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Estado de Minas

Levy cogita criar imposto temporário

Ministro defende tributo para fechar ajuste e alerta para risco de rebaixamento do país


postado em 06/09/2015 06:00 / atualizado em 06/09/2015 07:13

Ancara, Turquia – Na primeira aparição pública depois que se reuniu na quinta-feira com a presidente Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy destacou, em Ancara, capital da Turquia, que a meta de superávit primário para 2016 é de 0,7% do Produto Interno Bruto, e não a estimativa de déficit do setor público consolidado de 0,34% do PIB, como foi manifestado na proposta de Orçamento para o próximo ano. Perguntado se não havia um ruído entre a meta mencionada por ele de 0,7% do PIB e o déficit de 0,34%, o ministro afirmou: “A presidente ontem (sexta-feira) falou. No rádio da Paraíba, ela confirmou 0,7% e teve repercussão nacional depois”, apontou. “A meta é de 0,7%. A gente vai ter que construir isso no Congresso. É essencial ter uma meta bem firme, fundamental para não pôr em risco o grau de investimento”, apontou o ministro, que não descartou a criação um novo imposto.

Na entrevista concedida ao lado do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, o ministro da Fazenda foi enfático em vários momentos ao defender a realização do ajuste fiscal, pois, do contrário, o Brasil poderia perder o grau de investimento. Segundo o ministro, para viabilizar o ajuste fiscal, pode ser necessário elevar impostos, mesmo que de forma temporária, embora a prioridade seja o corte de gastos públicos. O ministro afirmou que há discussões no governo para elevar tributos, a fim de viabilizar o cumprimento da meta fiscal de 2016, questão que também está sendo tratada no Congresso.

“A presidente não descartou”, disse Levy, sobre aumento de impostos. “Algumas pessoas no Congresso também têm falado. Pode ser que seja um imposto para ajudar a gente a fazer essa travessia”, afirmou. “Acho que na maior parte dos países é assim que funciona. Acho que no Brasil deve ser também assim”, acrescentou Levy, que participou da reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do G20. Na defesa do ajuste, Levy foi enfático ao alertar para os riscos que o país corre. “Precisamos de meta firme para manter o grau de investimento do Brasil. É preciso encontrar um meio para viabilizar isso, inclusive no Congresso”, afirmou. “Perder o grau de investimento é colocar em risco empregos e piorará a vida de brasileiros.” E isso ocorreria por muitos anos, apontou.

DECISÃO No encontro, representantes das maiores economias do mundo se comprometeram, ontem, a não recorrer a desvalorizações cambiais competitivas em reação à desaceleração da economia chinesa. O esforço do grupo para evitar guerras cambiais ocorre após a desvalorização do yuan no mês passado e em meio a um cenário de crescimento mais lento da China, maior volatilidade no mercado e preocupações com um possível aumento da taxa de juros dos Estados Unidos.

As lideranças políticas presentes em Ancara também prometeram melhorar a transparência e reduzir incertezas por meio de comunicados claros sobre suas principais decisões políticas. O Fundo Monetário Internacional (FMI), no entanto, afirmou em comunicado que acredita que os riscos para o crescimento aumentaram. “Especialmente para as economias emergentes”, afirmou Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI.


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