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Estado de Minas

Com cenário conturbado, bancos projetam PIB menor para 2018


postado em 08/06/2018 21:24

Com a volatilidade dos mercados e o cenário local conturbado, os bancos anunciaram em relatórios nesta sexta-feira, 8, redução em suas projeções de Produto Interno Bruto (PIB) para 2018. O Itaú Unibanco baixou sua projeção de 2% para 1,7% e de 2019 de 2,8% para 2,5%, devido ao aperto das condições financeiras e impacto da paralisação dos caminhoneiros. Já a expectativa do Bradesco para o crescimento do PIB caiu um pouco mais: de 2,5% para 1,5% em 2018.

Em maio, o Itaú já havia cortado a estimativa de crescimento do PIB deste ano de 3% para 2% e de 2019 de 3,7% para 2,8%. Segundo o banco, o reflexo da greve sobre o PIB ocorre sobre dois canais: o impacto direto na oferta agregada (-0,1 ponto porcentual) e o efeito na demanda agregada pela queda na confiança de consumidores e empresários (-0,1 ponto). Na oferta, o Itaú avalia que o principal impacto será na produção industrial.

Em linha com a redução da projeção do PIB, o banco também revisou as estimativas para a taxa de desemprego e para as contas públicas. A taxa de desemprego, segundo o relatório, foi elevada de 12,1% para 12,2% no fim de 2018 e de 11,5% para 11,8% em 2019. Já o desemprego médio segue em 12,3% para 2018, mas subiu de 11,7% para 12% em 2019. Em 2017, a taxa média foi de 12,7%.

Já o Bradesco disse em relatório que a volatilidade dos preços dos ativos no Brasil deve levar a um crescimento econômico mais modesto em 2018. "Além dos dados de curto prazo mais fracos, ainda devem aparecer nos indicadores o efeito da depreciação cambial, impactando tanto investimentos quanto o consumo das famílias; a greve dos caminhoneiros, com impacto majoritário sobre o PIB do segundo trimestre; e o aperto das condições financeiras, com elevação do risco país e da curva de juros futuros", explica o texto.

No documento, o banco também reafirma que alterou projeção para a inflação em 2018, passando a esperar que o resultado do IPCA seja de 3,9%, contra uma estimativa anterior de 3,5%. A nova previsão considera dólar a R$ 3,60 no fim do ano e uma Selic estável em 6,5% ao ano até o fim de 2018.

"O cenário econômico, é verdade, segue volátil, mas acreditamos que ainda persistem fundamentos mais positivos do que negativos. Em outros episódios de choque cambial, o país possuía enorme déficit externo, inflação acima da meta e preços represados, o que constituía uma política econômica de baixa consistência", pondera o relatório.

O Bank of America Merrill Lynch também cortou a projeção de crescimento do PIB do Brasil para 2018 e agora espera expansão de 1,5%. A previsão anterior era de crescimento de 2,1%. "O cenário para a eleição deste ano se tornou mais incerto e a perspectiva para a recuperação da economia piorou", destaca relatório.

Esta é a segunda revisão que o banco faz no PIB do Brasil em pouco menos de 20 dias. No dia 16 de março, a projeção para 2018 havia sido cortada de expansão de 3% para 2,1% após uma série de indicadores da atividade mostrarem números mais fracos que o esperado.

"A greve dos caminhoneiros representa um choque negativo para uma economia que já está se recuperando mais lentamente do que o previsto", observa o relatório divulgado hoje. Os reflexos da greve também podem repercutir na corrida presidencial, que já mostra que candidatos ligados ao governo com baixa intenção de voto nas pesquisas eleitorais.

(André Ítalo Rocha e Thaís Barcellos)

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