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Estado de Minas

Obras avançam em Confins e demanda de passageiros dá indícios de recuperação

Obras de ampliação ganham ritmo mais forte e devem ser entregues dentro do previsto


postado em 24/07/2016 07:00 / atualizado em 24/07/2016 08:30

Inauguração das novas áreas do aeroporto está marcada para dezembro (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Inauguração das novas áreas do aeroporto está marcada para dezembro (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

As obras de ampliação do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, de Confins, na Grande Belo Horizonte, entraram na reta final a um ritmo surpreendente do ponto de vista da paralisia que tem marcado os investimentos do setor produtivo no Brasil. A menos de cinco meses da data prevista de inauguração, em 15 de dezembro, só neste mês a concessionária do terminal, a BH Airport, enxergou a reação da curva de demanda dos passageiros, depois de uma série de relatórios indicando fluxo decrescente no primeiro semestre deste ano. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a retração do transporte nos céus de janeiro a junho no Brasil alcançou 6,6% frente a idêntico período do ano passado.


Foi com certo alívio que o diretor-presidente do consórcio operador de Confins, Paulo Rangel, conferiu, embora ainda no campo vermelho das estatísticas comparadas a 2015, a mudança de direção neste mês. Era o sinal positivo mais esperado, quando os sócios da BH Airport contabilizam desembolso da ordem de R$ 860 milhões em menos de dois anos de contrato da concessão.

“A curva que vinha decrescendo mostrou inflexão e acreditamos que essa nova direção está relacionada a um ambiente de maior confiança na economia”, diz o executivo, convicto de que a recuperação do tráfego vai aparecer nos relatórios de outubro, com o retorno de aeronaves que companhias costumam deslocar para mercados em condições, diferentemente do Brasil hoje, de garantir as metas desejadas de lucro do negócio. Sem qualquer semelhança com os tempos em que o tráfego aéreo avançava 8% ao ano, Confins registrou queda de 13,7% da movimentação de passageiros no acumulado do primeiro semestre deste ano – foram transportados 4,84 milhões de pessoas em voos domésticos e internacionais –, ante os mesmos meses de 2015.

Passou de 760 mil a perda de passageiros no terminal da Grande BH na primeira metade de um 2016 afetado pela economia fraca e contaminada por sucessivos respingos da crise política. Medida em junho, a redução foi mais intensa, de 17,7%, ante idêntico mês do ano passado. Na difícil tarefa de analisar o comportamento da demanda nas salas de embarque e desembarque, Paulo Rangel tem trabalhado com um balanço deste ano ainda inferior ao de 2015, com 10,5 milhóes a 10,8 milhões atendidos em voos partindo ou chegando a Confins, ante os 11,3 milhões registrados no ano passado. “Esperávamos crescimento para 12 milhões de passageiros, mas o importante é que assistimos a uma recuperação neste segundo semestre, devagar, e que deve ser efetiva em 2017”, diz o presidente da BH Airport.

Ao revisitarem o plano do negócio de Confins, os sócios da BH Airport estruturam como projeto de longo prazo o investimento na concessão, que transfere o risco do tráfego à empresa gestora contratada. A Sociedade de Propósito Específico, composta pelo grupo CCR, uma das maiores empresas de infraestrutura da América Latina, e o operador Zurich Airport, gestor de um dos principais aeroportos europeus, com participação de 51% no consórcio, e a Infraero, dona de 49%, planejam investir R$ 1,5 bilhão nos primeiros oito anos do contrato. Considerando-se o prazo legal de 30 anos estipulado pela concessão, serão R$ 3,5 bilhões.

CONECTIVIDADE  Estratégia e gente preparada para o trabalho são pontos fortes que o terminal da Grande BH já tem aprendido com a experiência do Zurich Airport, de acordo com Paulo Rangel. “A ideia é criar conectividade suficiente em Confins para trazer voos internacionais e também os nacionais, confirmando BH como hub (expressão usada para aeroportos capazes de atrair grande número de voos e/ou onde as companhias aéreas mantêm hangares ou terminais dedicados). Queremos resgatar para Confins os mineiros que voam ao exterior”, afirma.

Principal projeto de curto prazo do consórcio, as obras do terminal 2 estão preparando o aeroporto para dobrar a capacidade de atendimento de passageiros até 2020, para 22 milhões de pessoas por ano. A conclusão do empreendimento proporciona melhorias em 49 mil metros quadrados, com novas salas de embarque, novas áreas para embarque e desembarque internacional, 17 pontes de embarque, seis esteiras rolantes e esteiras para restituição de bagagem.

Para uma próxima fase, a BH Airport iniciou os estudos para avaliar a melhor solução do que poderá se tornar um edifício-garagem. Antecipando-se ao planejamento enquadrado no contrato, a concessionária trabalha também no projeto de construção de uma pista com 2.500 metros de extensão e 45 metros de largura. Paulo Rangel informou ao Estado de Minas que o pedido de licenciamento ambiental já deverá ser feito no ano que vem, para evitar que o processo se transforme em um problema, tendo em vista a longa duração na concessão das licenças das obras realizadas e em curso no terminal.

O gatilho que vai disparar a construção da segunda pista parece ainda distante para quem transita em Confins, mas não para os sócios do consórcio. Ela está projetada para até 2020 ou quando o número de pousos e decolagens, hoje de 113 mil por ano, atingir 198 mil ao ano.

Aos passageiros que se irritaram na semana passada com a demora e as filas maiores provocadas pela entrada em funcionamento das novas regras de revista nos aeroportos brasileiros, o diretor da BH Airport diz que dar agilidade ao processo é preocupação dos operadores. “Ampliamos o efetivo em Confins e temos agora 11 canais de inspeção de passageiros, em lugar dos seis anteriores”, afirma.

Quanto ao quesito de custo/benefício dos produtos de lanchonete e restaurante que deram ao aeroporto baixa avaliação dos passageiros na mais recente pesquisa de satisfação encomendada pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Rangel disse que a concessionária está trabalhando firme para reverter a insatisfação. “Estamos oferecendo possibilidades de preços e criando ofertas, para abrir a concorrência entre as lojas. Nos contratos, negociamos condições para que os preços sejam equalizados com aqueles vigentes em mercados de serviços semelhantes, como os shopping centers.”

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