Publicidade

Estado de Minas DIVERSIFICAÇÃO

Rede varejista Riachuelo quer banco próprio

Rede varejista pretende transformar a Midway, seu braço financeiro, em uma fintech. Segundo a empresa, ideia é atender clientes 'através de uma grande plataforma digital'


postado em 26/11/2018 06:00 / atualizado em 26/11/2018 09:12

Empresa que gerencia cartões Riachuelo tem 30,5 milhões de unidades emitidas no país, 7,4 milhões de clientes ativos e faturou R$ 554 milhões no terceiro trimeste do ano(foto: Reprodução/Internet)
Empresa que gerencia cartões Riachuelo tem 30,5 milhões de unidades emitidas no país, 7,4 milhões de clientes ativos e faturou R$ 554 milhões no terceiro trimeste do ano (foto: Reprodução/Internet)

São Paulo – É quase uma nova lei do varejo brasileiro: estimuladas pela popularização da tecnologia e pelos altos prêmios pagos às fintechs (as startups de serviços financeiros), as empresas que têm capilaridade e escala começam a se fazer a pergunta: por que não ter logo um banco?. Afinal, o potencial dessa atividade é gigantesco – como demonstram os resultados alcançados pelas instituições financeiras – e os maiores concorrentes têm apresentado certa lentidão para reagir.

Na semana passada, apenas alguns dias depois de anunciar novas regras para a sua governança corporativa, a Guararapes, holding que controla as Lojas Riachuelo, informou que pretende transformar a sua financeira, a Midway, num banco. De acordo com a empresa, a ideia é atender os clientes “através de uma ampla plataforma digital”.

Se o plano for bem executado, deverá levar os investidores a atribuir um maior valor à financeira na soma das partes que compõem a Guararapes, cuja ação poderia se beneficiar de múltiplos mais próximos aos dos bancos digitais, que têm demonstrado ao longo de 2018 alto potencial de crescimento.

No entanto, é preciso destacar também que a estratégia envolve alguns riscos. Ao ampliar a sua prateleira de produtos e número de clientes, a Guararapes pode errar a mão no crédito e começar a colher prejuízos na forma de inadimplência – o que já ocorreu com inúmeros varejistas no mercado brasileiro – ou aumentar seu custo e não conseguir dar prosseguimento sustentável à operação.

A Guararapes está muito longe de ser novata na concessão de crédito. Diferentemente da maioria das varejistas brasileiras – que se associaram a bancos tradicionais ou venderam parte de suas financeiras para ganhar conhecimento específico em crédito ou reduzir o risco –, a companhia sempre desenvolveu e operou a Midway sozinha.

Responsável pela gestão dos cartões Riachuelo e por produtos como crédito pessoal direto e venda de seguros, a Midway tem 30,5 milhões de cartões emitidos e 7,4 milhões de clientes ativos. Dos cerca de R$ 500 milhões que a Guararapes deve lucrar neste ano, aproximadamente R$ 200 milhões virão da Midway, e outros R$ 300 milhões da operação de varejo.

Não está claro se a Guararapes, eventualmente, pretende listar seu banco em separado, mas diversos indicadores mostram que o Midway já nascerá maior que bancos digitais, como o Inter e o Agibank, e startups, como o Nubank, principalmente em métricas, a exemplo do número de clientes e tamanho da carteira de crédito.

Na comparação entre as carteiras de crédito, o Nubank lidera com R$ 4,7 bilhões, seguido pela Midway, com R$ 3,6 bi; Banco Inter, com R$ 2,9 bi, e Agibank, com R$ 1,6 bi. Em termos de patrimônio líquido, o da Midway totaliza R$ 675 milhões. No Nubank, o valor é de R$ 800 milhões. No Banco Inter, R$ 930 milhões. Os dados são do Banco Data.

Enquanto a Guararapes vale cerca de R$ 10 bilhões na bolsa de valores brasileira, o Banco Inter tem valor de mercado de cerca de R$ 3,5 bilhões.  Há alguns meses, o Agibank falava num valuation perto de R$ 9 bilhões num IPO (oferta pública inicial de ações, na expressão em inglês). E o Nubank, que ainda enfrenta prejuízo, apesar da crescente carteira de clientes, foi avaliado em US$ 1 bilhão numa rodada recente.

Cartões De acordo com dados divulgados recentemente, no último trimestre a Midway faturou R$ 554 milhões, crescimento de quase 30% na comparação com igual período do ano passado. O lucro líquido foi de cerca de R$ 57 milhões. A Midway já responde por fatia importante do resultado da holding há quase uma década. Em 2018, quase 50% das vendas das 308 lojas Riachuelo foram feitas com os cartões.

A Guararapes já havia dado sinais de que aumentaria o foco na Midway. Neste ano, quando Flávio Rocha assumiu o conselho da companhia, Oswaldo Nunes foi nomeado CEO da Riachuelo e Newton Rocha, presidente da Midway – foi a primeira vez que o papel de liderança acabou dividido em dois.

PERFIL DA MIDWAY
- 30 milhões de cartões emitidos
- 7,4 milhões de clientes ativos
-R$ 200 milhões de lucro em 2018
-30% de aumento do faturamento no terceiro trimestre

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade