
Mesmo com a diminuição da procura por financiamentos, os juros não param de bater marcas inéditas. Em outubro, a taxa média do mercado subiu para 47,9% ao ano, a mais elevada da atual série histórica do BC, iniciada em março de 2011. O consumidor foi o que mais pagou, já que, para pessoa física, a taxa alcançou 64,8% ao ano no mês passado, porcentual também inédito. O movimento ainda é uma consequência da alta promovida pelo BC desde abril de 2013 da taxa básica de juros, Selic, e que estacionou em 14,25% ao ano em julho.
Mais prejudicado mesmo foi quem teve de recorrer ao cheque especial ou ao cartão de crédito. De acordo com o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, pode ter tido um aumento da procura por essas linhas no mês passado por causa da greve bancária que se estendeu de 6 a 23 de outubro. Como exemplo, ele cogitou a possibilidade de a paralisação ter tornado mais restrito o acesso ao crédito consignado, que apresenta as taxas mais baixas do mercado. “Não conseguindo linhas de crédito mais baratas, as pessoas acabaram incorrendo nessas mais caras”, explicou.
Maior taxa No mês passado, o juro do cheque especial ficou em 278,1% ao ano, a maior taxa dos últimos 20 anos. No caso do rotativo do cartão de crédito, que é o maior juro de todos os acompanhados pelo BC, a cobrança foi de 406,1% ao ano. O rotativo é o valor que sobra do pagamento mínimo obrigatório do cartão. “Estas são as taxas mais elevadas do país e não devem ser utilizadas. Apenas em situações específicas, de curtíssimo prazo", recomendou Rocha.
Com a recessão e a diminuição da renda e do emprego, o calote voltou a subir. As altas têm sido pouco expressivas mês a mês, em torno de 0,1 ponto porcentual, mas mesmo andando devagar bateu em 5% no mês passado, a maior marca em pouco mais de dois anos. O técnico do BC previu que esse movimento deve continuar nos próximos meses de forma moderada. Ainda assim, segundo ele, a inadimplência não gera impacto na solidez do sistema financeiro, que está capitalizado e provisionado.
