O Dia das Crianças ainda nem chegou e os produtos para o Natal já começam a invadir as prateleiras dos lojistas de Belo Horizonte. Árvores, flores, papais noéis, bolinhas, lâmpadas, presépios e outros enfeites estão à venda. A expectativa dos comerciantes é otimista, porém, mais conservadora diante da crise econômica. Enquanto uns esperam algum crescimento, para outros a ideia é pelo menos manter os números das vendas do ano passado. Os panetones também começam a chegar aos supermercados. Diante da situação financeira do país, os preços não devem subir.
Quem entra na Gujoreba também já sente o clima natalino, sendo recepcionado por uma grande rena e vários papais noéis, que os funcionários desencaixotaram semana passada. A loja, que também manteve a quantidade do estoque, mal colocou no balcão e já vendeu réplicas do bom velhinho e flores de enfeite. “Trabalhamos para melhorar, mas temos que ser realistas por causa da crise. Se mantivermos o que foi vendido no último ano está bom”, disse o gerente Gustavo Batista. A loja começou a vender decoração de Natal mais cedo como estratégia para o produto ficar mais tempo exposto. “Assim as pessoas já podem ir se programando.”
Estratégia
Na Estrada Real, o Natal já chegou com tudo. A loja está tomada de produtos com preços de R$ 0,79 a R$ 12 mil para decorar as festas de fim de ano. São guirlandas, presépios e árvores gigantes, além de bonecos de todos os tipos, flores e papais noéis. “Temos essa estratégia de começar mais cedo porque em dezembro as pessoas já estão mais focadas em ceias e presentes. O mercado não está muito bom, por isso também estamos fazendo promoções desde o início do ano. Os produtos de Natal estão com 20% de desconto”, conta o gerente William Eduardo Ramalho.
A meta é ampliar as vendas de 20% a 30%, mas, assim como outros lojistas, William Ramalho diz que se vender o mesmo que o ano passado, pelo cenário de crise, atende às expectativas. “Por mais que estejam apertados financeiramente, no momento do Natal a família está reunida e todo mundo quer deixar a casa bonita”, diz o gerente.
A economista da Câmara de Dirigentes Logistas Ana Paula Bastos confirma as boas perspectivas de vendas para o Natal. De acordo com ela, todas as datas comemorativas apresentaram crescimento este ano e o mesmo deve ocorrer com o dia das crianças, que é parâmetro para avaliar as festas de fim de ano. “Estamos achando que vai ser melhor. Ainda não dá para mensurar números, mas a expectativa é de crescimento”, comenta. Ana Paula ressalta que essa melhora não é tão significativa, já que no ano passado a inflação estava elevada, os juros e o desemprego também eram maiores, o que prejudicou o consumo. Para este ano, houve redução da inadimplência e da inflação. Outro fator é a taxa de desemprego, que, apesar de ainda estar elevada, teve redução no segundo trimestre de 1,3 pontos percentuais. “Isso dá fôlego à economia e aumenta a renda em circulação”.
Os panetones voltaram
Os produtos alimentícios também começam a chegar. No Super Nosso, panetones, frutas secas e vinhos já estão nas prateleiras. “Estamos entrando no clima de Natal e acreditando que vai haver uma recuperação no consumo. Este ano, apostamos um pouco mais, esperamos ter de 10% a 15% de crescimento”, avalia o diretor comercial do supermercado, Ronaldo Peixoto.
Para ele, o fato de os produtos não estarem aumentando de preço deve ajudar a incrementar nas vendas. O Super Nosso também vai usar seu aplicativo para tentar alavancar as vendas.
Na Chocolates Brasil Cacau, os valores dos produtos também não tiveram muita variação. Somente os panetones de fruta e gotas, que são os mais baratos, subiram um pouco. O carro-chefe das vendas, que são os de brigadeiro e trufados, estão com o mesmo preço do ano passado. Os produtos chegam na semana que vem, segundo o gerente Bruno Souza Pardinho, que tem uma expectativa boa. “Vamos tentar vender o mesmo que no ano passado, que foi bom. O ano está atípico, então, á meta é manter o volume e tentar com isso crescer 15%.”
