam feito algo diferente, tiveram de pivotar muitas vezes?
No início do projeto, os fundadores fizeram muitas coisas sozinhos, sem pedir ajuda de algum especialista ou construir algum tipo de parceria. Olhando em retrospecto, o próprio César já disse que eles deveriam ter buscado parcerias com organizações que tivessem uma visão de negócio mais madura que na época inicial do Gympass. Quando você tem algum problema ou precisa enfrentar alguma dificuldade, ajuda quando existe mais de uma pessoa buscando uma solução. O grande momento de pivotar o negócio foi quando mudamos o foco do B2C para o B2B, dada a oportunidade que identificamos junto às empresas, que geram valor a partir de uma força de trabalho que pratica atividade física em escala.

Quais transformações você enxerga para as rotinas da sociedade?
Temos hoje novas formas de consumir serviços e produtos que não existiam no passado. Empresas como Netflix, Spotify e Airbnb surgiram para atender a uma demanda reprimida dos consumidores, que buscam alternativas para o consumo de filmes, música e hospedagem. Tudo através de plataformas digitais. No caso do Gympass, oferecemos um novo jeito de consumir atividade física, com muito mais flexibilidade e liberdade: não há contratos de longo prazo, o usuário pode acessar qualquer um dos nossos quase 20 mil parceiros no Brasil, fazer exercício perto de casa, do trabalho, ou até quando estiver viajando. Em função do investimento das empresas, o preço também é significativamente menor: nossos planos chegam a 70% de desconto sobre os valores de mercado. Todos esses benefícios funcionais atendem a uma demanda atual da sociedade.

Você acredita que as empresas, em todo o mundo, estão motivadas a melhorar a saúde de seus funcionários?
Investir na qualidade de vida dos colaboradores é uma estratégia com resultados comprovados e faz parte de uma tendência mundial na busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Não só é bom para o funcionário em si, mas investindo na saúde deles a empresa ganha produtividade, aumenta engajamento e reduz absenteísmo e custos com o plano de saúde, que já é o segundo maior custo das empresas, depois da folha de pagamento, e há um debate grande entre empresas e o setor de saúde sobre como trabalhar na prevenção para reduzir esses custos. Com isso, o RH das empresas tem um papel cada vez mais central, deixando de ser uma área de suporte para atuar no core business (coração dos negócios) das organizações e impactar diretamente os resultados financeiros delas. Temos clientes com centenas de funcionários e outros com milhares, como o Grupo Pão de Açúcar. Além disso, temos clientes globais, como o Santander, que fechou uma parceria conosco no ano passado para oferecer Gympass a todos os seus funcionários no mundo. Essa diversidade de clientes que temos mostra que o tema de saúde é prioridade para todas as empresas.

Quais são os planos do Gympass?
A missão do Gympass é acabar com o sedentarismo, quarto maior fator de risco de mortalidade, de acordo com a OMS. Qualquer pessoa que procura uma vida mais saudável e tem o benefício incluso em sua empresa faz parte desse mercado. O Gympass, por enquanto, atua na América do Sul, América do Norte e Europa. O problema do sedentarismo é uma questão mundial e sabemos que podemos ajudar a combater esse mal em outras regiões. O Gympass está presente em 15 países, em mais de 7,5 mil cidades. A nossa meta é tirar mais pessoas do sedentarismo e, para isso, estamos sempre fechando parcerias com novas empresas. A nossa base de academias se expande de acordo com a necessidade dos nossos clientes corporativos. Não compartilhamos informações com relação a novos mercados e planos de expansão.

 

 


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