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Investir no tesouro direto pode ser um bom ingresso no mercado financeiro

A aplicação no tesouro direto pré-fixado atrelado à Selic rende 100% da taxa, tida como justa para remunerar sem risco o investimento


postado em 01/01/2018 12:26 / atualizado em 01/01/2018 12:33

Detalhe fundamental da aplicação é que o investidor perderá dinheiro se precisar retirar recursos antes do prazo estabelecido para o saque(foto: Reprodução da internet- 13/9/14)
Detalhe fundamental da aplicação é que o investidor perderá dinheiro se precisar retirar recursos antes do prazo estabelecido para o saque (foto: Reprodução da internet- 13/9/14)

O mercado de investimentos pode parecer um bicho de sete cabeças, mas existem aplicações financeiras simples e de baixo risco indicadas para investidores iniciantes. O tesouro direto é considerado uma das aplicações mais seguras entre as opções renda fixa e, muitas vezes, apresenta rentabilidade superior à da caderneta de poupança. “É um bom começo para quem vai ingressar nesse mundo. Posso indicá-la mesmo sem conhecer o cliente, porque é uma questão de render para ganhar poder de compra”, afirma Matheus Portella, analista da Rise Investimentos.

Investir no tesouro direto nada mais é do que aplicar em títulos públicos, emitidos pelo governo para captar recursos no mercado financeiro. Ou seja, ao investir nesses papéis, a pessoa realiza um empréstimo ao país e esse é um dos motivos pelo qual esse título é considerado de baixo risco. No resgate, o governo paga o valor emprestado em uma determinada data acrescido de algum índice de correção ao qual é atrelado, como índices de inflação e a taxa básica de juros (Selic, que serve de referência para as operações nos bancos e no comércio).

Silvio Campos, economista-sênior da empresa Tendências Consultoria, ressalta que o tesouro direto é um facilitador para que a população possa economizar. “É um mecanismo seguro para guardar dinheiro, mas é preciso levar em conta objetivos e prazos na hora de investir. Cada pessoa sabe o que pretende, ao guardar dinheiro. O tesouro direto é uma alternativa que oferece várias possibilidades”, disse.

O investidor pode comprar títulos públicos diretamente no site do Tesouro Direto (www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto). Para isso, basta ter CPF e uma conta em algum banco ou corretora habilitados, chamados agentes de custódia. A quantidade mínima de compra é a fração de 0,01 título, ou seja, 1% do valor de um título, respeitando a cifra mínima de R$ 30. Não há limite financeiro para venda, o investidor pode comprar 0,01 título, 0,02 título, 0,03 título e assim por diante. O valor máximo para aplicação é R$ 1 milhão por mês.

Rendimento definido


A aplicação no tesouro direto pré-fixado atrelado à Selic rende 100% da taxa, tida como justa para remunerar sem risco o investimento. Hoje, a taxa atual justa é de 7%, um valor baixo quando comparado a 2010 e 2012, 10% e 12% respectivamente. Com a remuneração definida previamente não há oscilação. Em 2017 — até o dia 28 —, o rendimento dos papéis atrelados à taxa básica estava em 9,8%.

O advogado Fernando Albuquerque, de 32 anos, começou a aplicar em títulos públicos no fim de 2014 e início de 2015, quando a Selic estava mais alta do que agora. “O pré-fixado estava em um bom patamar e a inflação não tão alta. Eu estabeleci alguns objetivos e sonhos e, para realizar, tinha que atingir determinado valor. Na época, o tesouro direto oferecia as melhores taxas e dava um bom retorno”, contou.

Albuquerque e a mulher avaliaram que a economia daria uma guinada e decidiram se organizar financeiramente na tentativa de fazer o dinheiro render. “Queríamos um carro e até um apartamento, procuramos uma assessoria. Eu não sou do mercado e não tenho o hábito de acompanhar diariamente o que está acontecendo, qual o rendimento desta ou daquela aplicação, então a presença de um profissional foi importante”, explicou.

Hoje, ele tem alguns papéis pré-fixados, equivalentes a 30% da carteira inicial, que vencem neste mês e por isso não valeu a pena resgatar. Os outros 70% foram remanejados para outros investimentos. “Acho que em qualquer investimento, inclusive o tesouro direto, é preciso entender o objetivo e o sonho que você pretende realizar com o dinheiro. Dessa forma, adequamos o investimento ao que pretendemos”, diz.

Demetrius Lucindo, analista da DMBL Investimentos, alerta que o principal risco do investimento no tesouro direto é que, apesar de o resgate poder ser feito a qualquer momento, a rentabilidade acompanha o mercado. Se o investidor precisar retirar os recursos antes do prazo de vencimento, pode perder dinheiro.

“As pessoas se assustam com isso porque os prazos de vencimento podem ser longos, mas se o investidor tiver a garantia de que poderá esperar o período contratado para o resgate, não terá problemas. A pessoa não tem que se preocupar com a baixa do título no mercado antes do vencimento se não for retirá-lo”, explica.


"É preciso levar em conta objetivos e prazos na hora de investir. Cada pessoa sabe o que pretende ao guardar dinheiro”

. Silvio Campos, economista-sênior da empresa Tendências Consultoria

 

* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira

 


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