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Estado de Minas

Em palestra a empresários na China, Meirelles apresenta pacote de US$ 269 bilhões

Ministro da Fazenda prevê que o Brasil terá crescimento econômico de 1,6% no ano que vem e de 2,5% em 2018


postado em 03/09/2016 06:00 / atualizado em 03/09/2016 07:35

Em seminário na China, ministros apresentaram as condições do país a um grupo de empresários e demonstraram confiança(foto: Beto Barata PR)
Em seminário na China, ministros apresentaram as condições do país a um grupo de empresários e demonstraram confiança (foto: Beto Barata PR)

Hangzhou e Xangai (China) – Em palestra para uma plateia de 350 empresários em seminário em Xangai, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles apresentou um mapa com oportunidades de investimento no Brasil que somam US$ 269 bilhões. Meirelles afirmou na China que o Brasil volta a crescer em 2017. “As previsões são de um crescimento de 1,6% em 2017 e de 2,5% em 2018. A tendência histórica do Brasil é ter taxas substancialmente maiores e vamos trabalhar para voltar a crescer ao redor de 4% em média”, disse Meirelles. Em relação aos investimentos, que entram na conta do crescimento, eles incluem projetos de concessão, privatização e outorgas. Após o evento, o ministro afirmou que não se trata de uma meta ou compromisso a ser alcançado pelo governo. É uma estimativa para mostrar as oportunidades aos investidores do que pode ser feito em quatro anos.

“É um mapa. Uma visão do número de projetos que poderão ser feitos e estarão disponíveis no Brasil em infraestrutura, entre 2016 e 2019. Concessões, outorgas, privatizações... Alguns deles já podem ter sido discutidos. Em resumo, é um vasto e amplo programa de investimento em infraestrutura de diversas formas no país” afirmou Meirelles. Desde que assumiu com presidente interino, em meados de maio, Michel Temer vem apostando em um programa de concessões e privatizações. Para pilotá-lo, nomeou Moreira Franco, seu auxiliar próximo, que liderou os processos de concessão à iniciativa privada dos aeroportos do Galeão (RJ) e Confins (MG).

Para atrair investidores, um dos primeiros atos do presidente como interino foi a edição da medida provisória que cria o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), visando projetos prioritários para o país, que estabelece a secretaria-executiva do Programa de Parcela de Investimentos (PPI), pasta que terá Moreira Franco como titular. O PPI foi criado com o objetivo de tornar “mais ágeis” as concessões públicas, sob o argumento de que é preciso eliminar entraves burocráticos e excesso de interferências do Estado, com a listagem de empreendimentos públicos de infraestrutura a serem executados pelo setor privado. Os empreendimentos incluídos no PPI deverão ser tratados como “prioridade nacional” por todos os agentes públicos de execução e controle da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

Meirelles, garantiu que as causas da perda de confiança e credibilidade que levaram a economia brasileira a mergulhar em uma crise foram revertidas. Segundo ele, o compromisso do governo do presidente Michel Temer é estabilizar cenário macroeconômico, reduzir tamanho do Estado, implantar reformas, reforçar o papel das agências e criar ambiente amigável de negócios. Ele admitiu que o país sofreu a partir de 2009 os feitos da crise financeira internacional e que o quadro se agravou com medidas que não se sustentavam, tomadas pelo governo anterior, e as desconfianças sobre a possibilidade de processo de impeachment.

“Portanto, esse é um processo que o país viveu. Mas a boa notícia é que as causas de tudo isso foram revertidas. O novo governo assumiu, totalmente democrático, presidido pela STF, dentro das normas constitucionais. Fez com que a confiança dos agentes econômicos passasse a retornar rapidamente”, afirmou o ministro. Segundo Meirelles, o primeiro grande movimento é assegurar a estabilidade da economia brasileira, começando por restaurar o equilíbrio das contas públicas. Para ele, o Estado passou a ser ineficiente como propulsor do investimento e passou a ser agente que exige recursos cada vez maiores.

O ministro da Fazendo ainda destacou, como uma das medidas mais importantes de ajuste, a criação de um teto para despesas públicas de uma maneira que as despesas passem a cair como porcentual do PIB. “É importante mencionar que isso tem gerado muito confiança na economia, seja confiança dos industriais, dos serviços e do comércio. A reta do crescimento é pronunciada nos últimos meses. Crescimento sólido da confiança. Segundo ele, os investimentos estão retomando.

“Foram os primeiros do setor da atividade econômica que reagiu. Quando vemos dados do último trimestre, nós vamos ver que a indústria subiu um pouco. Consumo ainda não. Alguns setores ainda estão caindo. Mas o investimento já subiu. É sinal claro de que a economia brasileira está crescendo. Meirelles terminou o discurso chamando investidores a aplicar no Brasil. “É um país seguro e estável. Não há conflito políticos e religiosos. Agora, tivemos mudança em paz, dentro das regras da constituição. Momento é histórico para as duas nações”, afirmou. O ministro citou nominalmente cinco grandes condições que oferecem oportunidades ao investidor: mercado grande e em expansão de bens e serviços; oportunidades enormes em infraestrutura;  exploração de mineração;  exploração de petróleo e gás; e  expansão da área cultivada agrícola.

 

Negócios
Além de tentar fechar o máximo possível de negócios com os chineses, o presidente Michel Temer usará a reunião do G-20 para fazer negociações paralelas. O principal interesse é atrair investimentos para a área de infraestrutura, mas outros assuntos estarão em pauta, como a venda de aviões brasileiros, a relação com a Venezuela e até uma possível nova formatação do Brics (sigla do grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A Arábia Saudita quer o apoio do Brasil para entrar no bloco, o que é visto com “bons olhos” pelos membros do grupo. Temer conversará sobre o assunto com o vice-primeiro-ministro do país, o príncipe Mohammad bin Salman Al Saud, e tentará negociar com o príncipe aviões da Embraer. O Brasil tem interesse em vender para os sauditas aeronaves de transporte militar e reabastecimento KC-390.


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