(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Reflexos de redução da meta fiscal atingem governo em outras frentes

Dólar bate em R$ 3,34, o maior em 12 anos, enquanto Morgan Stanley rebaixa nota do Brasil e diretor do Banco Central admite novos riscos para a inflação com o desequilíbrio fiscal


postado em 25/07/2015 06:00 / atualizado em 25/07/2015 08:00

O ministro Nelson Barbosa (E) tentou tranquilizar analistas e investidores, como havia feito Joaquim Levy(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
O ministro Nelson Barbosa (E) tentou tranquilizar analistas e investidores, como havia feito Joaquim Levy (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

São Paulo
– No terceiro dia de reviravolta no mercado financeiro, depois de o governo reduzir a meta fiscal (economia para o pagamento de juros da dívida pública) e reconhecer que 2015 poderá ser fechado com déficit nas contas públicas, o dólar alcançou R$ 3,3470, maior valor em 12 anos. Às 11h10, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, exibia valorização de 1,16%, para R$ 3,326 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançava 0,94%, para R$ 3,327. A bolsa brasileira também manteve os reflexos das últimas medidas anunciadas pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa: o principal índice de negociação das ações principais, o Ibovespa, começou o dia registrando baixa de 1,64% às 11h10, para 48.991 pontos. Foi a menor pontuação desde 16 de março (48.848).

As más notícias se confirmaram com a decisão do banco Morgan Stanley de rebaixar a sua recomendação do Brasil para o chamado underweight, desempenho abaixo da média para o mercado. Na quinta-feira a agência de classificação de risco Austing Rating anunciou ter rebaixado a nota de crédito de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira de 'BBB-' para 'BB+', fazendo com que o país perdesse o grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador.

Segundo o Morgan Stanley, o rebaixamento ocorre por causa de uma “surpreendente” redução da meta de superávit primário deste ano a 2018. Pesou, ainda, sobre a decisão, o aumento da inflação até 2016 e a trajetória de alta dos juros brasileiros. Além disso, a instituição diz que o desempenho fiscal “fraco” deve limitar o ritmo de crescimento econômico do País ao longo dos próximos anos. A instituição recomenda que investidores repensem suas posições em ações domésticas cíclicas.

Nesta quarta-feira, o governo reduziu a meta de superávit primário de 1,13% (R$ 66,3 bilhões) para apenas 0,15% (R$ 8,74 bilhões) e fez mais um corte de R$ 8,6 bilhões nas despesas deste ano.Na tentativa de esfriar a fervura, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou, ontem, que a política monetária não deve reagir diretamente às revisões nas metas de superávit primário anunciadas. Segundo ele, entretanto, pode haver um impacto indireto por meio do câmbio. Ele explicou que o dólar reagiu à revisão da meta fiscal e que o câmbio é levado em conta nas projeções de inflação.

Barbosa afirmou que a política fiscal ainda está contribuindo para o combate à inflação e que, mesmo com a revisão das metas de superávit primário, o impulso fiscal “é contracionista ou, no máximo, neutro”, já que este ano o resultado primário deve ser melhor do que o déficit registrado em 2015. Ele declarou que é cedo para afirmar se essa alta do dólar será permanente.

Barbosa argumentou que, à medida que o governo for explicando as ações fiscais, o impacto no câmbio tende a ser revertido. Segundo ele, o mercado reage à política fiscal, mas também a indicadores econômicos do restante do mundo. Questionado se as declarações feitas pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, pela manhã, quando citou “novos riscos para a inflação” - seriam uma referência à mudança na meta fiscal, Barbosa disse que não comenta declarações do BC.

O diretor de Política Econômica, Luiz Awazu Pereira da Silva, disse que o governo está trabalhando para enfrentar as oscilações nos fluxos de capitais para o Brasil. Ele insistiu em que a condução da política econômica, especialmente em economias de mercado emergentes, sempre teve que enfrentar os desafios colocados pelo comportamento dos fluxos de capitais. Em especial, de acordo com ele, em períodos de excesso de liquidez ou de reversões abruptas.

R$ 3,70 no paralelo Na evolução do dia de ontem, o dólar turismo, que é utilizado em viagens, já era encontrado acima de R$ 3,70 no Rio de Janeiro e no paralelo em Belo Horizonte, foi cotado em R$ 3,50. Nas agências de câmbio do Bradesco, o valor cobrado pelo dólar para cartões pré-pago foi de R$ 3,72 pela manhã, com incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6,38%. Para compra em espécie, a divisa custava R$ 3,55, com IOF de 0,38%. A moeda americana encerrou o dia com valorização de 1,55% e no último mês já contabiliza alta de 6,23%.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou na noite de quinta-feira que é uma pessoa transparente e que não jogou a toalha ao ter que anunciar a redução da meta de superávit primário. “Nós não jogamos a toalha, pelo contrário, nós vamos continuar a nossa política com muito vigor, mas ela tem que ser uma política realista”, disse. Levy, que participou do anúncio, ao lado do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, classificou como “um equívoco” a especulação de que ele teria sido voto vencido, pois preferia anunciar a redução da meta em um momento mais à frente. Levy reforçou que o objetivo do governo é diminuir a incerteza da economia e retomar o crescimento do País e que ajustar a meta não significa afrouxar a política fiscal.– No terceiro dia de reviravolta no mercado financeiro, depois de o governo reduzir a meta fiscal (economia para o pagamento de juros da dívida pública) e reconhecer que 2015 poderá ser fechado com déficit nas contas públicas, o dólar alcançou R$ 3,3470, maior valor em 12 anos. Às 11h10, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, exibia valorização de 1,16%, para R$ 3,326 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançava 0,94%, para R$ 3,327. A bolsa brasileira também manteve os reflexos das últimas medidas anunciadas pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa: o principal índice de negociação das ações principais, o Ibovespa, começou o dia registrando baixa de 1,64% às 11h10, para 48.991 pontos. Foi a menor pontuação desde 16 de março (48.848).

As más notícias se confirmaram com a decisão do banco Morgan Stanley de rebaixar a sua recomendação do Brasil para o chamado underweight, desempenho abaixo da média para o mercado. Na quinta-feira a agência de classificação de risco Austing Rating anunciou ter rebaixado a nota de crédito de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira de 'BBB-' para 'BB+', fazendo com que o país perdesse o grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador.

Segundo o Morgan Stanley, o rebaixamento ocorre por causa de uma “surpreendente” redução da meta de superávit primário deste ano a 2018. Pesou, ainda, sobre a decisão, o aumento da inflação até 2016 e a trajetória de alta dos juros brasileiros. Além disso, a instituição diz que o desempenho fiscal “fraco” deve limitar o ritmo de crescimento econômico do País ao longo dos próximos anos. A instituição recomenda que investidores repensem suas posições em ações domésticas cíclicas.

Nesta quarta-feira, o governo reduziu a meta de superávit primário de 1,13% (R$ 66,3 bilhões) para apenas 0,15% (R$ 8,74 bilhões) e fez mais um corte de R$ 8,6 bilhões nas despesas deste ano.Na tentativa de esfriar a fervura, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou, ontem, que a política monetária não deve reagir diretamente às revisões nas metas de superávit primário anunciadas. Segundo ele, entretanto, pode haver um impacto indireto por meio do câmbio. Ele explicou que o dólar reagiu à revisão da meta fiscal e que o câmbio é levado em conta nas projeções de inflação.

Barbosa afirmou que a política fiscal ainda está contribuindo para o combate à inflação e que, mesmo com a revisão das metas de superávit primário, o impulso fiscal “é contracionista ou, no máximo, neutro”, já que este ano o resultado primário deve ser melhor do que o déficit registrado em 2015. Ele declarou que é cedo para afirmar se essa alta do dólar será permanente.

Barbosa argumentou que, à medida que o governo for explicando as ações fiscais, o impacto no câmbio tende a ser revertido. Segundo ele, o mercado reage à política fiscal, mas também a indicadores econômicos do restante do mundo. Questionado se as declarações feitas pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, pela manhã, quando citou “novos riscos para a inflação” - seriam uma referência à mudança na meta fiscal, Barbosa disse que não comenta declarações do BC.

O diretor de Política Econômica, Luiz Awazu Pereira da Silva, disse que o governo está trabalhando para enfrentar as oscilações nos fluxos de capitais para o Brasil. Ele insistiu em que a condução da política econômica, especialmente em economias de mercado emergentes, sempre teve que enfrentar os desafios colocados pelo comportamento dos fluxos de capitais. Em especial, de acordo com ele, em períodos de excesso de liquidez ou de reversões abruptas.

R$ 3,70 no paralelo
Na evolução do dia de ontem, o dólar turismo, que é utilizado em viagens, já era encontrado acima de R$ 3,70 no Rio de Janeiro e no paralelo em Belo Horizonte, foi cotado em R$ 3,50. Nas agências de câmbio do Bradesco, o valor cobrado pelo dólar para cartões pré-pago foi de R$ 3,72 pela manhã, com incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6,38%. Para compra em espécie, a divisa custava R$ 3,55, com IOF de 0,38%. A moeda americana encerrou o dia com valorização de 1,55% e no último mês já contabiliza alta de 6,23%.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou na noite de quinta-feira que é uma pessoa transparente e que não jogou a toalha ao ter que anunciar a redução da meta de superávit primário. “Nós não jogamos a toalha, pelo contrário, nós vamos continuar a nossa política com muito vigor, mas ela tem que ser uma política realista”, disse. Levy, que participou do anúncio, ao lado do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, classificou como “um equívoco” a especulação de que ele teria sido voto vencido, pois preferia anunciar a redução da meta em um momento mais à frente. Levy reforçou que o objetivo do governo é diminuir a incerteza da economia e retomar o crescimento do País e que ajustar a meta não significa afrouxar a política fiscal.

"Não houve escolha"
Brasília - A decisão do governo de reduzir a meta de economia para o pagamento da dívida pública foi “sensata e pragmática”, na avaliação do economista Otaviano Canuto, diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) “A revisão refletiu o fato de que do ponto de partida de quando foi anunciada, a meta revelou-se a posteriori mais difícil de se cumprir  do que o esperado, bem como a desaceleração no crescimento tem sido maior do que a esperada e vem afetando negativamente a arrecadação", disse.

Canuto, que ocupou os cargos de diretor-executivo, vice-presidente e consultor sênior do Banco Mundial e foi vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, passou a integrar o conselho do FMI neste mês por indicação de um grupo de 11 países, liderado pelo Brasil. Mesmo após a definição de uma meta de economia próxima a zero neste ano, o economista diz não ver motivos para o país perder o grau de investimento (espécie de selo de bom pagador dado pelas agências de risco). "Tudo leva a crer, se for examinar a trajetória esperada de dívida e a relação entre diversas variáveis que compõem a mecânica da dívida, que com a implementação do ajuste certamente se impedirá qualquer deterioração”, afirmou.

Na avaliação do diretor-executivo do FMI, embora seja importante manter o grau de investimento, evitar a perda dessa classificação não pode ser “um fim em si mesmo”. Ele observou, no entanto, que a classificação pelas agências tornaria a dinâmica ainda pior. “Mas é importante fazer o ajuste por si mesmo, porque ele é o caminho para recuperar a confiança, reduzir prêmios de risco, para melhorar as condições de investimento pelo próprio setor privado", afirmou.

Segundo o diretor-executivo do FMI, a piora na perspectiva de contração da economia não está sendo provocada pelas medidas de ajuste tomadas pelo governo neste ano, mas pela “luta” em aprová-las. “Na medida em que as coisas tomam mais tempo do que poderiam tomar de implementação do ajuste, os agentes privados tendem a assumir uma atitude de esperar para ver”, disse.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)