Brasília – Com as chuvas mais constantes neste início de ano, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) divulgou ontem que o risco de a demanda superar a oferta de energia elétrica nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste este ano é zero. Segundo nota divulgada ontem, o colegiado avalia que o Sistema Interligado Nacional (SIN) dispõe das condições para o abastecimento da carga prevista no país este ano, de 64.573 megawatts (MW) médios de energia, com uma sobra estrutural de 9.359 MW médios.
Em janeiro de 2015, o risco de faltar energia no ano passado era de 4,9% na região Sudeste/Centro-Oeste e de 1,2% no Nordeste. Em seu pior momento, o risco para a região Sudeste/Centro-Oeste chegou a 7,3% em fevereiro, enquanto o máximo tolerado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) é de 5%. Apesar de 2016 começar em condições bem mais favoráveis do que as do início do ano passado, o CMSE destacou que as chuvas em dezembro continuaram abaixo da média histórica para o período nas regiões Nordeste (28%) e Norte (29%). Na região Sudeste, ficaram próximo do esperado (99%) e na região Sul choveu o equivalente a 294% da média do mês.
O risco zero de falta de energia calculado pelo CMSE para 2016 considera que todas as térmicas de custo de operação (CVU) de até R$ 600/MWh continuarão despachadas até o fim da estação úmida. Pelas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), quando térmicas até esse valor estão em operação, os consumidores continuam pagando a bandeira vermelha nas contas de luz. A expectativa do governo é de que a bandeira tarifária mude para verde a partir do fim do período chuvoso, em maio. Isso, no entanto, depende das chuvas na região Norte do país.
Reservatórios Apesar de o comitê considerar que as chuvas estavam abaixo da média histórica nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, as precipitações mais intensas recuperaram o nível dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e do Centro-oeste do país. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as usinas das duas regiões estavam com 32,29% de armazenamento de água na terça-feira, contra 16,84% em janeiro do ano passado. Isso significa um aumento de 91,7% no volume dos reservatórios.
A situação dos reservatórios da Região Norte era de 15,64% de armanezamento no início dessa semana. O número significa uma redução de 58% em relação a janeiro de 2015, quando o volume de energia armazenada era de 34,7%. No mesmo mês de 2014, o volume era de 60,75%. Na Região Sul, a situação atual é de 95,83%, alta de 60% em relação ao volume de janeiro de 2015, que era de 59,58%. No Nordeste, a situação atual é de 15,64%, uma diminuição de 4,6% em relação ao primeiro mês do ano passando, quando o volume era de 16,41%.
Além da recuperação do nível dos reservatórios, o consumo de energia do país está em queda, o que diminui a pressão da demanda sobre o parque de geração de eletricidade do país. No ano passado, o consumo de energia caiu 1,8% no país com base na carga gerada no sistema. Essa redução ocorreu pela baixa demanda da indústria e pela mudança de hábito dos brasileiros por causa do aumento da tarifa de energia. Em 2015 a conta de luz subiu quase 50%.
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Chuva zera risco de racionamento de energia elétrica
Comitê que monitora setor elétrico avalia que geração vai atender, com sobra, consumo este ano. Usinas se recuperam
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