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Estado de Minas

Juro menor para compra de imóvel de até R$ 1,5 mi entra em vigor na segunda-feira

Caixa Econômica reduz taxa mínima para 8,75% no crédito pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). Empresários do setor cobram mais segurança


postado em 15/09/2018 07:00 / atualizado em 15/09/2018 09:35

Com decisão, custo do financiamento se iguala ao das unidades até R$ 950 do SFH. Expectativa é de aceleração do setor em 2019(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press )
Com decisão, custo do financiamento se iguala ao das unidades até R$ 950 do SFH. Expectativa é de aceleração do setor em 2019 (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press )

São Paulo, 14 (AE) - A Caixa anunciou a redução nas taxas de crédito imobiliário para imóveis avaliados em até R$ 1,5 milhão adquiridos no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). Com a redução, a taxa mínima de juros passa de 9,5% para 8,75%, e se iguala à taxa em vigor desde o mês passado para os financiamentos pelo sistema SFH.  Já a taxa máxima, de 11%, cai para 10,25% a máxima. As novas taxas entram em vigor em 24 de setembro.


O Sistema Financeiro da Habitação (SFH) utiliza recursos da poupança para oferecer crédito imobiliário para a compra de imóveis de até R$ 950 mil em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal, e de até 800 mil nos demais estados (este valor subirá para R$ 1,5 milhão em todo o país a partir de 2019), e permite ao mutuário utilizar os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no financiamento. O SFI está fora desse sistema, e permite financiar imóveis de maior valor.


Segundo o presidente da Caixa, Nelson Antônio de Souza, a partir de novembro será oferecido um novo serviço de avaliações de imóveis, disponibilizando laudo diretamente para pessoas físicas e jurídicas. Na avaliação dele, a perspectiva para 2019 é “muito boa”, considerando a captação líquida positiva da caderneta de poupança e a expectativa de introdução da Letra Imobiliária Garantida (LIG), que será uma fonte de recursos complementar para o financiamento imobiliário no país.


Outro fator que deve favorecer o setor, segundo o presidente da Caixa, é a aprovação do cadastro positivo, que deve adicionar clientes ao mercado de crédito imobiliário. “Vai aumentar a base do crédito em 1 trilhão (de reais) e trazer esse cliente que não tem renda comprovada e está fora do mercado”, disse Souza.


A mudança da taxa ocorre após a Caixa ter reduzido em até 1,25 ponto percentual as taxas em abril deste ano pela primeira vez em 17 meses, seguindo o movimento iniciado por outros bancos. Na ocasião, o banco também elevou o limite de financiamento de imóveis usados de 50% para 70%. Em 2018, a Caixa tem R$ 85 bilhões disponíveis para o crédito habitacional. No primeiro semestre de 2018 já foram contratados mais de R$ 40 bilhões. O banco mantém a liderança no setor com cerca de 70% das operações para aquisição da casa própria.

O Bradesco também trabalha com um cenário positivo em seu orçamento do próximo ano, independentemente do resultado das eleições presidenciais de outubro, disse o presidente do banco, Octavio de Lazari Junior, também presente no evento. “Colocamos em nossos modelos um crescimento estável de 2 a 3 por cento... A partir do ano que vem a pauta está dada, vejo consistência em candidatos falando as mesmas coisas, uns mais intensos e outros menos. Mas não me parece que vamos fugir da reforma da previdência”, comentou Lazari Junior.


Distrato ainda trava negócios


O fundador e presidente do conselho de administração da Cyrela Brazil Realty, Ellie Horn, cobrou agilidade na atuação do governo federal para regulamentação dos distratos, que têm revertido as vendas de imóveis e provocado insegurança jurídica ao setor. “Não dá para trabalhar sem segurança jurídica. Quando as rescisões estão maiores que as vendas é um mau sinal. O setor como um todo está mal”, disse Horn, durante evento organizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).


“Nós temos que mexer com as autoridades. Não somos prostitutos, não temos bordéis. O governo tem que pensar no setor”, enfatizou Horn disse que os dirigentes das associações empresariais querem trabalhar, mas são obrigados “a passar o dia em Brasília” fazendo lobby. Horn ainda classificou o distrato como uma piada jurídica, que tem tirado a credibilidade do país. “Os investidores estão pouco propensos a investir no setor. O Brasil está desacreditado no exterior.”


Presente ao evento, o Ministro das Cidades, Alexandre Baldy, afirmou que o governo federal é sensível à importância da construção civil e defendeu a preservação de recursos para investimentos no setor. Ele lembrou que cerca de 40% dos recursos aportados na indústria da construção retornam aos cofres públicos pela arrecadação tributária. “Defendemos foco do Orçamento da União e do FGTS no setor da construção”, disse o ministro.


Baldy também reconheceu a importância do programa Minha Casa Minha Vida, que, segundo ele, foi responsável por cerca de 80% do crescimento dos lançamentos e das vendas no primeiro semestre. O ministro disse ainda concordar com o pleito dos empresários pela regulamentação dos distratos, cujo projeto de lei já foi aprovado pela Câmara e agora aguarda apreciação no Senado. “É fundamental cobrar o Legislativo sobre a regulamentação dos distratos. Se faz necessário ter nova lei para que haja segurança jurídica para o setor”, salientou.

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