Publicidade

Estado de Minas

Empresas usam dados da internet para conhecer hábitos dos consumidores

Big Data permite o acesso ao volume brutal de informações disponíveis na web para prospectar mercados e até ajudar governos na gestão de recursos públicos


postado em 09/05/2018 12:00 / atualizado em 09/05/2018 12:17

Gabriel Renault diz que o uso de dados faz com que recursos sejam aplicados com menor desperdício(foto: Divulgação)
Gabriel Renault diz que o uso de dados faz com que recursos sejam aplicados com menor desperdício (foto: Divulgação)

São Paulo – No caminho oposto do que fez a Cambridge Analytica na campanha de Donald Trump ao usar irregularmente os dados dos usuários do Facebook para direcionar propaganda política e assim ajudá-lo na eleição presidencial dos Estados Unidos, há uma série de empresas no Brasil e no mundo que se valem do bom uso das informações que estão disponíveis na internet para ampliar ganhos, melhorar a oferta e reduzir desperdícios, no caso de municípios. É o chamado Big Data, conjunto enorme de dados armazenados no mundo da internet, que começa a ser explorado por companhias de diversas áreas de atuação e que vão desde lojas de varejo a bancos, passando por setores da indústria, da educação e da saúde, até a gestão de órgãos e públicos.

A consultoria Mais Partners se propõe a digitalizar as informações de prefeituras e, a partir da rodagem de algoritmos, descobrir onde há gastos excessivos, desperdício de recursos ou até fraudes, sempre com o objetivo de aperfeiçoar o uso do dinheiro público, tornando a gestão fiscal mais eficiente. Para se ter uma ideia de grandeza, em dois anos de existência a empresa já possibilitou a economia de mais de R$ 450 milhões em projetos desenvolvidos para diversos órgãos públicos.

“Nós conseguimos fazer estimativas dos valores que um município pode deixar de gastar a partir de dados públicos, como os disponibilizados pelo IBGE. Aí então comparamos cidades com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) parecido, número similar de população e de crianças em idade escolar, por exemplo. A partir daí, chegamos a algumas conclusões sobre a eficiência da atual gestão”, diz Gabriel Renault, presidente-executivo da Mais. “Depois que somos contratados, passamos a usar os micros dados reais que existem dentro dos órgãos, a maioria deles nem sequer considerados, e interpretamos as informações para identificar os gargalos”, completou o executivo.

Entusiasta do bom uso dos dados, Renault afirma que a sociedade só vai se “empoderar” de fato quando houver a apropriação dos dados públicos, que poderão ser usados para pressionar os políticos. “Usar dados de forma eficiente faz com que o recurso público seja melhor aplicado, com menos desperdício e mais racionalização”, diz ele.

Há inúmeras aplicações do Big Data na iniciativa privada. Marcelo Vitali, diretor da consultoria de negócios internacionais Orbiz, salienta que a companhia que conseguir prever o que o consumidor espera em termos de novos produtos certamente terá vantagens em mercados cada vez mais dinâmicos e competitivos. Ele lembra ainda que o uso das informações públicas que estão disponíveis na rede para o aperfeiçoamento da oferta é uma tendência mundial, e deve crescer muito nos próximos anos.

Segundo o especialista, o varejo é um dos setores que mais se utiliza da leitura de dados para melhorar e aperfeiçoar suas operações. Na prática, assim como os investidores financeiros usam informações do passado para prever o desempenho futuro do mercado de ações, as análises preditivas vão auxiliar cada vez mais os varejistas a fazer suposições sofisticadas sobre suas vendas, margens de lucratividade, compras, descontos, custos, estoques, prazos de pagamento e fluxo de caixa.

A Amaro, loja online que vende roupas, utiliza o grande volume de informações de compra obtidas em seu site para direcionar a produção e evitar o acúmulo de estoques. “Conseguimos saber qual cor vende mais em cada estado, qual tecido é mais aceito e qual comprimento de saia a mineira, a paulista ou a gaúcha gostam mais. Dessa forma, sabemos quase de forma exata quantas peças temos de produzir para atender a demanda e também conseguimos montar as coleções certeiras de acordo com as informações que temos”, detalhou o suíço Dominique Oliver, fundador da Amaro e que tem a carreira marcada por passagens em grandes bancos de investimentos estrangeiros.

Os números da marca demonstram que a fórmula tem dado certo. Fundada em 2012, e com vendas exclusivamente pelo site, a marca passou a abrir pontos físicos, chamados de guide-shops, a partir de 2015, nos quais as consumidoras podem conhecer as peças ofertadas pessoalmente, prová-las e fazer a compra por meio de um dispositivo eletrônico. A sacola com os itens, no entanto, é entregue diretamente na casa da cliente. Se o endereço for na capital paulista, os produtos chegam em até 2h30. Nas demais regiões, a entrega não ultrapassa 48 horas.


"Usar dados de forma eficiente faz com que o recurso público seja melhor aplicado, com menos desperdício e mais racionalização"

.Gabriel Renault,
presidente-executivo da Mais Partners


O que é Big Data

Big Data é um termo que define um grande volume de dados gerados em alta velocidade e variedade, que necessitam de tecnologias avançadas para processar, organizar e armazenar informações com o objetivo de melhorar a tomada de decisões. Atualmente, além de empresas especializadas em garimpar dados públicos na rede para atender áreas específicas, grandes provedores de serviços na internet também oferecem plataformas prontas para se trabalhar com Big Data. A Amazon comercializa uma plataforma chamada Amazon Web Services. Microsoft (Windows Azure) e Google (Google Big Query) têm produtos parecidos.

 

 


Publicidade