(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Veja o que ainda dá para comprar com R$ 1 real na Savassi e no Centro de BH

Dois anos depois, Estado de Minas volta ao Centro e à Savassi para ver o que é possível comprar com R$ 1. Em alguns lugares, com a moeda no bolso, não se garante nem o cafezinho


postado em 24/06/2015 06:00 / atualizado em 24/06/2015 07:33

Elásticos e presilhas para cabelo estão entre os poucos produtos que ainda podem ser comprados por R$ 1 no Centro de BH(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PRESS )
Elásticos e presilhas para cabelo estão entre os poucos produtos que ainda podem ser comprados por R$ 1 no Centro de BH (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PRESS )

Comprar alguma coisa com apenas R$ 1 em Belo Horizonte é missão tão difícil como achar uma agulha no palheiro. Basta dar uma volta pelo Centro ou pela Savassi para perceber que a moeda não está valendo nada. Ou quase nada. Num passeio rápido, o máximo que você consegue comprar com a moeda são prendedores de cabelo ou um saquinho com cinco anzóis para pescaria, além de bombom e chiclete. Nem mesmo o carretel de linha (R$ 1,80) pode ser comprado com a moeda. É difícil encontrar até aquele velho e bom cafezinho por um preço camarada. No Centro, ele é vendido a R$ 0,90, mas, na Savassi, é preciso desembolsar pelo menos R$ 1,50 pela dose da bebida.

Há dois anos, reportagem do Estado de Minas percorreu a mesma região na tentativa de encontrar produtos vendidos por R$ 1 ou menos. Na época, o leque de opções com esse preço era bem maior. No entanto, a inflação que corrói a renda dos brasileiros já estourou o teto da meta prevista para este ano, chegando a atingir 8,47% no acumulado dos últimos 12 meses, e deixou a missão de encontrar um produto com preço tão baixo ainda mais difícil. As lojas que faziam propaganda de produtos a R$ 0,99 já passaram o slogan para
R$ 1,99 e até mesmo a coxinha no copo, que ficou famosa pelo slogan “Aqui seu R$ 1 vale muito”, já deixou para trás a fama de barateira.

O copo de coxinhas, que custava, que custava R$ 1 há dois anos, agora virou caixinha e custa R$ 1,50 em todas as lojas da franquia - 50% de aumento em 24 meses (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
O copo de coxinhas, que custava, que custava R$ 1 há dois anos, agora virou caixinha e custa R$ 1,50 em todas as lojas da franquia - 50% de aumento em 24 meses (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
No Zé da Coxinha, o copo perdeu lugar para uma caixinha de papel e o preço aumentou para R$ 1,50 há cerca de dois meses. Segundo a proprietária do estabelecimento, Tânia Regina de Oliveira, essa foi uma medida adotada por toda a marca, que tem franquias espalhadas pelo Brasil. “Houve uma reformulação da marca. Retiraram o slogan, aumentaram o tamanho das coxinhas e o preço também. Foi uma mudança necessária, tendo em vista a alta nos insumos que utilizamos”, afirma. Ainda segundo Tânia, o refrigerante, que era vendido na loja a R$ 1, perdeu espaço para o refresco. “O refrigerante aumentou e tivemos que arrumar outra opção que não pesasse tanto no bolso dos consumidores e nos permitisse continuar vendendo”, argumenta.

Aquele famoso pastel de massa fina, encontrado na maioria das lanchonetes do Centro, também foi golpeado pela inflação. Há dois anos, ele era vendido na lanchonete Pastel Frito a R$ 0,90. Agora, é preciso desembolsar R$ 1,20 pelo produto, alta de 34%. Para fisgar os clientes, a lanchonete faz uma promoção: três pastéis por R$ 3. O caldo de cana, além do pão de queijo e do cafezinho, também não escaparam da alta. O primeiro passou a custar R$ 2,50, em vez de R$ 1,25, atingindo 100% de aumento em dois anos. Já o combo de cafezinho com pão de queijo, que custava R$ 1,90, teve alta de 26,5% em dois anos, passando a custar R$ 2,40. “Todos os nossos fornecedores reajustaram os preços e o nosso custo ficou muito maior. Seguramos por um tempo, mas tivemos que repassar os valores para os consumidores. É ruim, todo mundo reclama. Mas, se não repassarmos, não damos conta de pagar nossas despesas”, afirma a gerente da Pastel Frito, Ivani Cândida.

"O preço das coisas parece subir de valor, enquanto nosso salário vai de escada. Um não acompanha o outro", Elimar Martins, vendedor (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
NEM AS CALCINHAS Na Avenida Paraná, na loja Casa Mineira, as calcinhas que saíam por R$ 0,99 cada quatro passaram a R$ 1,99 por unidade. Um aumento de quase 700% no preço unitário, verdadeira aberração inflacionária. Segundo a gerente da loja, Joselita Moreira, hoje é impossível encontrar produtos que possam ser comercializados a menos de R$ 1. No local, os produtos mais baratos são as calcinhas, cuecas e panos de prato, que não saem por menos de R$ 1,99 cada. Já na Loja dos Fogões, localizada na mesma região, os únicos produtos que custam centavos são borrachas protetoras para pés de mesas e cadeiras e tampas de plástico para tanques. “Do jeito que está, R$ 1 não vale nada. Nem mesmo um cafezinho. O preço das coisas parece subir de elevador, enquanto nosso salário vai de escada. Um não acompanha o outro”, lamenta o vendedor Elimar Martins.

Em uma loja de artigos para casa, somente quatro produtos custam menos que R$ 1: garfo, colher, bucha para torneira e puxador para tampa de panela. Segundo o gerente da Filtrolândia, Rodrigo Dias Vilela Lima, é cada vez mais difícil encontrar produtos tão baratos. “Os consumidores reclamam que está tudo caro, mas não temos como baixar os preços. Nossos fornecedores estão sempre aumentando e temos que repassar isso para o cliente. O garfo, por exemplo, temos vários modelos, mas apenas um é vendido a R$ 0,80, por conta da qualidade inferior”, explica.

ZONA SUL Se o leque de produtos encontrados com preços menores que R$ 1 no Centro é pequeno, na Savassi a situação fica ainda mais difícil : as buchinhas e piranhas de cabelo que são vendidas no Centro a R$ 0,50 e R$ 1 são vendidas a R$ 1 e R$ 3 na vizinhança mais nobre. Já na loja cujo nome é “De R$ 1 a R$ 99”, apenas quatro produtos são vendidos pelo valor da moeda: uma cartela de chicletes, uma folha de papel de presente, um pacotinho com duas toucas plásticas para banho e a unidade do copo lagoinha.

Quem tem o mesmo real, mas está disposto a bater perna encontra artigos mais interessantes. No sebo Cia. do Livro, na Rua Paraíba, R$ 1 compra revista, histórias em quadrinhos, romances e outros livros.

Na Savassi, o copo de coxinhas, que antes era vendido a R$ 1,50 há dois anos, passou a custar R$ 2, registrando alta de 34% no período. Segundo o gerente da Fujiyama, Alexandre Batista, os preços foram reajustados depois que o fornecedor passou a cobrar mais caro. Para não perder vendas, ele conta que a loja lançou a promoção de um copo de coxinhas mais um copo de refresco por
R$ 2,50. “Tivemos que repassar o aumento para os nossos clientes. Para não pesar tanto no bolso deles, lançamos a promoção. Se eles fossem comprar o refresco separado, custaria mais R$ 1,50”, afirma Batista, que diz ainda que não há nenhum produto na lanchonete com preço abaixo de R$ 1, a não ser bala.

Para comer um pão de queijo na Savassi é preciso desembolsar R$ 2,80, o valor é R$ 1 mais caro do que o cobrado no mesmo local há dois anos. O copo de refresco e o cafezinho também tiveram altas expressivas. O café, que antes custava R$ 0,90, passou a ser vendido a R$ 1,50, e o refresco passou de R$ 0,55 para R$ 3. Segundo o proprietário da lanchonete, Carlos Souto Júnior, no local, apenas um bombom pode ser comprado com a moeda. “Estamos comprando mais caro e temos que repassar. Hoje, infelizmente, posso dizer que R$ 1 não está valendo nada”, completou.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)