
Procurar por vaga e recolocação ou migrar para uma pequena ou média empresa pode ser uma saída com ganhos garantidos. Christyano Malta, head master coach da Casa Coaching, afirma que, independentemente do tamanho, todo trabalho é um aprendizado pessoal, profissional e organizacional. Ele avisa que “é preciso compreender que, num mercado em crise, há mais oportunidades nas pequenas e médias empresas. Elas, inclusive, fecham mais contratos, que chegam a 20%, 30% do faturamento, o que pode significar aumento de 30% a 40% na contratação de mão de obra, de novas vagas. Ou seja, tem impacto”.
Christyano Malta explica que há exigências particulares para quem trabalha em empresas menores. “Esperam-se mais competências, da comunicação a comportamentais, que precisam ser desenvolvidas porque as regras não são tão claras, não há manuais como nas maiores. Assim, o colaborador assume mais funções profissionais e pessoais”, diz. Para ele, quem dá essa direção para a carreira terá um aprendizado mais intenso. E para ele é possível, sim, crescer. “É válido que esse profissional tenha chance de crescer mais rápido, vai evoluir hierarquicamente proporcionalmente ao desenvolvimento da empresa. Situação diferente se ele estiver numa grande organização, em que já existe uma carreira estruturada.”
E, sem delongas, Christyano Malta lembra que há dois anos o trabalhador até poderia ter dúvida de buscar vaga em pequenas e médias empresas, achar que seria um retrocesso. Agora, ele reforça, o movimento é nesse sentido. O coach destaca que muitos empregadores buscam no mercado profissionais maduros para agregar ao negócio a experiência deles em grandes projetos e em gestão de pessoas. Muitas startups no ecossistema mineiro, empresas jovens e pequenas, querem a maturidade desses profissionais (engenheiros, administradores, comunicadores) para gerenciar projetos, por exemplo.
CONCORRÊNCIA
Christyano Malta aponta mais dois fatores que fazem as empresas menores contratarem mais na crise. “É quando elas têm a chance, com os salários achatados, de conseguir pagar os melhores profissionais, que tiveram o ganho reduzido, muitas vezes, em 40%, 50%. O segundo ponto é o excesso de mão de obra. Antes da crise, pagava-se mais caro por um profissional mais ou menos, agora não mais. Há seleção e concorrência”, diz.
Ou seja, se antes um profissional qualificado achava que a vaga estava garantida em uma empresa de menor expressão, bastava o currículo, não mais. Para Christyano Malta, “na pequena empresa o candidato será entrevistado pelo dono, não pelo RH, já que às vezes o setor não é estruturado. Assim, é preciso ter outra perspectiva. Você vai falar da sua experiência, o que levará de ganho e de bom para aquele negócio. Há menos barreiras e o dono irá escolher o profissional com base na sua intuição, o emocional volta à cena. O feeling decide”.
Neste cenário, o que ocorre com o mercado? Conforme Christyano Malta, “ele reduz as demissões e o turnover tende a cair porque é a volta da confiança na contratação. E 80% dos negócios são decididos pela confiança”.
Trabalho nas pequenas e médias empresas
• O lado bom:
– Segurança
– Crescimento profissional ao se tornar um multitarefas
– Melhor nível de empatia e bons relacionamentos no trabalho
– Autonomia
– Menor pressão
– Aprendizado ampliado
– Criatividade
– Jogo de cintura ao ser obrigado a ter iniciativa
– Flexibilidade
– Maior domínio de todo o processo
– Poder de ação
– Experiência
• O lado questionável:
– Queda financeira
– Projetos menos ambiciosos
– Relações mais pessoais, o que pode gerar
mais conflitos na tomada de decisões
por serem subjetivas
– Crescimento pode ser limitado,
com menos postos hierárquicos
– Menos pessoas, mais responsabilidade
– Insegurança
– Estagnação
